sábado, 29 de dezembro de 2012

E o Mundo Não Acabou.

O mundo não acabou e um novo ano vem aí, 2012 está quase indo embora e deixando por aqui muita coisa. Não sei bem o que aconteceu, esse ano que se passou foi um ano misturado e muito louco. Muitos projetos, novos contatos, novos amigos, muita turbulência, muitos problemas, algumas soluções, algumas crises, fé no amor que se tem, sorriso pregado no meio da cara mesmo em meio a trovoadas e maremotos, um espelho que tudo vê, a alma surda, a cabeça que grita. (É, eu sou muito barulhenta. Minha cabeça tem o volume no máximo, e minha boca pouco fala.).
Muita coisa aconteceu, algumas verdades foram ditas, algumas certezas mudadas, e algumas coisas foram jogadas no ventilador. Muitas verdades me foram reveladas, não somente de mim para mim mesma como de quem me ama para mim. A certeza de que sim, por mais que eu ache que não, sou um pouco egoísta. (Meio sem querer.) Que empatia às vezes passa longe, e que por não saber me expressar às vezes faço bobagens, para dizer o mínimo. Coisas que devem ser engolidas por mim e nas quais eu devo prestar mais atenção. Por isso, neste novo ano, ou melhor, neste novo ciclo que se inicia, não faço mais resoluções. Nem listinhas. Ou promessas de 'ano novo'. Não vou mais colocar expectativas em calendários (viu no que deu o maia?!), meses, dias, ou anos. Quero poder ofertar o melhor que tenho de mim todos os dias, seja verão ou inverno, janeiro ou dezembro, dia 31 ou 1º. 
Mas, mesmo assim, proponho levantar um brinde. Ao amor. Pois é com ele, o amor, que eu inicio este novo ano. Não um amor cego que tropeça, mas sim um amor que enxerga – e muito bem! – e que não se faz de besta.

Feliz 2013! 
Feliz AGORA!

Paolla Milnyczul


"Que o mundo seja mais humano. Que a esperança fale mais alto que o medo de não conseguir lutar. Que os sonhos sejam possíveis. Que a gente viva. Apesar de." – Wanderly Frota

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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O Que Sei?

Nós nunca sabemos de verdade tudo sobre nós mesmos. Nos conhecemos, convivemos conosco vinte e quatro horas por dia todos os dias, mas há uma verdade escondida que nós às vezes não enxergamos. Porque às vezes quem está de fora enxerga melhor o nosso ser. Por isso, não tenho a prepotência de achar que sei tudo de mim, e vira e mexe especulo o que mais ainda tenho de surpresas que eu não sei.  
Mas e de mim, o que sei? 
Intensa, sensível, desconfiada, cínica, sarcástica e irônica, tudo separado e em seu devido lugar e momento. E tudo junto-e-misturado quando necessário. 
Me doem todas as dores e males do mundo. 
Amo demais todos os modos de amar. 
Tenho a cabeça muito aberta e polemizo qualquer coisa sem querer nem saber. 
Tenho paixão pela noite, pela lua e pelas estrelas. 
Tatuo a liberdade a doçura na pele.Tatuo o amor e a dor no coração. 
Me arrepiam todos os prazeres (im)possíveis do mundo.
Tenho a mania de querer carregar o mundo nas costas. 
Me faço de forte todos os segundos para evitar a dor. 
Choro por dentro as lágrimas de desespero do mundo. 
Quando eu finjo que não me importo com algo, é porque eu me importo. Quando eu me importo e deixo isto explícito, é porque me importo MUITO. 
Cultivo amizades com pessoas de todas as cores, raças, opções sexuais, de várias cidades, estados, países e crenças, e, por causa disso, não julgo ninguém e viajo entre mundos diferentes de uma pessoa a outra em pouco tempo. 
Quando amo, meu amor é profundo e (e)terno. 
Adoro razão, lógica e explicações científicas... mas acredito em signos e leio o horóscopo. 
Falo mais por entrelinhas. 
Não vivo sem livros, música, arte e cultura. (O mesmo vale para internet e tecnologia.) 
Sorrio todos os sorrisos numa sonora gargalhada retumbante e ensurdecedora sem me importar com o que irão achar. 

E isso é só o começo. Meu mundo é grande demais e nele cabe muita gente. Por isso, me desculpe, Pessoa, mas ter em mim “todos os sonhos do mundo” ainda é pouco! 

Paolla Milnyczul

“De mim, que tanto sabem
Quero que saibam que não sei...” 
–  Martha Medeiros


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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Reflexão Do Mês - Dezembro



"Se o mundo acabasse hoje, agora ou daqui cinco minutos, você estaria preparado?
Metade de mim estaria, mas o meu lado esquerdo do peito diz que preciso aprender mais sobre a vida, minha fé ainda é minúscula, meus pés falham diante dos obstáculos. Preciso crescer e digo espiritualmente, minha alavanca de esperança não tem o controle total dos meus pensamentos. Peco constantemente, quando deixo de praticar o autocontrole.
O bem está no mundo, o mal também e na mesma proporção, são estes fatores que implicam nas nossas escolhas. Podemos simplesmente disfarçar o medo do inesperado ou podemos cair de cabeça e dizer que estamos aptos para viver na mediocridade.
Prefiro que o acaso surpreenda, se tiver que ser agora, amanhã ou daqui a um milhão de anos. Isso tudo não importa, que venham as falsas especulações e os maus presságios."


