segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Conexão

Eu gosto do silêncio. Do calor da sensibilidade silenciosa do mundo, não do frio vazio de palavras ditas altas demais ao léu. Coloco fones de ouvido enquanto falam sem dizer nada.
Olho para o lado, para o nada. Sonho acordada. As pessoa falam. Não percebem que quero a solidez momentânea da solidão. Balanço a cabeça mesmo sem ouvir nada para os lados, para baixo, para cima, enquanto elas não percebem que não estou mais lá, que já estou em outro lugar, em outro tempo   em meu próprio tempo, na minha própria cabeça, entregue às sutilezas estonteantes da alma em prosa contínua. Encontro paz em minha alma, lugar inalcançável para tantos, mas palpável somente por mim e pela arte.
É tanto papo, e são tantas palavras jogadas ao tempo, ao vento, ao nada.
Então, finalmente, silêncio. Finalmente, não falam. Estão entregues ao próprio pensamento. À sua própria solidão. Alguns à sua própria alma. Outros, ao seu próprio barulho interno. Raros, ao seu próprio silêncio.
Então  e só então  forma-se a conexão.
O silêncio mútuo conecta as pessoas, de uma forma que nenhuma palavra fará.

Paolla Milnyczul

2 comentários:

  1. Nem o calor insuportável te cala, hein? Adorei o texto Paolita! :*

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  2. Não conhecia seu blog, criei outro, 'menos pessoal'. Já te seguindo! :)

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