segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Hostil, Mundo

Não sou uma pessoal muito emocional. Sinto muito, mas dentro de mim, com as minhas coisas, com o meu mundo. Sou meio dura na emoção às vezes. Não me emociono com sorriso de criança, me estresso por qualquer coisa, tenho saudade de um tempo em que todo sonho era realizável, ando me cansando fácil de qualquer coisa, tenho um vazio no peito - e na vida - que nada preenche. Não é bem frieza. Só que cansei de me decepcionar, e já não me surpreendo com qualquer coisa. A gente vai assoprando as velinhas cada vez mais numerosas num bolo cada vez menor, pois tornamo-nos mais seletivo com as pessoas que nos cercam - ficamos cuidadosos, afoitos, desconfiados com todos e, por vezes, com medo das pessoas e das suas atitudes. A cada ano que se passa, as decepções se tornam mais fáceis de suportar, pois a pele fica dura de tanto apanhar, e as coisas já não nos pegam de surpresa. Perdemos a ingenuidade. É duro lembrar disso. A ingenuidade era minha única saída deste mundo hostil.

Paolla Milnyczul 

Um comentário:

  1. Como se atreve a ler-me desta maneira?????? Como se atreve a quebrar a minha convicção de que ninguém no mundo entendo o que sinto? ai ai... Gostei muito

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