Ju Fuzetto

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Ode a Dezembro



Assim como Novembro e todos os outros meses anteriores a ele, Dezembro finalmente chegou. O último mês do ano sempre marca o começo do recomeço, é sempre 'mais uma chance para nós mesmos', como costumamos falar. 
Dezembro é mês de listinha de fim de ano, resoluções, frio na barriga, e um misto de medo e ansiedade pelo ano que logo chega. E, como todos os outros meses, quem faz Dezembro ser bom ou não somos nós. Eu, você, nossos amigos, colegas de trabalho e familiares. Cada um é responsável por si. 
Dezembro traz 31 dias pra gente poder fazer do grande desfecho do ano que termina ser bonito. Ou não. O que acontecer vai depender das atitudes!

Eu quero que o meu Dezembro seja cheio de sorrisos. Sorrisos feitos por mim, e não pelo calendário!

Paolla Milnyczul
 
"Desculpa mas não me contento com doses de alegria, eu quero é encher a cara de felicidade." - Lidi Vieira

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domingo, 25 de novembro de 2012

Como a Uma Poesia

O final do ano se aproxima, já estamos no fim do mês de Novembro, que também pode ser chamado de “o suspiro antes da tempestade”. Pois o meu não tem nada próximo de suspiro, e está mais perto de uma tempestade de magnificência inexplicável, e talvez até Dezembro soe melhor em minha vida do que está sendo neste mês que esta quase se completando. Por quê? Culpa minha. Pois eis algo de que eu não me orgulho e estou aqui novamente confessando: sou falha em minha comunicação verbal tanto quanto sou boa em minha comunicação escrita. E, embora eu possa até falar que ela melhorou, ainda assim não foi nem um por cento o que eu – e não somente eu – gostaria que melhorasse. Hoje eu estou escrevendo para mim mesma. Para eu ler e reler sempre que necessário, imprimir e pendurar na geladeira por um imã qualquer. 
Vocês podem até achar que não, que eu estou fazendo joguinho, só que não. Tô aqui despindo a alma e confessando um dos meus piores defeitos. Quem me lê me acha – o que? – uma “perita”’ em certos assuntos, mas olha só, não sou. Ninguém é perito em relacionamentos, ninguém é perito quando se trata de si mesmo. (Ou dos outros.). Ninguém é perito na vida. Mas se há algo de que eu posso falar com toda a convicção possível e ser perita, é nisso. A falta – ou a falha – da tal comunicação verbal, de falar o que sente, acaba ou abala qualquer tipo de relacionamento. Pois o que faz um relacionamento andar bem, unindo todas as partes que fazem com que ele tenha acontecido, se não a comunicação? Pois é. A comunicação eficiente entre duas pessoas que se amam é o concreto de uma relação menos instável, pois evita conflitos e tempestades, e acalma os tsunamis da vida a dois. 
Sei que é algo que tenho que corrigir, e estou tentando, mas tentando há tanto tempo que nem sei mais há quanto tempo faz, pois desde que me conheço por gente engulo as palavras que me doem e tento esquecer. Só que isso se acumula – sempre! E vai se acumulando em total desorganização e fazendo mal. Mas a garganta entope e embola e não deixa nada ser dito. As palavras não são ditas, o grito não é gritado, as conversas – que deveriam acontecer porque eu sinto demais – acabam não acontecendo, a tensão se acumula e então fica impossível despejar tudo que eu tenho que falar se já foi passado tanto tempo sem ter dito nada. (Entende?). 
Acontece que eu fiz uma promessa e irei cumpri-la. Não faço promessas à toa. Preciso mudar – ou ao menos melhorar – meu relacionamento com as palavras e os sentimentos, e isso é um fato. Preciso e vou. Não é que eu não seja sentimental, mas eu sou um pouco inflexível e implícita em relação aos meus sentimentos e procuro camuflá-los, isso me serve como um escudo, e eu simplesmente não sei por que faço isso. É uma daquelas coisas que a gente faz e não tem explicação alguma, simplesmente “faz parte do pacote”. Pode ser por causa de algum trauma do qual eu não me recorde, ou talvez me recorde e não ligue os fatos. Não sei. 
Lembre-se de que eu sou mais frágil do que forte, embora pareça ser o contrário muitas vezes. E que sim, me faço de forte o tempo inteiro, mas porque certas escolhas – escolhas estas que não foram só minhas – na vida me levaram a fazer isso. Pois às vezes a gente precisa ser “forte” para acreditar que realmente é. Serve como um efeito placebo que dura tempo o suficiente para se enfrentar algumas coisas. Pois, por baixo deste rosto meio impassível e deste mar de águas calmas e por vezes paradas, às vezes, por dentro, lá no fundo, a bagunça se constrói, o coração se agita e um tsunami começa a tomar forma. E às vezes simplesmente nada acontece e não há tsunami algum, só a real calmaria que se vê. Entende que, se eu escrevo, é porque eu preciso ou gritar por palavras escritas pedindo ajuda, ou refletir o arco-íris que eu carrego aqui dentro, e que tudo depende do momento. 
A grande questão é que eu sinto demais tudo aqui dentro e às vezes isso se torna impossível que eu fale tudo que sinto, então, sempre procure me ler. Me ler no que eu escrevo, e me ler no que não está escrito – num olhar, num suspiro, numa ruguinha de preocupação, na falta do brilho nos olhos, num pender de cabeça, no franzir de testa, num pé que balança mais do que deveria, em sonos agitados demais, em sonhos que me acordam a noite, num silêncio excessivo – ou na falta do mesmo. Isso eu não consigo camuflar. 
Me leia, sim. Mas não como um artigo, uma legislação ou um estatuto. Me leia como a uma poesia. Com calma. Discernimento. E tentando perceber as entrelinhas. 

