quarta-feira, 16 de maio de 2012

Reflexão do Mês - Maio







"Cometa bobagens. O que acontece normalmente, encaixado, sem arestas, não é lembrado. Ninguém lembra do que foi normal. Lembramos do porre, do fora, do desaforo, dos enganos, das cenas patéticas em que nos declaramos em público. Cometa bobagens. Não seja sério; a seriedade é duvidosa; seja alegre; a alegria é interrogativa. Quem ri não devolve o ar que respira. Não espere as segundas intenções para chegar às primeiras. Cometa bobagens. Ninguém lembra do que foi normal. Que as suas lembranças não sejam o que ficou por dizer."

Fabrício Carpinejar





Conteúdo protegido por Direitos Autorais.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Nuances de Um Amor Desavisado

O cheiro embriagador do seu perfume está em mim. E foi como se todos estes anos sem você não tivessem sido nada, só um curto período no espaço-tempo em que eu estava morta para ter alguém que não fosse você. Você e seus lábios perfeitos, seus olhos negros como dois poços escuros e misteriosos. Você e as covinhas que faz no canto da boca quando ri com seus dentes brancos e perfeitos. Você a sua barba bem feita. Você e seu 1,90m, alto, tão mais alto que eu. Você e suas mãos grandes, tão grandes que engolem a minha, pequena e frágil. Você. 
Você com essa sua mania de me ligar pela manhã. Você com seus sumiços. Você com sua voz rouca. Você, cheio de surpresas, me enlouquece. Você, com seu cheiro matador e único. Eu te conheço há tanto tempo, você e seu amor-amigo, amor bandido, amor que se foi, amor que sempre se vai. Amor. Acordei pensando nisso tudo. Você está aqui, ao meu lado, dormindo profundamente. 
Voltou. Não vai partir, foi o que me disse. Desta vez fica. Encho minha alma de esperança e procuro acreditar em tudo que me diz. Você me abraça com seus braços quentes e pesados. Desvencilho-me do seu aperto, levanto e coloco uma camisa sua. Nada melhor que ter seu cheiro impregnado em mim, acho que não há intimidade maior ter seu cheiro em outra pessoa. 
Estou exausta, você me desequilibra, exaure, me deixa sem fôlego. É sempre assim, esse amor desavisado, louco e ensandecido, quase selvagem. E então você some e me deixa. Vou descalça até a cozinha, pego um dos copos, e bebo a água gelada ouvindo o tique-taquear do relógio cuco antigo. Olho o escuro da noite pela varanda, a lua cheia. Ouço o silêncio da madrugada, somente o cricrilar dos grilos, as folhas que farfalham lá fora pela brisa suave, uma coruja quebram este silêncio. Sinto de repente sua falta, e volto a me deitar mesmo sem conseguir dormir. Você me abraça, e, desfalecida em seus braços, te ouço falar em meu ouvido com a sua voz rouca: 
– Eu te quero. 
E eu já quase morta de amor respondo, com borboletas no estômago e a pele arrepiada pelo seu toque que já me deixa úmida por dentro, respondo: 
– Me tenha, faça comigo o que quiser, sou sua. Sou sua hoje e sempre. 
Nunca pensei que diria isso a alguém. Nem pra você, mas agora você está aqui, e pronto, falei, não consegui me conter – eu, sempre tão contida, não me contive desta vez, não com você, nunca com você. Me tenha, é o que penso e quero: me tenha. Você passa a ponta dos dedos pela minha boca, contornando-a. Dou um sorriso tímido, te abraço e grudo meu corpo no seu, tão bem feitos um para o outro que parece que foram feitos sob medida. Sinto uma lágrima escorrer pelo meu rosto. Você a enxuga. 
– Não chore, eu não vou embora desta vez. 
– Então você fica mesmo? – pergunto, com lascas de esperança na alma. 
– Fico. – você responde com firmeza. 
Você enrosca os dedos nos fios do meu cabelo já tão embaraçados de suor e os faz embaraçar ainda mais, puxa-me pela nuca e me beija, nossas bocas e línguas se encontrando, se massageando, suaves, lentamente. Suas mãos rápidas – como são rápidas! – jogam longe a camisa, deixando-me nua com destreza, nós dois pulsando de desejo, nos fundindo, assinando assim o encontro das nossas almas, selando nosso compromisso de amor. O beijo ávido continua, e, em momento durante todo o ato de amor nossas bocas se desencontraram. 
E quando acaba ficamos nus, enroscados, perna com perna, ventre com ventre, rosto com rosto, boca com boca, os olhos fechados, bebendo da sua boca o néctar que de mim sugaste. 


