domingo, 26 de agosto de 2012

O Amor Não é Perfeito


Não sei se sou só eu, mas tenho percebido como as pessoas – principalmente as mulheres – hoje em dia estão cada vez mais carentes, sempre a espera de alguém que nunca chega. E pensando e repensando cá com meus botões, creio que o problema é que romantizamos demais o amor, os relacionamentos e as pessoas. Ficou tudo muito lindo, muito limpo, muito fofo, muito delicado, muito idealizado, muito impossível. 
As pessoas estão carentes devidos aos tsunamis de amores e relacionamentos idealizados de contos de fadas. E o que acontece é que acabam esperando este tipo de amor na vida delas. As mulheres esperam seu “príncipe encantado” desesperadamente e têm milhões de exigências quando a ele que devem ser cumpridas; os homens são mais realistas, mas no fundo, ainda esperam uma “princesa” de bochechas naturalmente rosadas que vai agradar à mãe assim que a conhecer.
Só que “príncipes encantados” e “princesas” não existem, meu bem. O que existe são pessoas. E pessoas erram, pessoas têm dias bons e ruins, espinhas, não são engraçadas todos os dias, nem tem o corpo perfeito e uma pele magnífica, e podem gostar de gêneros musicais diferentes dos seus, não acordam de bom humor todos os dias, tem seus dias de angústia, tristeza e mau humor, sofrem de TPM, problemas no trabalho, e não são como nos sonhos. 
Porém ambos, quando se deparam com essa verdade, desanimam (tá, nem todos!), pois simplesmente veem que as pessoas têm defeitos, erram, magoam, e nos decepcionam às vezes. Sendo assim, se o amor também não é perfeito, portanto, não era amor? Pelo menos é o que muitos – erroneamente – acham, desistem, e partem para outro “amor” idealizado por eles e não querem encarar a realidade que relacionamentos e pessoas perfeitas não existem. O problema é que nunca acham e de desiludem do ser humano em geral. 
E de quem é a culpa dessa carência amorosa fantasiosa? Nossa, única-e-exclusivamente nossa culpa, por exagerarmos no lirismo do amor e nos esquecermos de colocar um pouco de uma realidade palpável, um pouco do amor alcançável – que é o que acontece! De nos esquecermos de falar da realidade do que é um relacionamento de verdade, e não de contos de fadas. 
Então, minha gente, homens, mulheres, adultos, jovens e adolescentes que leem muito Romeu e Julieta, olha só: “Romeus” podem gostar de ver futebol e beber cerveja domingo à tarde em vez de ficar abraçado e vendo filme água com açúcar com você, menina. E “Julietas” podem gostar de rock, andar de calça jeans e all star e ter tatuagens ao invés de ficar em casa fazendo uma comidinha gostosa para você com as bochechas empoadas, garoto. (Aliás, podem ser péssimas cozinheiras.). Mas vejam além disso, e não desistam. Motivos para estarem juntos existem, explore-os. 
As pessoas com as quais nos relacionamos e queremos ficar juntos não são como queremos que sejam. São como elas são, e muito pouco irão mudar por você, sinto muito. Pessoas nos decepcionam, erram, são desaforadas, orgulhosas, e não vão fazer todas as suas vontades – acostume-se. Presta atenção, respeitar a pessoa como ela é sem tentar mudá-la é que é amar alguém de verdade! Prestou atenção? Provou um pouco da realidade? É assim que é. Pois creia, você também tem defeitos que desagradam o parceiro. (Sabia?). 
Colocamos o amor tão mais acima de outras coisas que contam tanto quanto o dito cujo, que as pessoas ficam confusas. E nem vem dizer que não acredito no amor. Eu acredito. Mas não na máxima que diz que ele é a base de tudo na vida. Amor não é base, amor é sentimento, e, devo dizer, dos mais nobres. E deve ser vivido, e não entendido. Pois não entendemos sentimentos, nós os sentimos e aceitamos. 
Base mesmo é respeito. Sem ele, sinto muito dizer isso meu bem, não se ama. Nutra o respeito por si e pelo próximo, e seja bem vindo à realidade: o amor não é perfeito.


Paolla Milnyczul


“É o amor que nos permite ser o que somos e que nos faz compreender as pessoas como elas exatamente são.” – Paulo Henrique Almeida


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domingo, 19 de agosto de 2012

Nossa Geração Perdida.