Paolla Milnyczul 

(PS: Aqui vai um pedido meu: quando você ver que eu preciso expelir algo e mesmo me esforçando eu não consigo, por favor, me abrace e pergunte.). 


“Tornei-me hábil com as letras, quando queria era ser honesto ao dizer que a gente mais ensina aquilo que precisa aprender.” – Guilherme Antunes 

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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Reflexão do Mês - Novembro



"Com o tempo a gente deixa de ouvir certas músicas, de vestir certas roupas, de visitar certos lugares, de ler certos livros, de ver certos filmes, de cultivar certas amizades... O tempo depura tudo. O que sobra de todas as coisas é o que realmente importa. Afinal, só o essencial é o que a alma comporta."

Dilson Fernandes

sábado, 10 de novembro de 2012

Como em "Up!"

Já que eu "não tenho" boca pra falar, eu tenho meu coração pra escrever. Pois é com o coração que se escreve. E eu escrevo hoje pra você. Você, Alexandre, meu amor. Pra você, eu peço desculpas. Por tudo e por nada que fiz. Por todas as vezes que falei e todas as vezes que eu não falei. Por mágoas passadas ou recentes, por qualquer coisa que eu fiz que um dia possam ter te ferido ou magoado. 
É, menino, eu te amo. E nunca deixei de amar. Em nenhum minuto, nunca deixou de fazer sentido tudo aquilo que eu sinto por você. Que é tão grande e largo e estranho, porque você foi aquele que me fez SENTIR de verdade tudo que há pra sentir. Parece pouco e pequeno mas é muito. Vindo de mim, é muito. O porque você já sabe e eu não preciso repetir. 
Eu não falo porque pra mim é difícil, assim como foi difícil pra você há tanto tempo atrás, você se  lembra? Mas você mudou e hoje em dia você fala o que vai aí dentro de você. Pois te prometo, começarei a te falar, a ser mais explícita, a tentar extravasar o que vai aqui dentro em palavras faladas ao pé do ouvido e desfazer o bolo que vai na garganta e entope a vida.
Eu não sei demonstrar sentimentos, quando estou feliz ou triste, mas é que não sou explícita, e só sei explodir na emoção POR DENTRO! Eu, dona da razão, não sei lidar com sentimentos quando eles são meus. Dou conselhos e não os sigo. Eu sou dona do meu destino, e meu destino é você. Sempre foi, sempre será, sempre haverá de ser. 
Eu peço que você venha comigo. Vamos nos casar em Las Vegas, nos beijar nas Bahamas, e nos amar em Bangladesh. Seguir nosso caminho pintado deste amor que era pra ser e aconteceu, e é tanto amor que não cabe aqui, e eu transbordo e bordo estas palavras agora no auge de uma emoção disfarçada - estou agora cara a cara com você. Vem, vamos seguir nosso caminho de rosas brancas de PAZ e vermelhas de AMOR, que começou há tanto tempo atrás. Não quero ficar sem você. De você, eu bebo. Eu recebo. Você á a minha fonte. É em você que eu quero estar. Ser. E viver. Viver pra sempre, ficar velhinhos e comparar rugas e cicatrizes. Como em "Up - Altas Aventuras!", você já é a minha maior aventura. 

Eu, que não gosto de demonstrar qualquer tipo de falha ou fraqueza, como se fosse um ser intocável, e que não sabe balancear razão e emoção, hoje estendo a minha mão e te peço perdão.

(Perdoa?).

Sua,

Paolla.

"O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca perece; mas as profecias desaparecerão, as línguas cessarão, o conhecimento passará."

