quarta-feira, 25 de julho de 2012

O Direito ao Sumiço


É. Eu sei, dei uma sumidinha, e todo mundo anda me perguntando quando eu vou escrever e coisa e tal. Bem, aqui estou. A questão é que eu me dou, em certos momentos da vida, o direito ao sumiço. O direito de tentar descansar a minha cabeça da tecnologia, da internet, da televisão, e pensar em mim. Eu e minhas sandices. Eu e minhas loucuras. Eu e o meu amor que é tão grande aqui dentro que toma conta e eu só quero amar e ler.
Quando vejo que os músculos doem, durmo e acordo cansada, e a cabeça já não acompanha o ritmo da vida enlouquecida num furacão em dias se juntam com noites e madrugadas e as datas voam como um Boeing 747, é neste momento em que telefone e celular são desligados, a televisão idem, o computador fica fora da tomada, e de internet não quero nem saber. São nestes momentos de extrema angústia que eu sumo. E não quero que ninguém me encontre. (Nem eu.).
Quero sumir dentro dos livros durante o tempo que eu estiver de folga, e dormir o outro tanto de tempo que me resta, de preferência abraçada com quem me quer bem. Porque sim, os livros – e o amor! – são a minha [dupla] terapia. Viajo mil vezes em dois dias, vivo duas mil vidas tendo só uma. Amo sem fronteiras, sem ter hora nem pudor, e esqueço-me da vida, da louça para lavar, da cama que não foi feita, esqueço toda a urucubaca e amo sem fim. E tudo isso eu faço sem um pingo de culpa sempre que possível. São dias que não quero falar de nada que não me interesse, porque todo o resto entra por uma orelha e sai pela outra.
Sabe por quê? A vida da gente já é tão corrida, já temos tanta coisa a fazer, que às vezes ficamos nos devendo um pouco de paz. São aqueles momentos em que pouca coisa faz sentido. Nem o telefone tocando, o celular na orelha, o corre-corre diário, o trabalho que não acaba, a semana que não termina, e quando chega o domingo você sabe que precisa trabalhar no dia seguinte, mas ainda se sente cansado demais e só quer alguns dias de paz e sono. Um sono profundo e sem sonhos, gostoso como sono de criança e sem interrupções.  
Por essas e outras, acho que todo mundo se deve dar de “presente” estes momentos de sumiço e paz na vida. Porque faz um bem sem igual. E nos dar este “presente” de pensar um pouco mais na gente e fazer o que nos faz bem é mostrar respeito por nós mesmos e pelo nosso próprio corpo. Porque, meu bem, quando o corpo pede cama, calma e tranquilidade, é melhor atender, afinal saúde não se compra – nem se vende – por aí.
E é somente depois de afastadas todas as urucubacas que o corpo volta a funcionar direito e a cabeça acompanha o ritmo. E tudo volta a fazer sentido depois de momentos de paz interna. Dê-se este direito, e suma um pouco de vez em quando. Você não tem que ser a estrela do show o tempo todo, ser os bastidores um pouco também tem a sua graça.

Ultimamente a vida anda tão louca que todos nós precisamos – ensandecidamente! – de um pouco de nada nestes tempos em que é sempre tudo.

Paolla Milnyczul


"Vou sumir de mim
Nem noites
Nem dias
Nem madrugadas.
Não me acharei.
Nem ninguém.” 
 –  Fernanda Guiterio


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4 comentários:

  1. Nada como desplugar-se e purificar as idéias dentro dessa montanha mágica.

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  2. Seu texto mais uma vez traduzindo o que eu estou sentindo. Eu estou precisando MUITO me desligar de tudo e pensar só em mim, ter um tempo para relaxar, sabe?

    Beijoo Paolla!

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