domingo, 19 de agosto de 2012

Nossa Geração Perdida.


Indignada. É assim que estou, e hoje o que eu vou falar para vocês vai ser forte e não vai ser bonitinho. Tirem as crianças da sala a abram sua mente. Hoje vou falar umas verdades sobre nossa nova geração. Que geração? A nossa nova [pobre] geração perdida. Perdidos, sim, os nossos jovens – nosso futuro, olhem só, o futuro pelo qual todos lutamos! – estão jogados e rastejam em sarjetas imundas cobertas de hipocrisia e demagogia de um mundo cada vez pior, um mundo que todos estão cobertos de vergonha, em que não há mais indignação por conta de ninguém, em que não há manifestações nem união entre as pessoas. Onde afinal estão as “Diretas já!” do século XXI?! Ou os músicos rebeldes – rebeldes ou indignados? – pós-ditadura, que querendo ou não acabaram ditando o lema de uma nação e de um povo, os jovens subversivos independentes e loucos por descobertas, que grunhia rudezas contra o sistema da nossa sociedade, que cantavam Que País é Este? e Brasil? Onde estão os poetas da nova geração, os poetas que tiravam do caos do mundo poesia, prosa, música e rebelião?!... Perdidos. 
Ah, aí que entra uma questão séria que precisamos entender. Os nossos jovens, os próximos poetas (?) da nossa sociedade cruel e vil, se esgueiram por becos e ruas escuras de cidades grandes e pequenas, com pequenos cachimbos feitos de latinhas e duas “pedras” no bolso furado de uma calça já sem cor e suja, se drogam, se matam, se amam, e desesperados, gritam por um socorro silencioso, mas ninguém quer ouvir, ninguém quer ver, não é verdade? Mas todos veem e todos ouvem, entretanto ninguém faz nada, estamos estáticos e confusos tanto quanto eles, mas nós preferimos continuar num mar de ignorância ao invés de nos ajudarmos um ao outro.
Eles estão desesperadamente gritando socorro e pedindo limites, ajuda e ‘nãos’! Eles se rebelaram a sua maneira nua a crua de mostrar onde estão, como estão se portando, numa rebeldia suja e imunda, nossos jovens ditam a nossa sociedade hoje, moldam como está o nosso país, na lama fragmentada, curtidos em meios-fios sujos, cobertos por jornais em noites frias com cachorros lambendo suas bocas, mendigando, roubando, matando, vendendo o corpo e a alma em troca de fugir da realidade!  
A sociedade como um todo corre deles, surdos, cegos, mudos, não entendemos que o que eles querem é saber quem são e o que está acontecendo, mas não há como descobrir, seu grito não é ouvido, não é visto. Esses seriam os jovens que moldariam nosso futuro (que futuro?!). Um futuro imundo, cruel, escuro, marginalizado e claudicante, um futuro tão sem futuro como os jovens da nossa nação, que veem a falta dos princípios básicos de educação, segurança, saúde, e a corrupção em ternos que valem mais do que um salário mínimo que rondam as nossas portas todos os dias de uma geração perdida, uma geração que se perderá cada vez mais na lama centrifugada de tudo isso.
E se tudo isso que eles estão vivendo será o futuro, então isso é problema de todo mundo, e não de um só. Precisamos desesperadamente de união. Precisamos ensandecidamente por um pouco mais de compaixão! De saber ouvir. Esta geração mal sabe ler ou escrever. Conhecem guerras, corrupção, roubalheiras, drogas, violência. Não sabem o que é certo e errado – não lhes foi ensinado por pais e mães ausentes trabalhando loucamente para tentar dar aos mesmos uma vida, e não receberam os mesmos do estado ou nação! Eles não têm expectativa de vida, e talvez, um dia, serão enterrados em covas rasas sem saber sequer quem são, coisa que procuraram a vida inteira sem direção.
É a nossa nova – nova realmente? – e pobre geração perdida. Nós, cegos, surdos e mudos para os seus problemas, as criamos. E a hora de abrir nossos olhos e ajudar quem pede socorro já passou.
Por isso peço, como que para salvar ao menos algumas poucas crianças que ainda podem servir de apoio para a nossa nação num futuro não tão distante num grito impotente, pais e mães, digam não! Imponham limites. Ensinem. Sejam presentes, e entendam que dinheiro não faz seus filhos felizes, a sua presença, sim! Não batam, não xinguem, não acabem com a pouca autoestima que ainda resta a eles, e sim eduquem e procurem entender os gritos de socorro dos seus filhos, sejam eles crianças, pré-adolescentes, adolescentes ou jovens adultos! Ouça-os quando eles quiserem falar, já é tão difícil para eles se abrir com os pais!
Não deixe que eles também façam parte desta nova geração perdida... os salvem deste futuro sombrio.