1 Coríntios 13:4-8


domingo, 4 de novembro de 2012

Lado B

A nossa vida é a gente quem leva. As nossas tempestades e calmarias só nós sabemos, só nós sentimos. Não os outros: nós. Eu, você, você, eu, todo mundo. Cada um sabe da sua dor. Da sua alegria. Da sua calmaria. E das suas tempestades. Cada um sabe o que vai dentro, se é bom ou ruim, se solta ou se prende, se a alma entende ou não. Nós. Ninguém mais. Difícil é a gente entender isso. Difícil é a gente parar de pensar nos outros e pensar mais na gente. Difícil é a gente saber do que gosta ou não. 
Acredita: ninguém sabe mais de você do que você mesmo. Outra pessoa jamais dará a dimensão do seu ser. Por isso, me respeito e faço as minhas vontades. Às vezes firo outras pessoas. Dói em mim também. Mas pessoas se amam se entendem e se desentendem no mundo o tempo todo. Acontece. E passa. Posso não saber exatamente do que eu gosto, pois mutável sou e com certeza minha língua irei morder caso fale com toda a exatidão possível, mas com toda a certeza sei exatamente do que não gosto. E se não me agrada, não faço questão. Não sou obrigada. 
Eu sou mutável em mim, eu mudo conforme minhas vontades pedem. Não nasci enjaulada e enjaulada não hei de ser ou ficar. Tenho um lado livre e rebelde que precisa escrever e necessita desesperadamente de alguém que leia o que não há por trás das minhas palavras e ouça meu silêncio que grita! Isso pouca gente entende. Mas eu entendo isso. 
Eu entendo que preciso escrever como um ser que tem poucas horas de vida. Preciso jorrar tudo que tem aqui dentro e que é tanto que não cabe, é uma necessidade nua, crua e voraz que me consome. Preciso disso pra me acalmar. Para voltar a ser mais ‘mansa’. Para me entender. Para simplesmente ser tudo que grita em mim e que não é pouco. Para ser feliz. 
Somos o que somos. Somos o que desejamos ser. Pois no fim, só o nosso ser importa. Só o nosso ser é vivo. Grita. E incendeia. Ou se acalma, e nada em águas mansas da nossa alma um pouco. Preciso da liberdade de SER. Só sei viver assim. Pois, assim como todo mundo, eu também tenho um lado B. Este é o meu. 

(Pareço calmaria. Mas sou tempestade.). 

Paolla Milnyczul 


“Como abrigar um rio, se dentro de mim, mora um oceano?” – Rosamaria Roma
...
“Eu nasci com alma de artista e alma de artista é desassossegada, é confronto diário. Palco sagrado.” – Juliana Sfair

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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Prêmio Dardos


O Prêmio Dardos, prestigiado e desejado no mundo dos blogs, reconhece o mérito diário a cada blogueiro que com amor e dedicação faz espalhar o seu conhecimento e criatividade, tornando-o disponível para todos na web. De acordo com as regras, devemos:  exibir a imagem do selo no blog, colocar o link do blog de quem se recebeu o prêmio, escolher outros blogs para receber o selo Prêmio Dardos e avisar aos escolhidos.
Tive a honra de ter sido escolhida por Lu Rosário do blog Sem Pudor. Entre os cinco blogs escolhidos estão:


sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Reflexão do Mês - Outubro




"Um ‘não’, às vezes, pode ser ‘sim’, sim pra gente mesmo, um sim muito grande pra gente enxergar nosso tamanho e o caminho que estamos tomando. Cansei de tentar me adaptar, eu sou livre em meus pensamentos e posso provar ao mundo que dois mais dois pode ser até muito mais que quatro (Afinal, tudo é relativo!) e posso ser confuso quando eu quiser, porque um dia entenderão que tudo que eu faço tem um motivo, que tudo eu que faço é em prol de um único objetivo, abra o olho! Minha nova ordem é transformar o meu mundo em bons sonhos, afinal a nova ordem mundial é ser livre..."

Hugo Dalmon

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Avesso



Avesso 

Minha razão é do avesso. 
Poesia perfeita 
Que eu fiz pra nós. 

(Aceita?)

Paolla Milnyczul


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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Alma Tamanho G

Poucas pessoas me acalmam tanto quanto você. Você e seus olhos. Você e sua boca que fala até o que não deve. Você e seu [eterno] cabelo bagunçado com cara de sono. Você e seu sorriso aberto e sincero. Você e a sua ingenuidade contrastante. Você e a sua modéstia, tão modesto, você, tão! Você e suas palavras lindas.
Você, que entra nos cérebros alheios e arranca toda a verdade que há neles com duas palavras, algumas risadas e o seu olhar. Você joga toda a verdade no ventilador e faz das palavras um bom lugar para se viver e relaxar com uma xícara de café fervendo ao lado. 
Você e a sua falta de noção e excesso de sensibilidade. Você e suas sandices intermináveis. Você e sua intensidade maluca, e indecisões urgentes. Você, que tem tanto amor guardado no peito que explode no teu sorriso como confetes coloridos jogados ao ar e rabiscos indiscretos.
Você e a sua indiscrição! Ah, sim, você é indiscreto. Você tem um olhar matador que brilha e mostra tudo que está aí dentro e que é muito, é mais do que muito, é demais!
E você acha que não, mas você é transparente para quem sabe te ler. E eu sei, como boa aquariana que sou, que você não tem medo desta coisa toda de se entregar ao desconhecido e "deixar rolar". Não existe uma placa de PARE no seu coração, e é isso que [me] encanta em você. 
Você é torto no teu jeito certo de ser e de viver. 
Você tem alma tamanho G.