Indignada. É assim que estou, e hoje o que eu vou falar para vocês vai ser forte e não vai ser bonitinho. Tirem as crianças da sala a abram sua mente. Hoje vou falar umas verdades sobre nossa nova geração. Que geração? A nossa nova [pobre] geração perdida. Perdidos, sim, os nossos jovens – nosso futuro, olhem só, o futuro pelo qual todos lutamos! – estão jogados e rastejam em sarjetas imundas cobertas de hipocrisia e demagogia de um mundo cada vez pior, um mundo que todos estão cobertos de vergonha, em que não há mais indignação por conta de ninguém, em que não há manifestações nem união entre as pessoas. Onde afinal estão as “Diretas já!” do século XXI?! Ou os músicos rebeldes – rebeldes ou indignados? – pós-ditadura, que querendo ou não acabaram ditando o lema de uma nação e de um povo, os jovens subversivos independentes e loucos por descobertas, que grunhia rudezas contra o sistema da nossa sociedade, que cantavam Que País é Este? e Brasil? Onde estão os poetas da nova geração, os poetas que tiravam do caos do mundo poesia, prosa, música e rebelião?!... Perdidos. 
Ah, aí que entra uma questão séria que precisamos entender. Os nossos jovens, os próximos poetas (?) da nossa sociedade cruel e vil, se esgueiram por becos e ruas escuras de cidades grandes e pequenas, com pequenos cachimbos feitos de latinhas e duas “pedras” no bolso furado de uma calça já sem cor e suja, se drogam, se matam, se amam, e desesperados, gritam por um socorro silencioso, mas ninguém quer ouvir, ninguém quer ver, não é verdade? Mas todos veem e todos ouvem, entretanto ninguém faz nada, estamos estáticos e confusos tanto quanto eles, mas nós preferimos continuar num mar de ignorância ao invés de nos ajudarmos um ao outro.
Eles estão desesperadamente gritando socorro e pedindo limites, ajuda e ‘nãos’! Eles se rebelaram a sua maneira nua a crua de mostrar onde estão, como estão se portando, numa rebeldia suja e imunda, nossos jovens ditam a nossa sociedade hoje, moldam como está o nosso país, na lama fragmentada, curtidos em meios-fios sujos, cobertos por jornais em noites frias com cachorros lambendo suas bocas, mendigando, roubando, matando, vendendo o corpo e a alma em troca de fugir da realidade!  
A sociedade como um todo corre deles, surdos, cegos, mudos, não entendemos que o que eles querem é saber quem são e o que está acontecendo, mas não há como descobrir, seu grito não é ouvido, não é visto. Esses seriam os jovens que moldariam nosso futuro (que futuro?!). Um futuro imundo, cruel, escuro, marginalizado e claudicante, um futuro tão sem futuro como os jovens da nossa nação, que veem a falta dos princípios básicos de educação, segurança, saúde, e a corrupção em ternos que valem mais do que um salário mínimo que rondam as nossas portas todos os dias de uma geração perdida, uma geração que se perderá cada vez mais na lama centrifugada de tudo isso.
E se tudo isso que eles estão vivendo será o futuro, então isso é problema de todo mundo, e não de um só. Precisamos desesperadamente de união. Precisamos ensandecidamente por um pouco mais de compaixão! De saber ouvir. Esta geração mal sabe ler ou escrever. Conhecem guerras, corrupção, roubalheiras, drogas, violência. Não sabem o que é certo e errado – não lhes foi ensinado por pais e mães ausentes trabalhando loucamente para tentar dar aos mesmos uma vida, e não receberam os mesmos do estado ou nação! Eles não têm expectativa de vida, e talvez, um dia, serão enterrados em covas rasas sem saber sequer quem são, coisa que procuraram a vida inteira sem direção.
É a nossa nova – nova realmente? – e pobre geração perdida. Nós, cegos, surdos e mudos para os seus problemas, as criamos. E a hora de abrir nossos olhos e ajudar quem pede socorro já passou.
Por isso peço, como que para salvar ao menos algumas poucas crianças que ainda podem servir de apoio para a nossa nação num futuro não tão distante num grito impotente, pais e mães, digam não! Imponham limites. Ensinem. Sejam presentes, e entendam que dinheiro não faz seus filhos felizes, a sua presença, sim! Não batam, não xinguem, não acabem com a pouca autoestima que ainda resta a eles, e sim eduquem e procurem entender os gritos de socorro dos seus filhos, sejam eles crianças, pré-adolescentes, adolescentes ou jovens adultos! Ouça-os quando eles quiserem falar, já é tão difícil para eles se abrir com os pais!
Não deixe que eles também façam parte desta nova geração perdida... os salvem deste futuro sombrio.


Paolla Milnyczul


“Nos perderemos entre monstros da nossa própria criação...” – Renato Russo

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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Reflexão do Mês - Agosto



"Eu entendo por saúde a capacidade de viver uma vida plena, adulta, ativa, respirando vida em contato com aquilo que amo – a terra e suas maravilhas – o mar, o sol. Tudo o que queremos significar, quando falamos do mundo exterior. Quero entrar nele, ser parte dele, viver nele, aprender dele, perder tudo de mim que é superficial e adquirido, para me tornar um ser humano natural e consciente. Quero, pela compreensão de mim mesma, compreender os outros. Quero ser tudo o que sou capaz de ser...".

