segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Sabe?


Sabe,
É difícil não ser mais quem você era.
É difícil blindar o peito contra possíveis mágoas.
É difícil não saber lidar direito com lembranças.
É difícil não ter pra quem ligar,
quando se precisa de algum conselho.
É difícil conviver com a tristeza dia após dia,
mas de algum modo conseguir contorná-la;
                                    [luta diária]
É difícil viver nostálgica, perdida nas areias do tempo.
É difícil não encontrar mais a si mesmo,
dificultando interações
com quem acha que a conhecia
tão bem...

Sabe,
Eu gostava de quem eu era.
Eu gostava de ver o mundo de um jeito,
mesmo que não fosse o jeito que ele
realmente é.
Eu gostava de não ter
o peito embrutecido, 
moldado em pura lava e aço.

Sabe,
Ontem, chorei todos os choros que tinha pra chorar.
Ontem, senti toda a dor que havia pra sentir.
Ontem, pedi infinitas desculpas a quem não tem como me ouvir.
Ontem, houve o extravaso das emoções perdidas.
Hoje, não mais.
Não tem mais choro.
Não tem mais dor.
Não tem mais desculpas.
Hoje só tem eu e você.
Sejamos inteiros, então.

Paolla Milnyczul





terça-feira, 18 de agosto de 2015

A Gente Precisa


Há algum tempo já não escrevo com a mesma facilidade de antes. Os temas me são muito complexos e amplos. Tudo foge muito a minha cabeça, talvez por pensar demais. As preocupações aumentaram. E as responsabilidades também. Já não consigo enxergar o mundo com a inocência de antes. Tudo é muito subtendido. Olho pra trás e tudo o que vejo é ingenuidade. 
Ando cada vez mais voltada à outros projetos, a uma luta maior nesse dia a dia irreal que rola nas redes sociais. Tudo é tão perfeito, tão lindo, e tão revoltado, tão gritante. Amigos batem boca sobre quem é direita, esquerda ou centrista. Amizades se desfazem. É o Um que joga piadinho em Outro. É o Outro que volta a piadinha pro Um. É o Dois que joga indireta pro Um e pro Outro. 
Quando que a gente vai começar a parar pra pensar antes de fazer? Pensar antes de falar? Falar sabendo argumentar, e não bloquear? A não interromper a outra pessoa? A entender pontos de vista? A não julgar por alguém ser a favor disso ou daquilo?
A gente precisa de mais bom senso. A gente precisa de mais gentileza. A gente precisa de mais desapego. A gente precisa de mais empatia. A gente precisa de menos joguinhos. A gente precisa de menos inveja. A gente precisa parar com essa de se fazer de vítima. A gente tem que parar de se desculpar por ter nascido. A gente precisa de mais visibilidade. A gente precisa de menos difamação. A gente precisa de mais carinho. A gente precisa de mais Cazuza. A gente precisa aprender a falar 'NÃO' quando tudo pesa demais. A gente precisa aprender cada vez mais. A gente precisa respeitar o ser humano. A gente precisa parar de apontar o dedo. A gente precisa falar do que importa. A gente precisa aprender a abrir a cabeça, para que a santa ignorância não faça morada.
Há poucas pessoas que realmente me conhecem. Há poucas pessoas que sabem das minhas aspirações futuras ou dos meus planos. Há poucas pessoas que sabem pelo quê e por quem eu luto todos os dias ao levantar, e mesmo que algumas não concordem com isso, nunca me julgam, e sim me respeitam por puro direito de escolha, e por entender que a gente não tem que ser quem tenta ser e sim quem a gente é. Cabem em menos dedos que há em uma mão. E é disso que a gente precisa. 

O mundo anda louco e atrapalhado. Me indigno, não nego, porém não pago por erros que não são meus. 

Paolla Milnyczul 

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Liberta



Liberta 

Saber que tudo um dia finda liberta a ti, 
Mas aprisiona o outro. 
Somos tanto, tudo, 
E quase nada. 

Paolla Milnyczul

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Você Não é Obrigado!