Paolla Milnyczul 


"Sou permanentemente livre, tão livre que sou além de mim." – Hugo Dalmon

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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Hoje Eu Só Queria Estar Aí

Hoje eu só queria que tudo parasse: o tempo, as contas a pagar, o trabalho, a insanidade da vida. E que a estrada diminuísse para eu poder estar aí. 
Hoje eu queria estar aí pra te colocar no colo, uma criança grande como você, e te dizer que vai ficar tudo bem, porque a gente sente muito tudo e às vezes interioriza até o que não sente, e de repente exterioriza de um jeito meio atrapalhado que é nosso e você sabe que ou faz isso, ou surta internamente. 
Hoje eu queria estar aí pra te passar uma energia boa, pra te ouvir desabafar, limpar tuas lágrimas, vestir tuas dores e te colocar pra cima. Hoje eu queria estar aí pra gente fazer alguma coisa diferente e te tirar dessa rotina insana que você está vivendo. Queria estar aí pra dizer que você escreve bonito, que tem os olhos lindos, mas agora eles estão tristes e isso dói em mim. Pra te dizer que você tem o coração mais lindo e puro que já vi na vida. Pra falar que você é intensa e ingênua, uma combinação perigosa, doce e genuína. Hoje eu queria estar aí pra dizer que você confia demais e espera demais das pessoas e isso às vezes pode magoar. Hoje eu até queria ser mãe pra poder te entender cem por cento.
Hoje eu queria estar aí pra gente sentar, conversar e  [se] confessar ouvindo “The Strokes”, bebendo uma Stella Artois long neck no gargalo geladérrima sem ver a hora passar, e tirando fotos engraçadas com caras e bocas. (Mulheres quando estão juntas fazem coisas bobas que significam muito.).
Hoje eu queria estar aí, minha amiga, porque eu estou com uma saudade imensa aqui dentro e faz tanto tempo que não conversamos “por horas e horas e horas”. Porque eu ‘tô sentindo aqui dentro que você precisa de um abraço apertado de alguém que te ame urgentemente. 
E o meu, eu dou por palavras.(Escritas.). Mas não são suficientes. Todas as palavras do mundo não são e nunca serão suficientes pra tudo que eu tenho que te dizer agora. Pra te dizer tudo que você é e às vezes não entende. Pra te dizer que eu te amo e ‘tô aqui pro que der e vier, independentemente do que aconteça, e que você tá no meu coração pra sempre, desde sempre. 

Hoje eu só queria estar aí. 

Paolla Milnyczul 

“Só confessamos fraquezas, para quem nos fortalece.” – Fabrício Carpinejar


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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Minúscula



Minúscula 

Inspiração ao contrário.
Poesia torta
Que eu fiz pra mim.

(pode?)

Paolla Milnyczul


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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Exteriorizando



'Tô cansada. Cansada de negativismo. Cansada de rótulos. Cansada de hipocrisia e demagogia, que andam sempre de mãos dadas e no mesmo embalo. Cansada de stalkers e suas manias obsessivas. Mas não jogo a toalha, não me rendo, não me deixo, e não me basto. Sou muito pra caber dentro de mim. Essa é uma das várias razões para escrever. Porque eu sou, e sou muito. E eu vejo além de, apesar de. E não desisto. 'Tô cansada. Deixei de dar bola há muito para coisas pequenas, mentes pequenas, pessoas pequenas. Pequenas e vazias. Cansei de bafafá, de frescurinha, de fofoquinha, de julgamentos. Cansei de gente com a mentalidade de uma ervilha. 
Então simplesmente agora não só deixo de dar bola, mas também me liberto de stalkers e 'ervilhas'. E me liberto sem palavras negativas. Zombarias. Ultimatos. E me deixo viver e extravasar com tudo que há aqui dentro e que não é pouco. Porque eu não caibo em mim. Sou inteira e sou demais para deixar ficar tudo guardado a sete chaves. 

Eu me permito exteriorizar pela simples necessidade de me sentir viva. 
E de me eternizar em versos.

Paolla Milnyczul



"A fumaça do café sobe flácida e calma junto a minha prece, aquela em que muito otimista, me livrando até das palavras negativas, peço: Aprisionai-me a todo o bem." - Hugo Dalmon

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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Reflexão do Mês - Setembro


"Como se mede uma pessoa? Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento. Ela é enorme pra você quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravado. É pequena pra você quando só pensa em si mesmo, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade."

Martha Medeiros

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Agridoce-Amor




Agridoce-Amor

“Me carregaram na ironia. 
Te carregaram na doçura. 
Nós nos transbordamos de amor 
Mas com uma pitada de loucura. 
Pois sinto a tua boca na minha, 
E a minha boca na tua.”


