sexta-feira, 9 de março de 2012

Nós Dois e o Resto do Mundo

Um dia você apareceu. E nunca mais saiu da minha vida. Do meu coração. Nem da minha cabeça. Tá sempre por aqui, rondando meus pensamentos. E sentimentos. Já fez das-tripas-coração por minha causa. E eu pela sua. Por quê num desses mal-entendidos da vida, duas pessoas completamente opostas foram morar na mesma casa. E quando eu falo completamente opostas, é sério. Porque você é simpático. Carismático. Sabe se expressar pelas palavras faladas - e muito bem por sinal. Atencioso. Doce. Pensa antes de falar. Faz amizades num instante. Têm um lado ingênuo que acredita demais nas pessoas. Romântico. Apaixonado. E fofo. E quase todo mundo que eu conheço te adora. (Quase, porque unanimidade é para os fracos.). E brigamos muito. Por anos e com poucas tréguas. Vozes elevadas, coisas que vão parar ao chão, chinelos atirados como bumerangues em direção ao outro por cima do sofá. Relógio quebrado. Máquina fotográfica escondida. Semanas sem se falar. Dias sem olhar na cara um do outro. Normal.
Aí eu fui embora e por seis meses ficamos sem nos falar. Voltei. E a primeira pessoa que eu vi depois de acordar foi você, e a primeira coisa que eu percebi é que você tinha crescido uns 5cm e que seus braços tinham dobrado de tamanho. E que era bom e reconfortante seu abraço depois de tanto tempo, que agora era grande e forte e dava uma volta completa em mim, que sou pequena e baixinha. E que sua voz continuava doce e calmante. Os olhos ainda tinham aquele brilho de menino, com os cílios grandes e curvados. Bom isso. E depois disso, nunca mais brigas. A paz reinava entre eu e você. Você ia, eu ia. Você ficava, eu ficava. Você errava, eu errava. Você acertava, eu acertava. Éramos nós dois e o resto do mundo. Nós dois com o mundo e contra ele quando necessário. PC, show de O Rappa, Itabuna, Ilhéus, Itacaré, quartos apertados de pousadas baratas, dinheiro mais apertado ainda. Mas como era bom! Depois veio Araras, morar juntos só nós dois, e responsabilidades. 
Aí um dia você foi embora e te ver era raro. Rumos diferentes. Vidas diferentes, separadas, cada um na sua. Às vezes você aparecia. E eu ficava ainda mais feliz. Aí você sumia. E algo ficava faltando na minha vida. (sua voz?). Você tinha sonhos. Lutou. Conseguiu. E continuou lutando. E estava agora então mais longe ainda. Um dia você casou e eu achei que tinha te perdido pra sempre. Enchi a cara na festa no teu casamento, cantei músicas dos nossos bons  –  e como eram bons, a felicidade é tão simples!  –  e velhos tempos junto com nossos eternos amigos, tão amigos que são quase irmãos, e tocamos violão juntos de madrugada.
Mas não tinha te perdido. Engano meu. Te ganhei mais ainda. Te ganhei mais maduro, mais bonito, mais amado, mais homem. Orgulho. Conseguiu seus objetivos. Mais orgulho ainda. Festejamos muito pelas suas conquistas, tanto, que tenho até vídeo (que eu fiz e você nem sabia).
E desse mal-entendido da vida que fez duas pessoas tão opostas viverem juntos por tanto tempo se fez nossa amizade, meu irmão. E nosso amor. Que é eterno, verdadeiro e recíproco. E único. Desse mal-entendido, lá se vão 29 anos. Seus, só seus. Únicos-e-exclusivamente seus. Vividos com alegrias, chateações, sorrisos, lágrimas e lutas. Com alguns amores perdidos, e um grande amor achado. Algumas batalhas ganhas, outras não. E a vida continua, maninho. Com força, fé, dedicação, otimismo, humanidade, humildade e amor. E com essa bondade no olhar de menino ingênuo e na voz calma que você ainda tem. Hoje e sempre. Continuamos longe um do outro, mas hoje e sempre seremos, até o fim dos dias, nós dois e o resto do mundo.
Dr. Rodrigo, Tenente Garcia, Rodrigo, Rô. Seja como for que muitos chamem, uma coisa é certa: só eu posso te chamar de irmão, e isso é um privilégio enorme e é SÓ MEU! Te amo meu irmão!
Parabéns, e que venham mais 29 anos pela frente!
Porquê felicidade e paz você já tem demais nesse coração enorme de criança crescida.



                                                         Meu  irmão e eu.

Paolla Milnyczul



"Ter um irmão é ter, pra sempre, uma infância lembrada com segurança em outro coração."  –  Tati Bernardi










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6 comentários:

  1. Lindo amor esse de irmãos, eu tenho muito desgosto de não ter irmãos!!!!

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  2. Lindo esse carinho todo.
    Tenho um irmão, mas não temos esse sentimento compartilhado e esse reconhecimento.
    Parabéns.

    Beijos.

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  3. Que linda Pá. Minha irmã linda. Te amo muito. Bela homenagem fiquei emocionado. Te amo muito.

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    1. Maninho, também te amo muito! A saudade é enorme, mas o amor é maior ainda!
      Beijos!

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  4. Se este é o sentimento destes irmãos, mais feliz sou ainda, que como mãe os criei, amei e amarei po todo tempo em que "sentir", nesta ou noutra vida

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  5. Se este é o sentimento destes irmãos, mais feliz sou ainda, que como mãe os crie , amei e amarei por todo tempo em que "sentir", nesta ou noutra vida....

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