O que eu percebo é que as pessoas, em sua maioria, estão perdendo o tato com as outras pessoas. E uma boa parte da educação e do bom senso. Inclusive - e principalmente - online. Porque? Bom, vamos ao olhar crítico de quem vos fala.
Falar certas coisas olho no olho deixa as pessoas desconfortáveis, falar online, onde não tem olho no olho, onde não há quem retruque, onde se põe as palavras como se quer, sem pensar no que vai causar à outras pessoas, é bem mais fácil. Abro as minhas redes sociais e o que vejo? Intriguinha, indireta (ou bem direta!), gente que veste a carapuça de algo que nem é pra ela, perseguição boba a troco de nada com quem não está nem aí. Não podemos esboçar uma opinião que desagrade a alguém, que somos crucificados na timeline alheia.
As pessoas não entendem que vida online não é vida offline, e duvido que muita gente diria tanta coisa olhando nos olhos, com tato, educação, bom senso, palavras certas, moderação na voz e respeito. Então despejam suas frustrações no seu status do Facebook.
O mesmo se aplica ao nosso querido e ao mesmo tempo odiado WhatsApp. Ele invadiu nossas vidas profissionais e pessoais, como se nós tivéssemos a plena obrigação de, imediatamente, olhar e responder quela mensagem com urgência só porque somos imediatistas - somos a geração do AGORA. Fora que as pessoas mandam mensagens a hora que dá na cachola delas: de madrugada, de tarde, à noite, na hora do almoço (ou do jantar),  a hora que você está indo dormir, e você TEM QUE responder! Só que você NÃO "tem-que" NADA, e não é bem por aí. Tanto não é que, no mesmo aplicativo, em configurações, há a opção 'silenciar'. É essa que eu uso. Olho as mensagens e respondo aquelas que quero, e quando me convém. Não sou obrigada, a menos que eu realmente queira ou precise responder naquele momento. Converso com quem eu quero, e raros são aqueles que têm meu WhatsApp. (Ok, há alguns bloqueios, também.). Lembrem-se: o WhatsApp de vocês é o número do SEU celular, e você não tem a obrigação de ceder seu número pessoal caso não queira - e ninguém pode fazer isso sem a sua devida permissão! Porque é seu, e quem manda no seu número e na sua vida é você, não o chamado da mensagem.
Prefiro silenciar algumas coisas e até desligar o celular às vezes para conversar com quem está ao meu lado, abraçar, dar um beijo, deitar abraçado, ver um filme; a responder diversas mensagens engraçadinhas, fofas ou "urgentes". (É urgente?  LIGUE, não fique mandando várias mensagens, uma atrás da outra - é irritante e invasivo!). Prefiro comer com calma, escrever um texto, brincar com minhas 'coleguinhas bagunceiras' no trabalho na hora do lanche, conversar sobre diversas coisas interessantes com minha colega de sala olhando no olhos, e dar risadas, do que falar tudo pelo celular.
Aí você questiona: mas vem cá, moça, não é você que tem internet e vive online? Não é você que tem celular e responde à todas as mensagens? Sim. Mas me imponho horários, para que o celular não seja meu único e principal companheiro. Horário de almoçar não é horário de mensagem - depois do almoço, se me couber, respondo (sim, meu celular fica com o visualizado azulzinho e pode ficar até roxo fluorescente, somente quando eu quiser, eu respondo). Horário de estar com meu marido, não é horário de mensagem. Horário do meu lazer, ou da minha leitura, não é horário de mensagem. Só respondo mensagens depois das 20h se for de alguém que gosto e considero muito. 
O que esse vício no celular anda criando? Expectativas. Muitas. Expectativa que a pessoa vá responder logo. Expectativa de que ela vai responder o que você quer ouvir ler. Fora as expectativas gigantes, anda criando muitos distanciamentos: de casais, de famílias, de colegas de trabalho, de amigos - porque a moda são os grupos! Grupos de trabalho (não falo do grupo do meu trabalho, ele é OK: o pessoal responde a dúvidas, manda recados importantes, e não excede o horário de trabalho), grupos de amigos (participo de dois que não estão muito preocupados se você vai responder ou não, até porque cada um conhece as limitações e a personalidade uns dos outros - e as respeita!), grupos de família, grupos de tanta coisa que é até difícil imaginar. 
Olha só, não é legal você estar falando com a pessoa e ela mais preocupada em checar o celular pra ver se mandou a mensagem, se alguém está respondendo, ou em fazer o check-in no Facebook, e por aí vai. Quem fala e quer conversar, ou contar sobre o dia, ou compartilhar emoções, se sente constrangido, deixado de lado, "mudo" pelo barulhinho das mensagens constantes. Quem está tentando se comunicar normalmente, se sente excluído. E isso prejudica relacionamentos e, por acabar excluindo - mesmo sem querer - quem está tentando falar com a pessoa, acaba também excluindo a própria pessoa do convívio social, e assim  acaba dependente do celular (e somente dele) para qualquer tipo de conversa. Isso é saudável? Não. Isso é bom? Não. 
Escute quando alguém fala que você está demais no telefone. Escute quando alguém fala que você está tempo demais no computador (já escutei diversas vezes e por isso me policio - sou viciada em tecnologia!). Se alguém está falando contigo, preste atenção. Olhe nos olhos. Converse com a pessoa. Deixe o celular de lado. Coloque no silencioso por um tempo e perceba a diferença - você fica mais liberto, pode crer. Esqueça suas redes sociais. Quem está contigo, ao seu lado, é mais importante do que quem está do outro lado - afinal, a pessoa tem um motivo (ou vários) para estar ao teu lado. 
Parece que hoje em dia temos que ensinar as pessoas a conversar. E isso não é normal! Por motivos muito simples: o celular não é você, o celular não tem pele, o celular não tem hormônios, o celular não sou eu.  E você não é obrigado!

Liberte-se!


Paolla Milnyczul 




*Imagens retiradas do Google