quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Desconecte-se

Hoje eu escrevo a minha raiva de pensar em tantas coisas e não conseguir escrever sobre nenhuma. 
Hoje eu escrevo a minha tristeza de viver em um mundo tão digital, em que tudo é mandado via bytes e pixels. Celulares apitam, redes sociais se enchem de notificações, quase nada atrai mais a atenção das pessoas, as mãos não se atraem mais para outras mãos - estão viciadas demais no celular para tal coisa - , quase ninguém lê. Sorrisos, olhares, um gesto... agora tudo se congela numa foto digital. Ando enjoada disso tudo. Coloco meu celular no silencioso como se para poupar a minha própria vida dos tantos barulhos que um celular é capaz de fazer, aproveito e poupo a vida e o ouvido alheio também.
As pessoas saem com outras pessoas, e ficam conectadas à mesa de um bar, um restaurante, ou algo nesse estilo, mal olhando uma pra cara da outra, dando curtidas em vidas vazias que se fazem felizes através de redes sociais. É um caos, e quase ninguém percebeu. Nada faz sentido, e eu me sinto perdida e sozinha nesse mundo, querendo viver analogicamente, quando ninguém mais é analógico, e isso deixa minha cabeça bagunçada e cheia de perguntas sem respostas.
Pare. Esqueça um pouco o celular. Esqueça as redes sociais. Silencie, e não se sinta preso à isso. Não vê como é algo pequeno? A vida é bem mais do que isso. A vida está num sorriso, num abraço, num olhar, num carinho ou afago, em mãos dadas e conversas, em ver como alguém gosta de ti só por um brilho nos olhos, ou um abraço mais apertado. Perceba como as pessoas se importam com você. Ouça as pessoas quando elas falam, não dê pouca importância: se as pessoas falam contigo, elas têm motivos para isso, elas querem dizer algum coisa, elas querem se expressar, portanto, escute com atenção, seja algo bom ou não - mesmo que não queira, ouvir o que machuca às vezes é necessário. 
Não exagere. 
Desconecte-se. 
Viva analogicamente. 
Sinta! Byte não tem coração.

Paolla Milnyczul 

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Quantas Vezes?

Quantas vezes nos disseram que tínhamos que agir assim e não assado? Quantas vezes nos apontaram o dedo de forma acusadora sem termos feito nada? Quantas vezes nos falaram que é pelo nosso próprio "bem" não sermos nós mesmos? Quantas vezes nos acusaram de inverdades? Quantas? E quantas vezes você deu a cara pra bater? Quantas vezes você disse "não" a tudo isso? E quantas vezes você disse sim e deixou outra pessoa te controlar, como um mero fantoche? 
Quantas vezes você perdeu amigos por ser quem você é - e não arredar o pé de ser, mesmo sendo turbulento e tendo a personalidade difícil de lidar? E quantas vezes você ganhou mais amigos do que já tinha pelo mesmo motivo? Quantos amigos você tem que realmente respeitam o seu ser? 
Acordei pensando em tudo isso, porque nos apontam tantos dedos, nos falam sempre o que fazer, como nos portar, e como ser. Nos acusam sem saber, falam inverdades pelas suas costas, causam um turbilhão, mas sempre erram. Muita gente dá a cara para bater - eu sou uma delas! Jamais deixarei de ser quem sou! Já deu tanto trabalho chegar até aqui, e me respeitar e me amar do jeito que sou, me aceitando assim. Todos temos defeitos, e todos temos qualidades. 
Confesso que não sou fácil de lidar, que que a minha personalidade é forte, que a minha opinião é contundente, que eu sou seletiva com as pessoas, que não sou tão meiga nem tão fofa como aparento, que observo demais as pessoas e seus modos, trejeitos, manias e caráter, que sou impaciente, que sou meio calada e observadora, que nem sempre vou junto com a maré porque eu não sou igual a ninguém e ninguém é igual a mim - cada qual é um ser que temos que respeitar por ser quem é. Eu sou eu, e me amo e me aceito assim. E tenho amigos que me amam e me aceitam como sou! E é justamente por ser quem sou que são meus amigos. Quando você tem traços muito fortes na sua personalidade, sempre é mais difícil as pessoas se aproximarem, e mais ainda de gostarem de você como você é. Por essas (e outras) prezo tanto a amizade e os meus verdadeiros amigos. 
E a cada dia, por ser quem realmente sou, ganho cada vez mais amigos, e sempre preservo os antigos. 
Entende: quem te ama vai te amar do jeito que voe é, sem tentar te mudar. Aceita isso e seja quem você é. 

Tire a mascara e se ame como é.

Paolla Milnyczul

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Indomável(mente)

Acorda já cansada, mas com uma determinação incrível e aquele algo a mais que leva consigo aonde vá. Sente que os dias correm como um riacho que deságua num mar que está longe demais. O oceano é inatingível. Todos os dias parecem iguais. Trabalho, problemas, hora do almoço: tudo igual, nada muda. Mas, mesmo cansada, nos seus olhos fulguram duas chamas impossíveis de ser apagadas, mesmo pelas línguas mais maldosas. Apesar de se sentir fina e quebrável, cheia de chateações e cansaços intermináveis, há nela sonhos e algo que intriga. Sonhos quebrados pelas tensões do dia, pelo excesso de barulho. Sonhos quebrados pelo desconforto em não se sentir parte de nada, e ao mesmo tempo de lugar algum. Sua música confunde os outros. O toque do seu violino faz-se estranho. Suas ideias perturbam as cabeças mais abertas. Mulher de visão, veio querendo mudar o mundo. Pouco fala, muito observa. Ouve compulsivamente Cazuza. 
Não sente-se parte, e isso, de certo modo, a satisfaz. Satisfaz um desejo íntimo que nem ela conhece. De algum modo, realiza-se ao chocar as pessoas com ideias que não cabem ali naquele lugar, não cabem ali naquelas cabeças com visão deturpada, não cabem ali naquele espaço tao comum - e ela não é comum. Tem a cabeça longe dali. Pensa em todas as lutas travadas diariamente com o que não lhe agrada. Tem olhar feroz, ferino, cortante, e ao mesmo tempo sonhador e risonho. E tem a língua mais feroz ainda. Só fala algo quando sabem que a vão escutar. Mal sai do tom de voz, fala baixo e pausado, e não se incomoda que alguns não a escutem, mas não costuma alterar o tom de voz pelos outros - não costuma falar para quem não quer ouvir e tem cabeças fechadas a sete cadeados. É um pouco individualista, meio egoísta, centrada em si mesma. É um modo de se defender do mundo lá fora. Mas não se incomoda com seus defeitos: ao contrário, ama-os como ama a si mesma: imensuravelmente. 

