quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Quantas Vezes?

Quantas vezes nos disseram que tínhamos que agir assim e não assado? Quantas vezes nos apontaram o dedo de forma acusadora sem termos feito nada? Quantas vezes nos falaram que é pelo nosso próprio "bem" não sermos nós mesmos? Quantas vezes nos acusaram de inverdades? Quantas? E quantas vezes você deu a cara pra bater? Quantas vezes você disse "não" a tudo isso? E quantas vezes você disse sim e deixou outra pessoa te controlar, como um mero fantoche? 
Quantas vezes você perdeu amigos por ser quem você é - e não arredar o pé de ser, mesmo sendo turbulento e tendo a personalidade difícil de lidar? E quantas vezes você ganhou mais amigos do que já tinha pelo mesmo motivo? Quantos amigos você tem que realmente respeitam o seu ser? 
Acordei pensando em tudo isso, porque nos apontam tantos dedos, nos falam sempre o que fazer, como nos portar, e como ser. Nos acusam sem saber, falam inverdades pelas suas costas, causam um turbilhão, mas sempre erram. Muita gente dá a cara para bater - eu sou uma delas! Jamais deixarei de ser quem sou! Já deu tanto trabalho chegar até aqui, e me respeitar e me amar do jeito que sou, me aceitando assim. Todos temos defeitos, e todos temos qualidades. 
Confesso que não sou fácil de lidar, que que a minha personalidade é forte, que a minha opinião é contundente, que eu sou seletiva com as pessoas, que não sou tão meiga nem tão fofa como aparento, que observo demais as pessoas e seus modos, trejeitos, manias e caráter, que sou impaciente, que sou meio calada e observadora, que nem sempre vou junto com a maré porque eu não sou igual a ninguém e ninguém é igual a mim - cada qual é um ser que temos que respeitar por ser quem é. Eu sou eu, e me amo e me aceito assim. E tenho amigos que me amam e me aceitam como sou! E é justamente por ser quem sou que são meus amigos. Quando você tem traços muito fortes na sua personalidade, sempre é mais difícil as pessoas se aproximarem, e mais ainda de gostarem de você como você é. Por essas (e outras) prezo tanto a amizade e os meus verdadeiros amigos. 
E a cada dia, por ser quem realmente sou, ganho cada vez mais amigos, e sempre preservo os antigos. 
Entende: quem te ama vai te amar do jeito que voe é, sem tentar te mudar. Aceita isso e seja quem você é. 

Tire a mascara e se ame como é.

Paolla Milnyczul

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Indomável(mente)

Acorda já cansada, mas com uma determinação incrível e aquele algo a mais que leva consigo aonde vá. Sente que os dias correm como um riacho que deságua num mar que está longe demais. O oceano é inatingível. Todos os dias parecem iguais. Trabalho, problemas, hora do almoço: tudo igual, nada muda. Mas, mesmo cansada, nos seus olhos fulguram duas chamas impossíveis de ser apagadas, mesmo pelas línguas mais maldosas. Apesar de se sentir fina e quebrável, cheia de chateações e cansaços intermináveis, há nela sonhos e algo que intriga. Sonhos quebrados pelas tensões do dia, pelo excesso de barulho. Sonhos quebrados pelo desconforto em não se sentir parte de nada, e ao mesmo tempo de lugar algum. Sua música confunde os outros. O toque do seu violino faz-se estranho. Suas ideias perturbam as cabeças mais abertas. Mulher de visão, veio querendo mudar o mundo. Pouco fala, muito observa. Ouve compulsivamente Cazuza. 
Não sente-se parte, e isso, de certo modo, a satisfaz. Satisfaz um desejo íntimo que nem ela conhece. De algum modo, realiza-se ao chocar as pessoas com ideias que não cabem ali naquele lugar, não cabem ali naquelas cabeças com visão deturpada, não cabem ali naquele espaço tao comum - e ela não é comum. Tem a cabeça longe dali. Pensa em todas as lutas travadas diariamente com o que não lhe agrada. Tem olhar feroz, ferino, cortante, e ao mesmo tempo sonhador e risonho. E tem a língua mais feroz ainda. Só fala algo quando sabem que a vão escutar. Mal sai do tom de voz, fala baixo e pausado, e não se incomoda que alguns não a escutem, mas não costuma alterar o tom de voz pelos outros - não costuma falar para quem não quer ouvir e tem cabeças fechadas a sete cadeados. É um pouco individualista, meio egoísta, centrada em si mesma. É um modo de se defender do mundo lá fora. Mas não se incomoda com seus defeitos: ao contrário, ama-os como ama a si mesma: imensuravelmente. 

Nada é capaz de fazê-la parar. Ela é maior do que o mundo.

Indomável.

Paolla Milnyczul




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