quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Século XXI


E aí ficamos assim, perdidos em caminhos retos e certos, e nos [re]encontrando em curvas. 
E não há nada melhor que isso. Não há nada melhor do que se encontrar, leve e dilacerante, efêmero e louco, visceralmente exposto e preso em si mesmo; picante e sem entremeios, louco pra ter tudo, louco pra ver tudo, pra saber tudo; por ser tudo. 
Se encontrar perdido entre os ponteiros do tempo, que se esvaem em entrelinhas,
Se encontrar soldado entre as areias excruciantes do ser.
E, nestes tempos  cruéis, inexatos, incertos, enlouquecidos , como é difícil encontrar a nós mesmos. Sempre nos encontramos perdidos e jogados à sarjeta inumana da escuridão dos bytes. Esfolados, sem pele, músculos e dentes. 
O que nos sobra? A racionalização da emoção. Nos sobra  e tão somente!  , a coragem pra continuar. Colocamos sorrisos automáticos em rostos de concreto. Procuramos pontos de equilíbrio rodando como perus bêbados em véspera de Natal. Ah, o tão procurado equilíbrio, ele só se estabelece quando não percebemos.
Equilibrados, e só então, vemos:
O mundo nos corrói. Somos todos autômatos. 

Essa é a grande tristeza do século XXI.

Paolla Milnyczul


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