Nada é capaz de fazê-la parar. Ela é maior do que o mundo.

Indomável.

Paolla Milnyczul




Todos os Direitos Autorais Reservados.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Sobre o Sentimento de Inadequação

Hoje eu estava lendo sobre o sentimento de inadequação, e  realmente vi, imediatamente, que poxa, não fui só eu quem sente ou sentiu isso - não sou o umbigo do mundo. Sim, eu me sinto inadequada. Nunca me senti parte de muita coisa, nem de muitos lugares. Costumo tentar me misturar com  os demais, geralmente sem muita chance de sucesso - não sei, acho que a minha presença incomoda ou deixa as pessoas com um pé atrás - , mas finjo estar tudo OK e sigo em frente, porque não há como recusar a vida. 
O sentimento de inadequação sempre caminhou comigo, todos os dias da minha vida. Bateu mais forte hoje. Sinto-me cansada. Não consigo me adequar muito. (Significa que não sou adequada segundo os parâmetros da "normalidade"? Isso é algo há se pensar!). 
Na infância, sentia-me inadequada naquele espaço físico da escola. Vamos resumir: estudei numa escola particular, e, naquela sala, eu era a única parda de cabelo afro, e todos eram muito branquinhos com seus cabelos lisos, no máximo ondulados. Consequência: sentia-me perdida pois era vítima do preconceito, já quando criança. Os meninos faziam musiquinhas com meu cabelo, e me chamavam de apelidos que não irei repetir aqui mas que ainda ecoam na minha cabeça em certos momentos, e eu enchia eles de porrada (sim, eu batia, e muito!) até se calarem.  Por outro lado, me destacava pela inteligência, perspicácia e rapidez de pensamento - se há uma coisa que eu admito sem falsa modéstia é que sou e sempre fui MUITO inteligente. Tinha poucas coleguinhas, mas que mantenho contato até hoje, e algumas viraram grandes amigas, e o são até o presente momento.
Durante a adolescência, em momento algum consegui viver seguindo as regras preestabelecidas dos lugares em que estudei - oh, sim, eu sempre as quebrava, sem quase ninguém ficar sabendo! Sempre fui muito contra a maré, e não sei porque. Foi nesse momento que encontrei pessoas que pensavam o mesmo que eu. Bom ressaltar: naquele momento da minha vida, já pouco ou nada me abalava em relação à preconceito, etc. até porque as pessoas eram mais diversificadas e ninguém meio que ligava pra isso. Fazia amizade com as pessoas mais improváveis - os estranhos no ninho - , costumava falar com todo mundo, sem formar panelinhas, e ao mesmo tempo, quando não ia com a cara de alguma pessoa, não tinha santo que me fizesse mudar de ideia. Me sentia totalmente adequada e feliz com os inadequados e estranhos. Repeti a oitava serie por desatenção, mas, ao mesmo tempo, me tornei monitora de Química. Acho que, na verdade, eu despertava nas pessoas algo de curiosidade, ou de se sentirem completas ao meu lado... mas não sei. Não era como os outros. E o que era mais engraçado, é o quanto eu era respeitada tanto pelos colegas como pelos professores. Ninguém mexia muito comigo. Mas, em certos momentos, apesar de tudo isso, sentia-me totalmente fora de espaço. E isso já não era novidade pra mim. 
Fiz faculdade no interior de São Paulo. Morei 3 anos e meio sozinha, e era a única nordestina. Foi nesse momento que aprendi a driblar, confrontar e responder contra preconceitos, racismo e xenofobia. Soube me impor adequadamente, e deixar muitas pessoas caladas. Assim como no segundo grau, me respeitavam. Mas só que, naquele momento, eu servia de exemplo para todos. Não somente pelas excelentes notas, mas pela coragem de morar sozinha e fazer faculdade em outro estado, e de só ver a minha família duas vezes por ano. (Que, na verdade pra mim não era coragem alguma, afinal, qual era o problema de se fazer faculdade longe de casa? Na verdade, nunca pensei muito antes de fazer qualquer coisa, como mudar de estado em três dias, e acho que isso me ajudou bastante na vida - será?). Mas, apesar de falar com TODO MUNDO da sala, enquanto a maioria formava grupinhos e um criticava o outro, eu era sempre quieta, e muito observadora. Lembro-me muito bem de um episódio: iria ter um seminário em grupo, e eu não entendi muito bem pois tinha tido três provas e não estudei para o seminário - e nem minhas colegas - , mas tive coragem de ir apresentar esse seminário e de falar que não tinha entendido muito o sentido do trabalho e, por ter falado isso, consegui uma segunda chance de fazer o seminário porque fui honesta - enquanto outras pessoas que somente leram o que estava no papel não ganharam essa chance. 
Pela minha quietude, logo que comecei a trabalhar na minha área, depois de formada, era um total peixe fora d'água. Tantas pessoas já me perguntaram "mas o que você está fazendo aqui?"que nem consigo contar. Na verdade, até hoje, passados sete ou oito anos, ainda me perguntam. Sinto um mini bullyng (será?) em relação a isso, mas até o momento não constatei isso, e nunca pensei em como isso reflete em mim e no meu trabalho - se querem me acomodar, erraram, não sou do tipo que se leva pela boca dos outros. Mas acho que se ouvir mais uma vez "volta pra tua cidade, garota", vou bater de frente com a pessoa, então evito os mesmos lugares que ela - o que agora me parece impossível - pra não dar problema. Por outro lado, várias pessoas me ajudaram a vencer muitas barreiras, e a elas eu agradeço imensamente, pois me fizeram sentir parte essencial de um trabalho importante, e não o contrário. Elas nunca perguntaram "o que você esta fazendo aqui?". Essas foram as poucas pessoas que não me viram como quieta, mas sim como observadora e cuidadosa. Não tiveram uma leitura superficial de mim, e nunca duvidaram da minha capacidade. Mas, como são poucas pessoas, ainda sinto a inadequação todos os dias. 
Não vamos entrar aqui em termo de família ou relacionamento, porque não saberia descrever. A única coisa que posso colocar é que sempre bati muito de frente, e quando acho algo certo, batalho até o fim para que as pessoas me ouçam e entendam. Ou, no mínimo, respeitem. Não tenho medo de dar a cara a tapa se necessário. Digo muito o que penso, mas pouco o que sinto, e isso já me causou inúmeros problemas, alguns difíceis de contornar. Tenho aprendido mais a falar sobre o que sinto, mas ainda me expresso melhor escrevendo sobre isso. 
Sentir-me inadequada me levava a conhecer várias pessoas diferentes, com vidas deferentes, em lugares diferentes, tendo assim uma vasta rede de contatos ativa ainda hoje. Acho que de certa forma me ajudou a progredir muito na minha vida, por que nunca fui de me acomodar demais, nem de andar sempre com as mesmas pessoas, e nunca me conformar porque "tem-que-ser-assim". É estranho notar isso somente aos 33 anos de idade enquanto se lê um livro às 7h da manhã. 
Se eu gosto da inadequação? Não sei. Há uma necessidade constante e tão grande das pessoas de se adequarem ao "normal", que é fora do comum. Afinal, o mundo mudou muito desde quando o conceito de "normalidade" foi vendido por aí em livros de auto ajuda. 
Acho que todos se sentem inadequados, mas poucos têm coragem de admitir isso. Principalmente a si mesmos. Não é à toa que há tantos remédios rolando por aí de mão em mão e de receita em receita para se contornar a inadequação social que ronda nossas vidas.
Sorte (será só sorte?) minha aceitar-me tal como sou, e não ter que lançar mão disso para me sentir "aceitável socialmente".

