quarta-feira, 1 de abril de 2015

A Vida é Vermelho-sangue

Há de se ter estômago para verdades que nos rondam quando estamos deitados no escuro. Estamos perdidos — sim, perdidos!, e ninguém vêm nos buscar, nos salvar. Cada um que se salve! Cada um que busque a si próprio, nadando em braçadas largas para alcançar a corda da salvação. O mundo não deixa ninguém ileso: todos temos cicatrizes. Umas na alma, outras no coração, algumas no corpo. 
Eu sei, eu falo forte. Falo verdades. Falo o que não querem ver. Falo o que poucos entendem, mas muitos passam. Falo sobre o que ninguém quer lidar. Nem pensar. Nunca achamos que nada vai acontecer conosco. Ou com alguém perto de nós. Somos todos indestrutíveis. Sinto muito, mas não, não somos. Tampouco somos derrotados. Estamos todos no meio. Estamos todos nadando contra a corrente. Estamos todos nadando contra a morte, doenças, fatalidades, coisas que nos ameaçam, que nos fazem sentir tristeza, raiva, decepção, que nos fazem descobrir quão frágeis somos, quão efêmera é a vida — tudo isso em busca da felicidade enfeitada com confetes de cores doces e variadas, de contos de fadas, que não existe.
Mas a vida não é cor de rosa. A vida não é azul bebê. A vida é vermelho-sangue. A vida é forte. E ela te derruba num segundo. Basta você falhar um degrau da escada para rolar escada abaixo. Ou falar uma palavra no tom errado, para ter a língua cortada em inúmeros nano-pedacinhos. A vida te bate de verdade, com o pulso fechado e a mão aberta. Ela não deixa pra depois. Ela não tem rodeios, só desafios. Ela não te dá caminhos, você tem que os construir a facão como alguém perdido numa floresta, à mão, e fica com calos — feios, grandes, inchados e doloridos.
Tudo isso em prol de uma falsa felicidade. Tudo isso por não ver que o importante é o AGORA — a felicidade é o agora, é o instante de um piscar de olhos, é a sua xícara de café expresso.
A efemeridade da vida nos faz ver o que não queremos com um olhar bonito e questionador.
A efemeridade nos move. É o grande segredo da felicidade. 


Paolla Milnyczul


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