Paolla Milnyczul



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domingo, 26 de agosto de 2012

O Amor Não é Perfeito


Não sei se sou só eu, mas tenho percebido como as pessoas – principalmente as mulheres – hoje em dia estão cada vez mais carentes, sempre a espera de alguém que nunca chega. E pensando e repensando cá com meus botões, creio que o problema é que romantizamos demais o amor, os relacionamentos e as pessoas. Ficou tudo muito lindo, muito limpo, muito fofo, muito delicado, muito idealizado, muito impossível. 
As pessoas estão carentes devidos aos tsunamis de amores e relacionamentos idealizados de contos de fadas. E o que acontece é que acabam esperando este tipo de amor na vida delas. As mulheres esperam seu “príncipe encantado” desesperadamente e têm milhões de exigências quando a ele que devem ser cumpridas; os homens são mais realistas, mas no fundo, ainda esperam uma “princesa” de bochechas naturalmente rosadas que vai agradar à mãe assim que a conhecer.
Só que “príncipes encantados” e “princesas” não existem, meu bem. O que existe são pessoas. E pessoas erram, pessoas têm dias bons e ruins, espinhas, não são engraçadas todos os dias, nem tem o corpo perfeito e uma pele magnífica, e podem gostar de gêneros musicais diferentes dos seus, não acordam de bom humor todos os dias, tem seus dias de angústia, tristeza e mau humor, sofrem de TPM, problemas no trabalho, e não são como nos sonhos. 
Porém ambos, quando se deparam com essa verdade, desanimam (tá, nem todos!), pois simplesmente veem que as pessoas têm defeitos, erram, magoam, e nos decepcionam às vezes. Sendo assim, se o amor também não é perfeito, portanto, não era amor? Pelo menos é o que muitos – erroneamente – acham, desistem, e partem para outro “amor” idealizado por eles e não querem encarar a realidade que relacionamentos e pessoas perfeitas não existem. O problema é que nunca acham e de desiludem do ser humano em geral. 
E de quem é a culpa dessa carência amorosa fantasiosa? Nossa, única-e-exclusivamente nossa culpa, por exagerarmos no lirismo do amor e nos esquecermos de colocar um pouco de uma realidade palpável, um pouco do amor alcançável – que é o que acontece! De nos esquecermos de falar da realidade do que é um relacionamento de verdade, e não de contos de fadas. 
Então, minha gente, homens, mulheres, adultos, jovens e adolescentes que leem muito Romeu e Julieta, olha só: “Romeus” podem gostar de ver futebol e beber cerveja domingo à tarde em vez de ficar abraçado e vendo filme água com açúcar com você, menina. E “Julietas” podem gostar de rock, andar de calça jeans e all star e ter tatuagens ao invés de ficar em casa fazendo uma comidinha gostosa para você com as bochechas empoadas, garoto. (Aliás, podem ser péssimas cozinheiras.). Mas vejam além disso, e não desistam. Motivos para estarem juntos existem, explore-os. 
As pessoas com as quais nos relacionamos e queremos ficar juntos não são como queremos que sejam. São como elas são, e muito pouco irão mudar por você, sinto muito. Pessoas nos decepcionam, erram, são desaforadas, orgulhosas, e não vão fazer todas as suas vontades – acostume-se. Presta atenção, respeitar a pessoa como ela é sem tentar mudá-la é que é amar alguém de verdade! Prestou atenção? Provou um pouco da realidade? É assim que é. Pois creia, você também tem defeitos que desagradam o parceiro. (Sabia?). 
Colocamos o amor tão mais acima de outras coisas que contam tanto quanto o dito cujo, que as pessoas ficam confusas. E nem vem dizer que não acredito no amor. Eu acredito. Mas não na máxima que diz que ele é a base de tudo na vida. Amor não é base, amor é sentimento, e, devo dizer, dos mais nobres. E deve ser vivido, e não entendido. Pois não entendemos sentimentos, nós os sentimos e aceitamos. 
Base mesmo é respeito. Sem ele, sinto muito dizer isso meu bem, não se ama. Nutra o respeito por si e pelo próximo, e seja bem vindo à realidade: o amor não é perfeito.


Paolla Milnyczul


“É o amor que nos permite ser o que somos e que nos faz compreender as pessoas como elas exatamente são.” – Paulo Henrique Almeida


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domingo, 19 de agosto de 2012

Nossa Geração Perdida.