Sinto-me adequada e ajustada à mim mesma.

Paolla Milnyczul

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Sabe?


Sabe,
É difícil não ser mais quem você era.
É difícil blindar o peito contra possíveis mágoas.
É difícil não saber lidar direito com lembranças.
É difícil não ter pra quem ligar,
quando se precisa de algum conselho.
É difícil conviver com a tristeza dia após dia,
mas de algum modo conseguir contorná-la;
                                    [luta diária]
É difícil viver nostálgica, perdida nas areias do tempo.
É difícil não encontrar mais a si mesmo,
dificultando interações
com quem acha que a conhecia
tão bem...

Sabe,
Eu gostava de quem eu era.
Eu gostava de ver o mundo de um jeito,
mesmo que não fosse o jeito que ele
realmente é.
Eu gostava de não ter
o peito embrutecido, 
moldado em pura lava e aço.

Sabe,
Ontem, chorei todos os choros que tinha pra chorar.
Ontem, senti toda a dor que havia pra sentir.
Ontem, pedi infinitas desculpas a quem não tem como me ouvir.
Ontem, houve o extravaso das emoções perdidas.
Hoje, não mais.
Não tem mais choro.
Não tem mais dor.
Não tem mais desculpas.
Hoje só tem eu e você.
Sejamos inteiros, então.

Paolla Milnyczul





terça-feira, 18 de agosto de 2015

A Gente Precisa


Há algum tempo já não escrevo com a mesma facilidade de antes. Os temas me são muito complexos e amplos. Tudo foge muito a minha cabeça, talvez por pensar demais. As preocupações aumentaram. E as responsabilidades também. Já não consigo enxergar o mundo com a inocência de antes. Tudo é muito subtendido. Olho pra trás e tudo o que vejo é ingenuidade. 
Ando cada vez mais voltada à outros projetos, a uma luta maior nesse dia a dia irreal que rola nas redes sociais. Tudo é tão perfeito, tão lindo, e tão revoltado, tão gritante. Amigos batem boca sobre quem é direita, esquerda ou centrista. Amizades se desfazem. É o Um que joga piadinho em Outro. É o Outro que volta a piadinha pro Um. É o Dois que joga indireta pro Um e pro Outro. 
Quando que a gente vai começar a parar pra pensar antes de fazer? Pensar antes de falar? Falar sabendo argumentar, e não bloquear? A não interromper a outra pessoa? A entender pontos de vista? A não julgar por alguém ser a favor disso ou daquilo?
A gente precisa de mais bom senso. A gente precisa de mais gentileza. A gente precisa de mais desapego. A gente precisa de mais empatia. A gente precisa de menos joguinhos. A gente precisa de menos inveja. A gente precisa parar com essa de se fazer de vítima. A gente tem que parar de se desculpar por ter nascido. A gente precisa de mais visibilidade. A gente precisa de menos difamação. A gente precisa de mais carinho. A gente precisa de mais Cazuza. A gente precisa aprender a falar 'NÃO' quando tudo pesa demais. A gente precisa aprender cada vez mais. A gente precisa respeitar o ser humano. A gente precisa parar de apontar o dedo. A gente precisa falar do que importa. A gente precisa aprender a abrir a cabeça, para que a santa ignorância não faça morada.
Há poucas pessoas que realmente me conhecem. Há poucas pessoas que sabem das minhas aspirações futuras ou dos meus planos. Há poucas pessoas que sabem pelo quê e por quem eu luto todos os dias ao levantar, e mesmo que algumas não concordem com isso, nunca me julgam, e sim me respeitam por puro direito de escolha, e por entender que a gente não tem que ser quem tenta ser e sim quem a gente é. Cabem em menos dedos que há em uma mão. E é disso que a gente precisa. 

O mundo anda louco e atrapalhado. Me indigno, não nego, porém não pago por erros que não são meus. 

Paolla Milnyczul 

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Liberta



Liberta 

Saber que tudo um dia finda liberta a ti, 
Mas aprisiona o outro. 
Somos tanto, tudo, 
E quase nada. 

Paolla Milnyczul

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Você Não é Obrigado!

