terça-feira, 4 de agosto de 2015

Você Não é Obrigado!

O que eu percebo é que as pessoas, em sua maioria, estão perdendo o tato com as outras pessoas. E uma boa parte da educação e do bom senso. Inclusive - e principalmente - online. Porque? Bom, vamos ao olhar crítico de quem vos fala.
Falar certas coisas olho no olho deixa as pessoas desconfortáveis, falar online, onde não tem olho no olho, onde não há quem retruque, onde se põe as palavras como se quer, sem pensar no que vai causar à outras pessoas, é bem mais fácil. Abro as minhas redes sociais e o que vejo? Intriguinha, indireta (ou bem direta!), gente que veste a carapuça de algo que nem é pra ela, perseguição boba a troco de nada com quem não está nem aí. Não podemos esboçar uma opinião que desagrade a alguém, que somos crucificados na timeline alheia.
As pessoas não entendem que vida online não é vida offline, e duvido que muita gente diria tanta coisa olhando nos olhos, com tato, educação, bom senso, palavras certas, moderação na voz e respeito. Então despejam suas frustrações no seu status do Facebook.
O mesmo se aplica ao nosso querido e ao mesmo tempo odiado WhatsApp. Ele invadiu nossas vidas profissionais e pessoais, como se nós tivéssemos a plena obrigação de, imediatamente, olhar e responder quela mensagem com urgência só porque somos imediatistas - somos a geração do AGORA. Fora que as pessoas mandam mensagens a hora que dá na cachola delas: de madrugada, de tarde, à noite, na hora do almoço (ou do jantar),  a hora que você está indo dormir, e você TEM QUE responder! Só que você NÃO "tem-que" NADA, e não é bem por aí. Tanto não é que, no mesmo aplicativo, em configurações, há a opção 'silenciar'. É essa que eu uso. Olho as mensagens e respondo aquelas que quero, e quando me convém. Não sou obrigada, a menos que eu realmente queira ou precise responder naquele momento. Converso com quem eu quero, e raros são aqueles que têm meu WhatsApp. (Ok, há alguns bloqueios, também.). Lembrem-se: o WhatsApp de vocês é o número do SEU celular, e você não tem a obrigação de ceder seu número pessoal caso não queira - e ninguém pode fazer isso sem a sua devida permissão! Porque é seu, e quem manda no seu número e na sua vida é você, não o chamado da mensagem.
Prefiro silenciar algumas coisas e até desligar o celular às vezes para conversar com quem está ao meu lado, abraçar, dar um beijo, deitar abraçado, ver um filme; a responder diversas mensagens engraçadinhas, fofas ou "urgentes". (É urgente?  LIGUE, não fique mandando várias mensagens, uma atrás da outra - é irritante e invasivo!). Prefiro comer com calma, escrever um texto, brincar com minhas 'coleguinhas bagunceiras' no trabalho na hora do lanche, conversar sobre diversas coisas interessantes com minha colega de sala olhando no olhos, e dar risadas, do que falar tudo pelo celular.
Aí você questiona: mas vem cá, moça, não é você que tem internet e vive online? Não é você que tem celular e responde à todas as mensagens? Sim. Mas me imponho horários, para que o celular não seja meu único e principal companheiro. Horário de almoçar não é horário de mensagem - depois do almoço, se me couber, respondo (sim, meu celular fica com o visualizado azulzinho e pode ficar até roxo fluorescente, somente quando eu quiser, eu respondo). Horário de estar com meu marido, não é horário de mensagem. Horário do meu lazer, ou da minha leitura, não é horário de mensagem. Só respondo mensagens depois das 20h se for de alguém que gosto e considero muito. 
O que esse vício no celular anda criando? Expectativas. Muitas. Expectativa que a pessoa vá responder logo. Expectativa de que ela vai responder o que você quer ouvir ler. Fora as expectativas gigantes, anda criando muitos distanciamentos: de casais, de famílias, de colegas de trabalho, de amigos - porque a moda são os grupos! Grupos de trabalho (não falo do grupo do meu trabalho, ele é OK: o pessoal responde a dúvidas, manda recados importantes, e não excede o horário de trabalho), grupos de amigos (participo de dois que não estão muito preocupados se você vai responder ou não, até porque cada um conhece as limitações e a personalidade uns dos outros - e as respeita!), grupos de família, grupos de tanta coisa que é até difícil imaginar. 
Olha só, não é legal você estar falando com a pessoa e ela mais preocupada em checar o celular pra ver se mandou a mensagem, se alguém está respondendo, ou em fazer o check-in no Facebook, e por aí vai. Quem fala e quer conversar, ou contar sobre o dia, ou compartilhar emoções, se sente constrangido, deixado de lado, "mudo" pelo barulhinho das mensagens constantes. Quem está tentando se comunicar normalmente, se sente excluído. E isso prejudica relacionamentos e, por acabar excluindo - mesmo sem querer - quem está tentando falar com a pessoa, acaba também excluindo a própria pessoa do convívio social, e assim  acaba dependente do celular (e somente dele) para qualquer tipo de conversa. Isso é saudável? Não. Isso é bom? Não. 
Escute quando alguém fala que você está demais no telefone. Escute quando alguém fala que você está tempo demais no computador (já escutei diversas vezes e por isso me policio - sou viciada em tecnologia!). Se alguém está falando contigo, preste atenção. Olhe nos olhos. Converse com a pessoa. Deixe o celular de lado. Coloque no silencioso por um tempo e perceba a diferença - você fica mais liberto, pode crer. Esqueça suas redes sociais. Quem está contigo, ao seu lado, é mais importante do que quem está do outro lado - afinal, a pessoa tem um motivo (ou vários) para estar ao teu lado. 
Parece que hoje em dia temos que ensinar as pessoas a conversar. E isso não é normal! Por motivos muito simples: o celular não é você, o celular não tem pele, o celular não tem hormônios, o celular não sou eu.  E você não é obrigado!

Liberte-se!


Paolla Milnyczul 




*Imagens retiradas do Google


Um comentário:

  1. Amei gemula!

    Cada vez mais ando desligando meu celular e admirando mais e mais o silêncio!

    Perfeito, beijo grande, AMO vc!

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