Indignada. É assim que estou, e hoje o que eu vou falar para vocês vai ser forte e não vai ser bonitinho. Tirem as crianças da sala a abram sua mente. Hoje vou falar umas verdades sobre nossa nova geração. Que geração? A nossa nova [pobre] geração perdida. Perdidos, sim, os nossos jovens – nosso futuro, olhem só, o futuro pelo qual todos lutamos! – estão jogados e rastejam em sarjetas imundas cobertas de hipocrisia e demagogia de um mundo cada vez pior, um mundo que todos estão cobertos de vergonha, em que não há mais indignação por conta de ninguém, em que não há manifestações nem união entre as pessoas. Onde afinal estão as “Diretas já!” do século XXI?! Ou os músicos rebeldes – rebeldes ou indignados? – pós-ditadura, que querendo ou não acabaram ditando o lema de uma nação e de um povo, os jovens subversivos independentes e loucos por descobertas, que grunhia rudezas contra o sistema da nossa sociedade, que cantavam Que País é Este? e Brasil? Onde estão os poetas da nova geração, os poetas que tiravam do caos do mundo poesia, prosa, música e rebelião?!... Perdidos. 
Ah, aí que entra uma questão séria que precisamos entender. Os nossos jovens, os próximos poetas (?) da nossa sociedade cruel e vil, se esgueiram por becos e ruas escuras de cidades grandes e pequenas, com pequenos cachimbos feitos de latinhas e duas “pedras” no bolso furado de uma calça já sem cor e suja, se drogam, se matam, se amam, e desesperados, gritam por um socorro silencioso, mas ninguém quer ouvir, ninguém quer ver, não é verdade? Mas todos veem e todos ouvem, entretanto ninguém faz nada, estamos estáticos e confusos tanto quanto eles, mas nós preferimos continuar num mar de ignorância ao invés de nos ajudarmos um ao outro.
Eles estão desesperadamente gritando socorro e pedindo limites, ajuda e ‘nãos’! Eles se rebelaram a sua maneira nua a crua de mostrar onde estão, como estão se portando, numa rebeldia suja e imunda, nossos jovens ditam a nossa sociedade hoje, moldam como está o nosso país, na lama fragmentada, curtidos em meios-fios sujos, cobertos por jornais em noites frias com cachorros lambendo suas bocas, mendigando, roubando, matando, vendendo o corpo e a alma em troca de fugir da realidade!  
A sociedade como um todo corre deles, surdos, cegos, mudos, não entendemos que o que eles querem é saber quem são e o que está acontecendo, mas não há como descobrir, seu grito não é ouvido, não é visto. Esses seriam os jovens que moldariam nosso futuro (que futuro?!). Um futuro imundo, cruel, escuro, marginalizado e claudicante, um futuro tão sem futuro como os jovens da nossa nação, que veem a falta dos princípios básicos de educação, segurança, saúde, e a corrupção em ternos que valem mais do que um salário mínimo que rondam as nossas portas todos os dias de uma geração perdida, uma geração que se perderá cada vez mais na lama centrifugada de tudo isso.
E se tudo isso que eles estão vivendo será o futuro, então isso é problema de todo mundo, e não de um só. Precisamos desesperadamente de união. Precisamos ensandecidamente por um pouco mais de compaixão! De saber ouvir. Esta geração mal sabe ler ou escrever. Conhecem guerras, corrupção, roubalheiras, drogas, violência. Não sabem o que é certo e errado – não lhes foi ensinado por pais e mães ausentes trabalhando loucamente para tentar dar aos mesmos uma vida, e não receberam os mesmos do estado ou nação! Eles não têm expectativa de vida, e talvez, um dia, serão enterrados em covas rasas sem saber sequer quem são, coisa que procuraram a vida inteira sem direção.
É a nossa nova – nova realmente? – e pobre geração perdida. Nós, cegos, surdos e mudos para os seus problemas, as criamos. E a hora de abrir nossos olhos e ajudar quem pede socorro já passou.
Por isso peço, como que para salvar ao menos algumas poucas crianças que ainda podem servir de apoio para a nossa nação num futuro não tão distante num grito impotente, pais e mães, digam não! Imponham limites. Ensinem. Sejam presentes, e entendam que dinheiro não faz seus filhos felizes, a sua presença, sim! Não batam, não xinguem, não acabem com a pouca autoestima que ainda resta a eles, e sim eduquem e procurem entender os gritos de socorro dos seus filhos, sejam eles crianças, pré-adolescentes, adolescentes ou jovens adultos! Ouça-os quando eles quiserem falar, já é tão difícil para eles se abrir com os pais!
Não deixe que eles também façam parte desta nova geração perdida... os salvem deste futuro sombrio.


Paolla Milnyczul


“Nos perderemos entre monstros da nossa própria criação...” – Renato Russo

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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Reflexão do Mês - Agosto



"Eu entendo por saúde a capacidade de viver uma vida plena, adulta, ativa, respirando vida em contato com aquilo que amo – a terra e suas maravilhas – o mar, o sol. Tudo o que queremos significar, quando falamos do mundo exterior. Quero entrar nele, ser parte dele, viver nele, aprender dele, perder tudo de mim que é superficial e adquirido, para me tornar um ser humano natural e consciente. Quero, pela compreensão de mim mesma, compreender os outros. Quero ser tudo o que sou capaz de ser...".

Katherine Mansfield

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A gente entende. (Entende?)

