quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Desconecte-se

Hoje eu escrevo a minha raiva de pensar em tantas coisas e não conseguir escrever sobre nenhuma. 
Hoje eu escrevo a minha tristeza de viver em um mundo tão digital, em que tudo é mandado via bytes e pixels. Celulares apitam, redes sociais se enchem de notificações, quase nada atrai mais a atenção das pessoas, as mãos não se atraem mais para outras mãos - estão viciadas demais no celular para tal coisa - , quase ninguém lê. Sorrisos, olhares, um gesto... agora tudo se congela numa foto digital. Ando enjoada disso tudo. Coloco meu celular no silencioso como se para poupar a minha própria vida dos tantos barulhos que um celular é capaz de fazer, aproveito e poupo a vida e o ouvido alheio também.
As pessoas saem com outras pessoas, e ficam conectadas à mesa de um bar, um restaurante, ou algo nesse estilo, mal olhando uma pra cara da outra, dando curtidas em vidas vazias que se fazem felizes através de redes sociais. É um caos, e quase ninguém percebeu. Nada faz sentido, e eu me sinto perdida e sozinha nesse mundo, querendo viver analogicamente, quando ninguém mais é analógico, e isso deixa minha cabeça bagunçada e cheia de perguntas sem respostas.
Pare. Esqueça um pouco o celular. Esqueça as redes sociais. Silencie, e não se sinta preso à isso. Não vê como é algo pequeno? A vida é bem mais do que isso. A vida está num sorriso, num abraço, num olhar, num carinho ou afago, em mãos dadas e conversas, em ver como alguém gosta de ti só por um brilho nos olhos, ou um abraço mais apertado. Perceba como as pessoas se importam com você. Ouça as pessoas quando elas falam, não dê pouca importância: se as pessoas falam contigo, elas têm motivos para isso, elas querem dizer algum coisa, elas querem se expressar, portanto, escute com atenção, seja algo bom ou não - mesmo que não queira, ouvir o que machuca às vezes é necessário. 
Não exagere. 
Desconecte-se. 
Viva analogicamente. 
Sinta! Byte não tem coração.

Paolla Milnyczul