O que eu percebo é que as pessoas, em sua maioria, estão perdendo o tato com as outras pessoas. E uma boa parte da educação e do bom senso. Inclusive - e principalmente - online. Porque? Bom, vamos ao olhar crítico de quem vos fala.
Falar certas coisas olho no olho deixa as pessoas desconfortáveis, falar online, onde não tem olho no olho, onde não há quem retruque, onde se põe as palavras como se quer, sem pensar no que vai causar à outras pessoas, é bem mais fácil. Abro as minhas redes sociais e o que vejo? Intriguinha, indireta (ou bem direta!), gente que veste a carapuça de algo que nem é pra ela, perseguição boba a troco de nada com quem não está nem aí. Não podemos esboçar uma opinião que desagrade a alguém, que somos crucificados na timeline alheia.
As pessoas não entendem que vida online não é vida offline, e duvido que muita gente diria tanta coisa olhando nos olhos, com tato, educação, bom senso, palavras certas, moderação na voz e respeito. Então despejam suas frustrações no seu status do Facebook.
O mesmo se aplica ao nosso querido e ao mesmo tempo odiado WhatsApp. Ele invadiu nossas vidas profissionais e pessoais, como se nós tivéssemos a plena obrigação de, imediatamente, olhar e responder quela mensagem com urgência só porque somos imediatistas - somos a geração do AGORA. Fora que as pessoas mandam mensagens a hora que dá na cachola delas: de madrugada, de tarde, à noite, na hora do almoço (ou do jantar),  a hora que você está indo dormir, e você TEM QUE responder! Só que você NÃO "tem-que" NADA, e não é bem por aí. Tanto não é que, no mesmo aplicativo, em configurações, há a opção 'silenciar'. É essa que eu uso. Olho as mensagens e respondo aquelas que quero, e quando me convém. Não sou obrigada, a menos que eu realmente queira ou precise responder naquele momento. Converso com quem eu quero, e raros são aqueles que têm meu WhatsApp. (Ok, há alguns bloqueios, também.). Lembrem-se: o WhatsApp de vocês é o número do SEU celular, e você não tem a obrigação de ceder seu número pessoal caso não queira - e ninguém pode fazer isso sem a sua devida permissão! Porque é seu, e quem manda no seu número e na sua vida é você, não o chamado da mensagem.
Prefiro silenciar algumas coisas e até desligar o celular às vezes para conversar com quem está ao meu lado, abraçar, dar um beijo, deitar abraçado, ver um filme; a responder diversas mensagens engraçadinhas, fofas ou "urgentes". (É urgente?  LIGUE, não fique mandando várias mensagens, uma atrás da outra - é irritante e invasivo!). Prefiro comer com calma, escrever um texto, brincar com minhas 'coleguinhas bagunceiras' no trabalho na hora do lanche, conversar sobre diversas coisas interessantes com minha colega de sala olhando no olhos, e dar risadas, do que falar tudo pelo celular.
Aí você questiona: mas vem cá, moça, não é você que tem internet e vive online? Não é você que tem celular e responde à todas as mensagens? Sim. Mas me imponho horários, para que o celular não seja meu único e principal companheiro. Horário de almoçar não é horário de mensagem - depois do almoço, se me couber, respondo (sim, meu celular fica com o visualizado azulzinho e pode ficar até roxo fluorescente, somente quando eu quiser, eu respondo). Horário de estar com meu marido, não é horário de mensagem. Horário do meu lazer, ou da minha leitura, não é horário de mensagem. Só respondo mensagens depois das 20h se for de alguém que gosto e considero muito. 
O que esse vício no celular anda criando? Expectativas. Muitas. Expectativa que a pessoa vá responder logo. Expectativa de que ela vai responder o que você quer ouvir ler. Fora as expectativas gigantes, anda criando muitos distanciamentos: de casais, de famílias, de colegas de trabalho, de amigos - porque a moda são os grupos! Grupos de trabalho (não falo do grupo do meu trabalho, ele é OK: o pessoal responde a dúvidas, manda recados importantes, e não excede o horário de trabalho), grupos de amigos (participo de dois que não estão muito preocupados se você vai responder ou não, até porque cada um conhece as limitações e a personalidade uns dos outros - e as respeita!), grupos de família, grupos de tanta coisa que é até difícil imaginar. 
Olha só, não é legal você estar falando com a pessoa e ela mais preocupada em checar o celular pra ver se mandou a mensagem, se alguém está respondendo, ou em fazer o check-in no Facebook, e por aí vai. Quem fala e quer conversar, ou contar sobre o dia, ou compartilhar emoções, se sente constrangido, deixado de lado, "mudo" pelo barulhinho das mensagens constantes. Quem está tentando se comunicar normalmente, se sente excluído. E isso prejudica relacionamentos e, por acabar excluindo - mesmo sem querer - quem está tentando falar com a pessoa, acaba também excluindo a própria pessoa do convívio social, e assim  acaba dependente do celular (e somente dele) para qualquer tipo de conversa. Isso é saudável? Não. Isso é bom? Não. 
Escute quando alguém fala que você está demais no telefone. Escute quando alguém fala que você está tempo demais no computador (já escutei diversas vezes e por isso me policio - sou viciada em tecnologia!). Se alguém está falando contigo, preste atenção. Olhe nos olhos. Converse com a pessoa. Deixe o celular de lado. Coloque no silencioso por um tempo e perceba a diferença - você fica mais liberto, pode crer. Esqueça suas redes sociais. Quem está contigo, ao seu lado, é mais importante do que quem está do outro lado - afinal, a pessoa tem um motivo (ou vários) para estar ao teu lado. 
Parece que hoje em dia temos que ensinar as pessoas a conversar. E isso não é normal! Por motivos muito simples: o celular não é você, o celular não tem pele, o celular não tem hormônios, o celular não sou eu.  E você não é obrigado!

Liberte-se!


Paolla Milnyczul 




*Imagens retiradas do Google


quarta-feira, 22 de julho de 2015

Não Ter, Não Ser, Não Sentir...



Eu quero não ter que ouvir palavras de baixo calão quando passo na rua.
Eu quero não ser perseguida por olhares insistentes e insinuantes de homens que não me conhecem.
Eu quero não ser olhada de cima a baixo, mesmo que discretamente.
Eu quero não sentir raiva, receio ou temor quando saio na rua.
Eu quero não ser perguntada porque ando de cara fechada na rua - e ter que explicar.
Eu quero não ter medo quando estou sozinha numa rua qualquer e os pelos da minha nuca se eriçam.
Eu quero não ter que andar-correndo quando há um homem andando atrás de mim.
Eu quero não ter que pesquisar onde se compra spray de pimenta.
Eu quero ter o meu "NÃO" entendido.
Eu quero não ter que ser respeitada pelo tamanho da minha saia.
Eu quero poder ir aonde eu quiser, sem receio ou pudor.
Eu quero ser a dona do meu próprio corpo, e fazer dele o que eu bem entender, sem ser julgada por isso.
Eu quero, Cris quer, Juliana também, Luciana idem. As mulheres querem.
Não sou só eu. Somos todas nós.
E queremos o que é nosso por direito: respeito.

Paolla Milnyczul

terça-feira, 14 de julho de 2015

Overdose



Cheguei à uma conclusão: eu não sei falar de amor. Sou um pouco seca, às vezes direta mais do que o necessário, com direito à toques de melancolia. Tenho aquela frieza fresca e meio morna de quem observa demais. 
E gosto de ser assim, sabe? Porque essa sou eu, e eu me aceito e me amo. 
Apesar de, sou sensível a vou da calma ao furacão em segundos. E, apesar de não parecer, sou reservada. Falo muito de mim, esboço minhas opiniões, exponho meus pensamentos à quem quiser ouvir, ou ler; mas isso não expressa nem 1% de quem realmente sou.
Mostro-me despida de tudo somente a quem sabe me ter por inteira, sem entrar em overdose.