Katherine Mansfield

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A gente entende. (Entende?)

Às vezes a gente olha nos nossos próprios olhos no espelho e entende. Entende que a gente não é nada mais, nada mesmo do que um rascunho de nós mesmos, que a nossa alma transcende inúmeras vezes em uma só vida. A gente entende, mas é tão mais fácil as coisas não saírem de prumo, é tão mais fácil a acomodação do que é (ou não é), e é tão mais difícil vermos o que é novo. Ah sim, eu olho e entendo. Entendo como jamais entenderia alguma outra coisa ou algum outro alguém.
A paz, meu bem, não é fácil nem vem de bandeja, é conquistada. Se, para termos paz precisamos, às vezes, ferir os outros ou nos ferirmos, qual seria o sentido desta? A busca pela própria, em que aprendemos a nos conhecermos de verdade. (Mas a gente já sabe disso não é?).
Ah, mas olha só, a vida não é fácil, encontrar a [nossa] paz não é fácil, e – principalmente – nos entendermos não é fácil. Pense, com toda a sua calma, que – eu sei – você tem aí dentro deste coração pulsante demais e deste ser que você é que é pura emoção: “O que eu quero mesmo?...”.
O importante é se sentir bem consigo mesmo. Sem culpa nem remorso por coisa alguma. Porque sofrer não está em pauta na vida!

Paolla Milnyczul

“Dentro em nós existe um porto, galerias frágeis de emoções doídas, uma manhã clara, inteiramente nua e as águas azuis e mornas de nosso exílio.” – Tiago Fabris Rendelli

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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Como o Sertão


Pouca gente se incomoda com o que é errado, muita gente se incomoda com o que é certo e é assim que vamos caindo em direção a um buraco sem fim e ainda queremos mudança. Mas não estou aqui para discursos, frases feitas, palavras mal ditas. A vida segue e o fluxo continua. As coisas mudam rápidas e fáceis. Falo verdades. Verdades que às vezes são doloridas demais. E coloridas demais, mas às vezes em tons de cinza. O que mais vale: uma verdade que quando dita, dói; ou uma omissão ridícula do que sinto ou acho? Prefiro a verdade, a dura, velha, obstinada verdade.
Pergunta-me e eu responderei. Sem meias palavras. Sem muito cuidado às vezes. Mas sem medo de me mostrar, de dar a cara à tapa. Digo por que a minha consciência é livre, solta e muito leve. E eu prefiro que ela continue assim a omitir o que deve ser dito se me perguntado. Eu sei que pouco falo, muito observo, sou às vezes dura e seca como o chão ressequido de água do sertão, mas uma coisa é certa, é referido e dou fé: eu sou verdadeira.
Não consigo ser doce, fofa, meiga. Desmanchar. E morrer por dentro. Quem fala a verdade sem medo quando esta é pedida e requerida em forma de perguntas feitas ama mais do que aquele que fala [se] omitindo para agradar. E eu amo. Amo sem regras, sem escapulir de tentar ser feliz indiscriminadamente, mas quando é para falar sério, então vamos falar sério. E ao falar sério eu falo duramente, mesmo que doa. E a quem doa.
Sei que algumas vezes deveria morder a língua. Mas e aí como eu ficaria comigo mesma? Colocar a cabeça no travesseiro e dormir sossegada sabendo que eu falei o que deveria ser dito de alguma maneira é uma das coisas que mais prezo na vida.
Não sou de máscaras. Duas caras. Nem de [me] omitir. Tenho medo, sou humana, sou normal na minha anormalidade neste mundo louco de pessoas hipócritas e demagogas que escondem – ou camuflam – muito bem o que deve ser dito "só para agradar". Sinto muito. Eu não sou princesa. Não sou inocente. Meiga. Nem fofa. Não sou romântica, e sim, sou excêntrica e mais de silêncios e olhares do que de palavras ditas.
Quer realmente saber o que penso, acho e sinto, o que me destrói as veias e faz de mim picadinhos de mim mesma, torcendo e retorcendo a minha mente? Existem duas opções. Me pergunte ou me leia nas entrelinhas. Sinta meu olhar ou tom de voz. Ou ouça as minhas palavras – se ditas ou escritas, esta escolha já não poderá nem será minha.
Mas de mim, terá sempre e tão somente a pura e às vezes dura verdade. Mesmo que doa. Como o sertão. Puro em sua simplicidade.


Paolla Milnyczul


"Nenhuma palavra dita fará com que você me compreenda, se verdadeiramente não souber ler o que transpareço. Portanto, nada de deduções. Sou um filme sem legenda, só quem fala minha língua consegue me entender." – Fernanda Gaona

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