Paolla Milnyczul



Conteúdo protegido por Direitos Autorais

quarta-feira, 2 de maio de 2012

A Cor Que a Vida Tem!


Ah, a vida é linda demais! Viver é bom demais. A vida é boa demais. Ninguém fala, mas todo mundo vê: a vida é uma só até que se diga o contrário. E dela temos que extrair o máximo possível! Viver, tirar dela tudo que há pra tirar, de bom, de ruim, sem meios termos. 
A vida tem cores: vermelha, amarela, laranja, azul, verde, branca, preta, marrom, violeta, roxo não, porque roxo é um violeta indeciso (ou seria o contrário?). Depende da pessoa. A minha vida é multicolorida, eu não paro numa cor só, tô sempre indo, de uma a outra, transitando sem ter tempo algum pra ficar demais em uma só. Tô sempre me perguntando, me questionando, procurando, intervendo, fuçando, sendo chamada por ela – a vida – o tempo todo. Colorindo meu caderninho de vida com meus lápis de cor que eu tiro da gaveta do que vivencio. 
Dela – a vida – eu tiro as minhas vivências, experiências, as minhas multicores, os meus pensamentos, e dela saem as minhas estrofes perfeitas, o meu olhar de ladinho, cínico e sem fim, observando tudo. Tudo me interessa o tempo todo. Dela, eu tiro a minha boca escancarada no rosto, meu sorriso torto, meus amores, amigos, minhas paisagens que ficam na memória. 
O que eu quero dizer com tais coisas? A vida é minha, os pensamentos são meus, as vivências são minhas, a filosofia de vida é minha. Minhas vivências e experiências são minhas palavras, e palavra pra mim é sagrada, eu dou valor a todas às minhas – e muito, muito valor! Porque é isso, essa é a essência da vida e de como viver bem: a gente tem que se dar valor. E ver que é possível sim, acreditar em você mesmo, sair da sua vida eternamente laranja e fazer dela um arco-íris todos os dias. Pinte, colorindo as estrofes, nunca duvide de si mesmo, fazer isso é o jeito mais rápido de cair abismo abaixo sem volta. 
A vida é cheia de reentrâncias: entre em todas! Sabe-se lá que lição você pode tirar. Lições são tiradas dela – ah, ela, a vida – todos os dias, uma diferente da outra. Algumas têm cores sóbrias, outras têm cores vivas, e todas geram lembranças depois de passado um tempo. Tenho muitas lembranças. Lembranças de coisas boas, coisas ruins, lembranças peneiradas em que só a parte boa passa. Lembranças inteiras, com todos os detalhes em cores vivas e sombras. Vida é lembrança – viva, vivencie, experimente, invente, coloque cores em suas lembranças, coloque cores no que você quer lembrar amanhã! Já viu como a mesma cor sempre é entediante? 
A cor que a vida tem depende de você. E do teu momento. Depende de como você vive. Eu vivo, com todas as letras, de trás pra frente, em inglês, italiano ou espanhol: VIVO. 
E vivo feliz por que sou de bem comigo mesma, e me aceito tal como sou. E sou que nem criança: meu colorir é bagunçado, as cores se misturam, uma entra na outra e dela saem cores diferentes e complexas! Meu viver é colorido. Vivo. E ainda faço dancinha!
E você, vive o que? Quais pensamentos têm? Quais são suas vivências? Vivencie e conte. Não viva por osmose, viva por si mesmo. De verdade. Porque a vida é linda, mas não é fácil. E o caderninho de colorir é difícil de alcançar. 

Paolla Milnyczul


"Relaxa e geme, porque a vida é cor de creme." – Desconheço autor(a)




Conteúdo protegido por Direitos Autorais.