Paolla Milnyczul

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Dúvidas Apaixonantes



"Crer é muito monótono, a duvida é apaixonante." 
(Oscar Wilde)

Lendo esta frase, de um autor e escritor que admiro o trabalho, penso então que talvez eu seja normal na minha anormalidade exacerbada de não crer tanto em coisa alguma. O Universo assim me fez - e assim me mantém: teimosa, resistente, meio inflexível, indecisa porém certa em minhas convicções e quase nada influenciável. 
Creio tao somente nas regras universais do Universo. Parece pouco mas o meu pouco é muito. Creio em energia, que a gente dá o que recebe; que a gente recebe aquilo que emitiu.
É, talvez eu seja normal, mesmo não sendo tão óbvia assim.

Sou uma mulher de dúvidas apaixonantes.

Paolla Milnyczul 

sábado, 13 de junho de 2015

Sobre o Livro...




Como eu disse, sim, teve livro. E ele chegou! 
Crônicas, prosa, poemas e poesias. 
Estou realizando uma pré-venda antes do lançamento, que será provavelmente no começo de Julho!
Interessados, favor tratar inbox no Facebook, ou mandar e-mail para paollagsmil@gmail.com, que eu passo as coordenadas!!
Também está à venda pelo site da Editora Deuses

Beijo meu, 

Paolla Milnyczul

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Perdição



O olhar dela é como um chicote. Fere profundamente. Afasta quem ela não quer que se aproxime. Ao mesmo tempo, tem um profundo tom de melancolia e mágoa. Como o cair da tarde de Outono. Quando alguém tenta se aproximar, o olhar açoita com força e sem dó. Faz um corte profundo e tenso na alma. Ela é o tudo e o nada. Sofre calada, enclausurada. Sozinha. Afasta os outros para que não sintam como ela se sente: solitária, triste, fina, esticada. Ela sente muito tudo. Essa é a sua perdição.

Ela não sabe, mas trava uma batalha dentro de si.

Paolla Milnyczul

domingo, 3 de maio de 2015

Equilíbrio



Uma tranquilidade tão grande. Música clássica aos ouvidos. O silêncio que conforta. Bons amigos sempre ao lado. Domingo nublado, com cheiro de alecrim e sálvia. Dia que conforta. Paz que se faz presente. São pedacinhos do coração de um Anjo perto de mim.
Medito sem saber, só ao fechar os olhos.

Paolla Milnyczul

sábado, 25 de abril de 2015

Sim, Vai Ter Livro!

De uma hora para outra, tanta coisa pode mudar. Eu mudei. Você mudou. Mas a maior mudança para mim foi a realização de um sonho que tenho desde a adolescência: escrevi um livro. Isso mesmo, meu livro, "Inexata Certeza". Ele tem crônicas novas e algumas antigas,  prosa, poema e poesia, sendo que alguns textos poesias são inéditos.  
Assinei o contrato com Editora Deuses em Novembro de 2014 e desde então estou, junto com a Editora, na produção do livro, que até ontem estava nos últimos pequenos detalhes, e provavelmente será lançado ainda no primeiro semestre deste ano. Assim que houver uma data definida para lançamento do livro, avisarei. 

O prólogo é escrito pelo Hugo Dalmon (Espaço Zero), a orelha pelo Paulo Henrique Almeida (P. H. Almeida) e a contra-capa pela Joyce Xavier.

Um beijo,

Paolla Milnyczul 


sábado, 11 de abril de 2015

Andamos

Não há certezas nesta vida, e o mundo não é entendível - uma verdade que enlouquece quem a acha. Assim como as pessoas não são entendíveis, pois fazem parte da natureza. Quem disse que entendemos alguma coisa nesse mundo louco? Estamos todos indo para o mesmo lugar, sem saber. E nadamos contra a maré, porque precisamos, para dar sentido, apalpar algo novo, nos destacarmos, termos nossos nomes e corpos em lugares aonde os outros não estiveram. Seguimos, no final, com todas as nossas verdades impostas, como formigas vão ao formigueiro achando que estão contra o fluxo, para chegarmos à conclusão de que nada se entende. O não-ser-entendível é maravilhoso e alucinante. Assim como as pessoas. As pessoas são seres diferentes, e eu somente as observo e tento entender seus motivos, o que as impulsiona, o que elas acham-pensam-veem.
Observo aquela mulher que caminha devagar, com a bolsa meio jogada, um cigarro na mão, a cabeça nas nuvens (será?); o homem que quase corre, atropelando a mulher, ao mesmo tempo olhando o relógio e falando ao celular; aquela criança de mãos dadas à senhora que está com o cachorrinho na coleira, andando devagar e sem pressa, apreciando a paisagem meio urbana; o adolescente empenhado em sua leitura, sentado em um banco qualquer; o casal que briga em silêncio, de caras fechadas, mas de mãos dadas - carinho dado em meio ao silêncio dos enamorados - ; os garotos que andam em grupo - tão jovens! - com skates debaixo dos braços; as meninas de cabelos coloridos e piercings, mascando chicletes e falando alto; o universitário de estilo grunge, de óculos de grossos aros carregado de certezas, livros, e sempre com pressa. Somos todos diferente - somos todos tão iguais!
Andamos nas ruas, com nossas roupas de grife, nos achando melhor do que os outros por causa da bolsa Louis Vuitton, que está exposta numa das vitrines da Oscar Freire, sem saber que não somos melhores do que nada nem ninguém, sem saber que cada ser é um mundo à parte, que cada mente tem sua (in)certeza.
Andamos nas ruas, sem nada que nos dê a importância devida, com a mente palpável andando pelo universo, sem bolsas de marca nem botas de couro, arrastando o All Star por lugares jamais entendíveis dentro da nossa mente, sem certeza de coisa alguma, sem saber, sendo mais importante do que pensa, pois é a mente de pessoas não-entendíveis é o  que move e muda o mundo. 
Andamos nas ruas, sem pensar em nada a não ser um pedaço de pão, indo para nossas casas de papelão, sem nada que nos conforte ou abrigue, julgados pela sociedade inumana e imunda, sem nada que nos dê o mínimo de paz.

Quanto a mim, cruzo com as pessoas na rua e vejo o quanto são vazias, com as suas certezas eternas sobre tudo.