Paolla Milnyczul


“Nos perderemos entre monstros da nossa própria criação...” – Renato Russo

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6 comentários:

  1. Olá, boa tarde. Com pai e professor deixe-me agradecer-lhe por ter mandado as crianças saírem da sala, se ma permite colocar a questão desta forma. Gostei imenso. Um abraço e bom domingo.

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  2. As vezes me pergunto: o que fazer para mudar essa situação? Postar um Bog, incitar uma revolução, me indignar. Tudo isso é paliativo! A dor sempre aumenta e não há remédio! Descobri que só posso mudar a mim mesmo, ser exemplo para o próximo e quem sabe ajudá-lo a enxergar um pouquinho mais longe. Não por que seja dono da verdade, mas por que a verdade da vida também ensina. Muito temos a aprender ainda, mas o que sabemos temos obrigação moral de compartilhar. Essa é nossa responsabilidade. Indignar sim, mas na indignação dos profetas que não concordavam com o status quo, com a sistematização da vida, com as injustiças e foram perseguidos e humilhados. Mas longe de nós aquela indignação irada e odiosa que nos transforma naquilo que mais odiamos. Temos que ter uma indgnação amorosa, que queira e faça o bem e não aquela que pega em armas (militantes de outrora), que vêem o outro como inimigo a ser destruído, que odeia com ódio consumado a classe dominante e não tem uma visão holística do problema.Indgnação sim, ódio não!

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  3. O problema está no ódio, querida amiga! O ser humano, que hoje em dia reivindica tantos direitos, no fundo se segmenta cada vez mais, destruindo a si mesmos... como tem sido durante toda a existência. A diferença é que agora estamos na Era da Velocidade: literalmente, o mundo pode acabar amanhã.

    Desculpe o meu desabafo também, e por não ter passado pelo seu blog esse tempo inteiro. Hoje resolvi rebelar e tentar escrever um pouquinho,rs.

    Beijos

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  4. O texto reflete o meu pensamento em relação a isso. Perdemos, nós jovens, perdemos a capacidade de nos indignar, de lutar. Estamos realmente em uma geração perdida. Observamos passivamente. E o pior é que quando falamos isso que você escreve ainda aparece alguém para nos criticar e dizer que somos pessimistas. Lamentável.
    Muito bom seu blog.

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  5. Nossa, Paolla!
    Dessa vez você se superou..esse texto precisa repercutir bastante pelos meios virtuais...e atingir o maior numero de pessoas.

    Eu sempre me pergunto como será o futuro - daqui a uns anos - porque fico fazendo comparações e sempre me decepciono. Vejo tanta acomodação, tanta imbecilidade, tanta preguiça, tanta falta.

    Enquanto os outros chutam o que está no chão, vamos tentar manter nossas bandeiras erguidas..não é?

    Beijos.

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  6. O seu texto fez um retrato exato da sociedade. Lembrei de vários exemplos tristes que ocorreram por aqui, todos devido a falta de limites e a "cegueira" das pessoas.
    Infelizmente, a maioria das pessoas escolhe o caminho mais fácil: se acomodar.

    Beijos Pá!

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