Paolla Milnyczul

sábado, 4 de abril de 2015

O Lápis e a Borracha




Um não sobrevive sem o outro. Foram feitos um para o outro. Lápis e borracha. O lápis foi feito para ser consertado, para ser apagado - mesmo deixando uma ou outra mancha aqui e ali. A borracha foi feita para deixar a palavra mais bonita, um trecho esquecido, para consertar coisas.
Há pessoas, situações, coisas, ou momentos, que são como o lápis: foram feitas para ser consertadas, e se não for possível, serem apagadas: da memória, da lembrança, da vida. 
A mesma coisa vale para a borracha: há pessoas, momentos, e coisas que apagam o mal que fez a pessoa-coisa-momento-lápis e seus borrões indescritíveis que nada são, nem ninguém entende.
Não desmereço o lápis, não mesmo! Ele serve como aprendizado puro - aprender é bom, mesmo que doa às vezes. Deve ser por isso que crianças começam a escrever com o lápis - ele serve para ser apagado pela borracha, e reconstruído com mais força.
Assim é na vida, sempre tendo que ser reconstruída com mais força.

Paolla Milnyczul

quarta-feira, 1 de abril de 2015

A Vida é Vermelho-sangue

Há de se ter estômago para verdades que nos rondam quando estamos deitados no escuro. Estamos perdidos — sim, perdidos!, e ninguém vêm nos buscar, nos salvar. Cada um que se salve! Cada um que busque a si próprio, nadando em braçadas largas para alcançar a corda da salvação. O mundo não deixa ninguém ileso: todos temos cicatrizes. Umas na alma, outras no coração, algumas no corpo. 
Eu sei, eu falo forte. Falo verdades. Falo o que não querem ver. Falo o que poucos entendem, mas muitos passam. Falo sobre o que ninguém quer lidar. Nem pensar. Nunca achamos que nada vai acontecer conosco. Ou com alguém perto de nós. Somos todos indestrutíveis. Sinto muito, mas não, não somos. Tampouco somos derrotados. Estamos todos no meio. Estamos todos nadando contra a corrente. Estamos todos nadando contra a morte, doenças, fatalidades, coisas que nos ameaçam, que nos fazem sentir tristeza, raiva, decepção, que nos fazem descobrir quão frágeis somos, quão efêmera é a vida — tudo isso em busca da felicidade enfeitada com confetes de cores doces e variadas, de contos de fadas, que não existe.
Mas a vida não é cor de rosa. A vida não é azul bebê. A vida é vermelho-sangue. A vida é forte. E ela te derruba num segundo. Basta você falhar um degrau da escada para rolar escada abaixo. Ou falar uma palavra no tom errado, para ter a língua cortada em inúmeros nano-pedacinhos. A vida te bate de verdade, com o pulso fechado e a mão aberta. Ela não deixa pra depois. Ela não tem rodeios, só desafios. Ela não te dá caminhos, você tem que os construir a facão como alguém perdido numa floresta, à mão, e fica com calos — feios, grandes, inchados e doloridos.
Tudo isso em prol de uma falsa felicidade. Tudo isso por não ver que o importante é o AGORA — a felicidade é o agora, é o instante de um piscar de olhos, é a sua xícara de café expresso.
A efemeridade da vida nos faz ver o que não queremos com um olhar bonito e questionador.
A efemeridade nos move. É o grande segredo da felicidade. 


Paolla Milnyczul


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quinta-feira, 26 de março de 2015

Ângulos




Eu tenho muito amor no meu coração. Mas nem por isso sou besta, boba, menina tonta que não vê as coisas que acontecem ao meu redor. Não, nada disso. Sou forte. E nem um pouco besta. Meiga só com quem merece. 
Mas sou super tranquila e gosto de paz, sabe? Da paz de ter um coração tranquilo. Da paz de ter uma vida sem pesos desnecessários. Da paz de ter na minha vida só quem eu gosto e prezo. Gente que me acrescenta coisas boas e me ajuda a ver a vida de ângulos bonitos.

Paolla Milnyczul

sábado, 14 de março de 2015

Cortinas da Vida

Tenho andado distraída. Ou ao menos parecido estar para algumas pessoas. Falado cada vez menos. prestado cada vez mais atenção a cada gesto. Andado com a audição bem aguçada e o olhar cada vez mais instigador. Tenho afastado alguns instintos predatórios para não queimar perante a fogueira dos conservadores. Para não me deixar levar somente por instintos, e sim pela razão. Razão esta que me deixa numa posição agora da qual não posso mais sair. E está tudo muito bem, sabe? Apesar da distração. De devanear lentamente ao ler qualquer frase de um livro qualquer, seja de fantasia ou filosofia - ando apaixonada por Kant! 
A questão central de todo esse discurso que não leva à lugar algum é que algumas pessoas falam demais. Não se distraem. Levam tudo a ferro e fogo. Tiram outras pessoas para mártir. Apontam demais sem sequer saber o que se passa. Não têm suporte emocional, e, para ter, tentam derrubar o suporte alheio, e acabam se abalando mais ainda quando veem que o alheio não é tão alheio assim, e que o equilíbrio não é tão desequilibrado assim. E, com isso, são descobertas as hipocrisias, o falatório demasiado, a falta de argumentação perante qualquer pergunta que saia do trivial, a satisfação de denegrir a imagem de qualquer pessoa que não agrade. Pois não me importa mais. Não me importa idade, não me importa condição, não me importa a queda da imunidade, não me importa mais nada que não seja a condição de respeito, que deveria ser inerente a qualquer ser humano diante de qualquer outro ser humano. 
E é aí que vejo - ah, sim, e como vejo! - que o meu silêncio é um amigo e tanto, que não aumentar o tom de voz está a meu favor, mas que às vezes é necessário falar mais com as pessoas certas e aumentar um pouco o tom para me impôr mais faz toda a diferença. 
A distração faz parte da peça. O olhar alheio, o pensar demais, o falar de menos, não. Essa realmente sou eu - quieta, na minha, observadora, às vezes até reclusa, mas atenta à qualquer manifestação. Pois, na verdade, todos estamos numa peça, e não adianta dizer que não estamos, pois todos nos protegemos: protegemos nossos umbigos, corações e mentes de qualquer um ou de qualquer situação que nos ponha em perigo, que nos denigra a imagem límpida e cristalina que demoramos tanto a construir, com sangue, vísceras, nervos inflamados que não tem cura, suores constantes e quedas de pressão, lágrimas e esforços repetitivos, faltas de ar e taquicardias. 
É simples: ninguém se mostra cem por cento; na vida, estamos todos encenando, e presos às cortinas. Todo mundo é mistério - uns mais, uns menos. E alguns são mais - me mostro bem pouco, e somente à quem merece - prefiro o mistério que não conseguem desvendar, um olhar que não conseguem definir. Poucos me conhecem realmente. Poucos me conhecem por inteiro, poucos são os meus amigos e amores, nos quais confio demasiadamente, a poucos me mostro como realmente sou, sem mistérios - ao final de tudo, sou engraçadíssima e palhaça, acreditem! - e quem são estas pessoas, ah!, elas sabem: são naquelas em que confio, não aquelas que eu conto minha vida, meus desafios, meus desatinos, minhas oscilações de humor; são aquelas a quem protejo, aqueles a quem eu me abro sem proteção alguma. Tudo depende de quem você é. A vida é encenação. [Ou não.].
Tudo isso porquê preciso me proteger do mal alheio. Da hipocrisia demasiada. De pessoas que não me fazem bem. (Nem aos outros.). De energia pesadas que emanam de alguns olhares e vozes estridentes. Mas dessa vez me protegi demais. Desta vez, vejo mais o meu próprio umbigo do que o dos outros. Desta vez, estou sendo egoísta. Desta vez, meu individualismo fala mais alto. Desta vez, não sinto muito.
Desta vez, o desfecho é o seguinte: me desculpe, mas não me desculpo por estar certa. 

E assim se abrem e se fecham as cortinas desta peça. 


Paolla Milnyczul

sábado, 21 de fevereiro de 2015

A Única Saída

Às vezes sinto como se estivesse enlouquecendo. Vejo o mundo ao contrário, valores virados do avesso, convicções erradas, e ninguém reclama, e ninguém diz nada. Minto. Alguns dizem, falam, reclamam, protestam, e também se sentem como se estivessem enlouquecendo, e estes são vistos como estranhos, desajustados, indesejáveis, quase uma pária, pelo simples fato de falar a verdade que veem sem os véus cinzentos de tule que estão em frente aos olhos, por não medir palavras, por ver o mundo tal qual ele é (ou está): um mundo despido de todos os sorrisos falsos e falsos tapinhas nas costas e cheio de indiretas medíocres que poluem rostos e corações; preconceitos velados ou abertos, amarguras acumuladas e estômagos revirados.
É fácil pirar com esse mundo. É fácil tentar encontrar um lugar no qual você nunca acha que se encaixa, e não encontrar. É fácil se sentir inadequado neste mundo errado. É fácil sentir que nada encaixa como se encaixava antes. É fácil ver o que está errado. É fácil para poucos. 
É difícil fazer com que vejam isso. É difícil tirar vendas de olhos fechados, que não querem se abrir, nem se render à verdade. É difícil fazer com que vejam a verdade. É difícil fazer com que as pessoas vejam que estão erradas, que peçam desculpas por atos errôneos, que mudem seu pensamento. É ilusão, quase uma utopia, achar que a maioria das pessoas realmente vejam o mundo tal qual ele é, e vejam seus erros tal como são: erros, pois somos seres humanos, e serem humanos são falhos. 
O mundo virou do avesso. O que era certo é errado, o que é errado é cultuado. 
Enlouquecer é a única saída. 

Paolla Milnyczul 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

O Jogo

Não importa o que aconteça, você é julgado. Em qualquer lugar, por qualquer coisa, por qualquer roupa ou corte de cabelo. Por sorrir ou não. Por falar demais ou ser silencioso. 
Vão te julgar por tudo. Por suas unhas, pela cor do teu esmalte ou pela cor do teu cabelo. Por você escrever ou não. 
É julgado por qualquer um que passe por ti. Que esteja lá. Que goste de você ou não. É julgado por quem não tem o direito de julgar ninguém. Ah, esse jogo de julgar, em que todos se perdem e ninguém se encontra, é um erro comum a todo ser humano. 

Julgar é um jogo em que todos saem perdendo.

Paolla Milnyczul

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Talvez. E só.

Várias vezes estive aos pedaços e tendo que segurar vários corações com uma só mão - inclusive o meu. Várias vezes vivi momentos difíceis, que nunca irão voltar. Várias vezes, inúmeras vezes, incontáveis vezes, tive que me fazer de forte para não deixar um outro alguém fragilizado. Suportei dores e perdas. Mas o tempo passou, e eu estou aqui. Meio aos pedaços, meio inteira, meio frágil, meio forte, meio assim, meio assado, meio aqui, meio acolá, mas viva. A lição que tirei disso tudo, é que o mundo é belo, e a vida é efêmera e frágil, e pode acabar num piscar de olhos. 
Mas, apesar de tudo, continuo sendo eu mesma. Meio alquebrada pelos chicotes do tempo, talvez, e, apesar de tudo, de todas as perdas e momentos difíceis, não me importo em romper laços que nunca existiram, nem deixar passar amizades em que nunca houve realmente a reciprocidade. Não me importo em romper com tudo o que não me faz bem. Crescimento interior também custa saber romper. E aprender com isso. Saber deixar pra trás, saber deixar estar, saber seguir só, sem precisar de muitas pessoas nem de muitas coisas pra continuar. A gente aprende aos trancos, barrancos e buracos. A vida ensina, na marra da sua imensa finitude, a suportar perder.
Não sou apegada a muitas pessoas nem a muitas coisas. Talvez seja um resquício das cicatrizes.
Talvez nisso eu tenho mudado.
Ou talvez eu só tenha descoberto que posso chegar muito longe sem tanto por perto.
Talvez seja só o medo de perder de uma menina (ou mulher?) que escreve na noite quente de uma cidade do interior da Bahia, enquanto ouve rock e toma capuccino. 
Ou talvez não haja medo nenhum, só o desapego da superficialidade.
Talvez sim.
Talvez não. 
Talvez. E só.


Paolla Milnyczul



quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Um Dia Qualquer



O café, quente, fumega entre os dedos no copo descartável. O cheiro vêm às narinas, enquanto a tarde avança lentamente. Pessoas vão e vêm, passam arrastando pés cansados na rua, onde o calor efervescente desenha sombras esticadas. Um ou outro conversam bobagens. Nada de importante parece acontecer. Parece ser só um dia qualquer, na vida qualquer de qualquer pessoa. 
Mas não é um dia qualquer.
Este foi o dia em que se descobre o dilaceramento feliz de ser quem se é. Sem [pu]dores, poréns, porquês, dois pontos nem vírgula. A gente anda sem muita coisa, mas incrivelmente feliz. 
E segredo consiste em saber equilibrar-se em si mesmo, um segredo que cada um carrega consigo, e ninguém mais.

Paolla Milnyczul  

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A(h), Ti


A(h), Ti

Ah, de ti, que me fizeste rir,
Menina de bonito ser,
Sorriso lavado,
De puro espírito,
E alma infantil.

Em tardes quentes,
Gargalhadas imberbes;
em meio à Bukowski e Wilde;
Leminsky, Martin
e Tolstói.

De ti, quero o sorriso
De ti, quero ouvir-te a voz
De ti, quero o poder de acreditar
Que o perdão existe,
Que o bem vence.

Ah, de ti, moça branca, 
De pele bonita e cabelos de ébano,
Quero somente a amizade
Pura em sua simplicidade
Bonita somente por existir.

(Eterna para almas ingênuas.).

Paolla Milnyczul 



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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Conexão

Eu gosto do silêncio. Do calor da sensibilidade silenciosa do mundo, não do frio vazio de palavras ditas altas demais ao léu. Coloco fones de ouvido enquanto falam sem dizer nada.
Olho para o lado, para o nada. Sonho acordada. As pessoa falam. Não percebem que quero a solidez momentânea da solidão. Balanço a cabeça mesmo sem ouvir nada para os lados, para baixo, para cima, enquanto elas não percebem que não estou mais lá, que já estou em outro lugar, em outro tempo   em meu próprio tempo, na minha própria cabeça, entregue às sutilezas estonteantes da alma em prosa contínua. Encontro paz em minha alma, lugar inalcançável para tantos, mas palpável somente por mim e pela arte.
É tanto papo, e são tantas palavras jogadas ao tempo, ao vento, ao nada.
Então, finalmente, silêncio. Finalmente, não falam. Estão entregues ao próprio pensamento. À sua própria solidão. Alguns à sua própria alma. Outros, ao seu próprio barulho interno. Raros, ao seu próprio silêncio.
Então  e só então  forma-se a conexão.
O silêncio mútuo conecta as pessoas, de uma forma que nenhuma palavra fará.

Paolla Milnyczul

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Século XXI


E aí ficamos assim, perdidos em caminhos retos e certos, e nos [re]encontrando em curvas. 
E não há nada melhor que isso. Não há nada melhor do que se encontrar, leve e dilacerante, efêmero e louco, visceralmente exposto e preso em si mesmo; picante e sem entremeios, louco pra ter tudo, louco pra ver tudo, pra saber tudo; por ser tudo. 
Se encontrar perdido entre os ponteiros do tempo, que se esvaem em entrelinhas,
Se encontrar soldado entre as areias excruciantes do ser.
E, nestes tempos  cruéis, inexatos, incertos, enlouquecidos , como é difícil encontrar a nós mesmos. Sempre nos encontramos perdidos e jogados à sarjeta inumana da escuridão dos bytes. Esfolados, sem pele, músculos e dentes. 
O que nos sobra? A racionalização da emoção. Nos sobra  e tão somente!  , a coragem pra continuar. Colocamos sorrisos automáticos em rostos de concreto. Procuramos pontos de equilíbrio rodando como perus bêbados em véspera de Natal. Ah, o tão procurado equilíbrio, ele só se estabelece quando não percebemos.
Equilibrados, e só então, vemos:
O mundo nos corrói. Somos todos autômatos. 

Essa é a grande tristeza do século XXI.

Paolla Milnyczul


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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Ah, Moça Marylin!

Os anos vêm correndo a trote inenarrável, um após o outro, e a gente nunca se prepara para o que pode acontecer, para o real, para coisas que não temos controle: tempo, gravidade, morte, vida. A maioria não sabe disso. A maioria segue o fluxo. Os artistas - os verdadeiros artistas - não seguem o fluxo, eles seguem suas almas, ele veem o impensável, eles sabem do que está por vir, eles preparam suas almas para o improvável. Os artistas sentem e não podem fazer nada. Nunca temos controle de nada. A vida nos envolve de uma maneira que não nos deixa pensar na lei da gravidade, na ciclo dela mesma. 
Alguns percebem. Alguns sabem. Alguns têm o lirismo na alma e a realidade na vida. Alguns sugam tudo o que a vida oferece. Alguns têm um coração grande demais pra caber no peito - ele se estende além.
Alguns sorvem tudo de uma maneira que poucos fazem. Alguns. Os grandes. Os formadores de opinião. Os que tocam em temas polêmicos e fazem da discussão sobre estes temas uma arte. Os que não concordam com tudo. Os que discordam da maioria. Os que falam o que a alma sente. Os que são racionais sem ser. Os que cativam e são cativados com paciência e observação. Os que não dão espaço a qualquer um. Os que falam a verdade na cara - doa a quem doer. Os que colocam os pingos nos devidos 'is'. Os que lideram. Os que não têm pena, pois veem a vida cruel como ela é. Os que falam o que pensam de um maneira que todos - e ao mesmo tempo tão poucos! - entendem.
Os que se parecem com você - pois você não é nada boba, apesar de parecer ser maluquinha.
Alguns têm pausas e respeitam teu silêncios, e mais do que respeitam, eles o entendem e afagam nossa cabeça e coração. Alguns agitam nossa vida como um caldeirão do qual sai magia e bem querer. Alguns acreditam nas mesmas coisas que você. Alguns têm cristais. Alguns são discretos - ah, estes são os maiores, pois escrevem tudo o que você nunca acha que escreveriam e justamente por isso surpreendem e são vistos com outros olhos, e isso é maravilhoso! Alguns não só sonham, como também  realizam. E te dão a coragem necessária pra realizar os seus sonhos. Alguns você confia. Alguns te falam para ter coragem, alegria, porém também a frieza necessária para sobreviver. Alguns leem a sua mente - sabem quando esta chateada, feliz, alegre, lírica, pensativa ou quieta. 
Alguns escrevem sobre Srta. Gladys e me fazem chorar, coisa difícil que é.
Alguns não. Só um descreveu a mim e à Srta. Gladys com perfeição e precisão milimétrica sem saber. Um? Não: uma. Uma artista. Uma amiga. Uma irmã. De alma, coração, crenças e cristais. Uma. Uma moça que tem pausas. Que conquista a todos com seu jeito quieto e observador, com sua discrição enigmática. Uma moça que escreve sobre o mundo com lirismo e poesia, polemizando sobre qualquer assunto do qual não se fala sem dó nem piedade. Uma moça loira que irá se surpreender pelo que foi escrito. Uma artista enigmática que só entende que lê as entrelinhas. Quem a entende. Uma artista completa. Menina de alma antiga. Exemplo a ser seguido.
Mulher com ares de menina, sem dois pontos nem aspas. Ela é Marylin Monroe e nem sabe. 
Minha querida Adorável Pecadora, mulher do frio e do loiro perfeito, dos meios e entremeios do pensamento, menina que sonha com fadas e luas cheias, mulher de pausas quilométricas e fala bonita: não precisa sonhar com fadas, pois você é a fada, o real e o irreal.  É tudo aquilo que quer ser. 
E só tenho algo a dizer: muito obrigada por TUDO!

Paolla Milnyczul