Às vezes a gente olha nos nossos próprios olhos no espelho e entende. Entende que a gente não é nada mais, nada mesmo do que um rascunho de nós mesmos, que a nossa alma transcende inúmeras vezes em uma só vida. A gente entende, mas é tão mais fácil as coisas não saírem de prumo, é tão mais fácil a acomodação do que é (ou não é), e é tão mais difícil vermos o que é novo. Ah sim, eu olho e entendo. Entendo como jamais entenderia alguma outra coisa ou algum outro alguém.
A paz, meu bem, não é fácil nem vem de bandeja, é conquistada. Se, para termos paz precisamos, às vezes, ferir os outros ou nos ferirmos, qual seria o sentido desta? A busca pela própria, em que aprendemos a nos conhecermos de verdade. (Mas a gente já sabe disso não é?).
Ah, mas olha só, a vida não é fácil, encontrar a [nossa] paz não é fácil, e – principalmente – nos entendermos não é fácil. Pense, com toda a sua calma, que – eu sei – você tem aí dentro deste coração pulsante demais e deste ser que você é que é pura emoção: “O que eu quero mesmo?...”.
O importante é se sentir bem consigo mesmo. Sem culpa nem remorso por coisa alguma. Porque sofrer não está em pauta na vida!

Paolla Milnyczul

“Dentro em nós existe um porto, galerias frágeis de emoções doídas, uma manhã clara, inteiramente nua e as águas azuis e mornas de nosso exílio.” – Tiago Fabris Rendelli

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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Como o Sertão


Pouca gente se incomoda com o que é errado, muita gente se incomoda com o que é certo e é assim que vamos caindo em direção a um buraco sem fim e ainda queremos mudança. Mas não estou aqui para discursos, frases feitas, palavras mal ditas. A vida segue e o fluxo continua. As coisas mudam rápidas e fáceis. Falo verdades. Verdades que às vezes são doloridas demais. E coloridas demais, mas às vezes em tons de cinza. O que mais vale: uma verdade que quando dita, dói; ou uma omissão ridícula do que sinto ou acho? Prefiro a verdade, a dura, velha, obstinada verdade.
Pergunta-me e eu responderei. Sem meias palavras. Sem muito cuidado às vezes. Mas sem medo de me mostrar, de dar a cara à tapa. Digo por que a minha consciência é livre, solta e muito leve. E eu prefiro que ela continue assim a omitir o que deve ser dito se me perguntado. Eu sei que pouco falo, muito observo, sou às vezes dura e seca como o chão ressequido de água do sertão, mas uma coisa é certa, é referido e dou fé: eu sou verdadeira.
Não consigo ser doce, fofa, meiga. Desmanchar. E morrer por dentro. Quem fala a verdade sem medo quando esta é pedida e requerida em forma de perguntas feitas ama mais do que aquele que fala [se] omitindo para agradar. E eu amo. Amo sem regras, sem escapulir de tentar ser feliz indiscriminadamente, mas quando é para falar sério, então vamos falar sério. E ao falar sério eu falo duramente, mesmo que doa. E a quem doa.
Sei que algumas vezes deveria morder a língua. Mas e aí como eu ficaria comigo mesma? Colocar a cabeça no travesseiro e dormir sossegada sabendo que eu falei o que deveria ser dito de alguma maneira é uma das coisas que mais prezo na vida.
Não sou de máscaras. Duas caras. Nem de [me] omitir. Tenho medo, sou humana, sou normal na minha anormalidade neste mundo louco de pessoas hipócritas e demagogas que escondem – ou camuflam – muito bem o que deve ser dito "só para agradar". Sinto muito. Eu não sou princesa. Não sou inocente. Meiga. Nem fofa. Não sou romântica, e sim, sou excêntrica e mais de silêncios e olhares do que de palavras ditas.
Quer realmente saber o que penso, acho e sinto, o que me destrói as veias e faz de mim picadinhos de mim mesma, torcendo e retorcendo a minha mente? Existem duas opções. Me pergunte ou me leia nas entrelinhas. Sinta meu olhar ou tom de voz. Ou ouça as minhas palavras – se ditas ou escritas, esta escolha já não poderá nem será minha.
Mas de mim, terá sempre e tão somente a pura e às vezes dura verdade. Mesmo que doa. Como o sertão. Puro em sua simplicidade.


Paolla Milnyczul


"Nenhuma palavra dita fará com que você me compreenda, se verdadeiramente não souber ler o que transpareço. Portanto, nada de deduções. Sou um filme sem legenda, só quem fala minha língua consegue me entender." – Fernanda Gaona

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quarta-feira, 25 de julho de 2012

O Direito ao Sumiço


É. Eu sei, dei uma sumidinha, e todo mundo anda me perguntando quando eu vou escrever e coisa e tal. Bem, aqui estou. A questão é que eu me dou, em certos momentos da vida, o direito ao sumiço. O direito de tentar descansar a minha cabeça da tecnologia, da internet, da televisão, e pensar em mim. Eu e minhas sandices. Eu e minhas loucuras. Eu e o meu amor que é tão grande aqui dentro que toma conta e eu só quero amar e ler.
Quando vejo que os músculos doem, durmo e acordo cansada, e a cabeça já não acompanha o ritmo da vida enlouquecida num furacão em dias se juntam com noites e madrugadas e as datas voam como um Boeing 747, é neste momento em que telefone e celular são desligados, a televisão idem, o computador fica fora da tomada, e de internet não quero nem saber. São nestes momentos de extrema angústia que eu sumo. E não quero que ninguém me encontre. (Nem eu.).
Quero sumir dentro dos livros durante o tempo que eu estiver de folga, e dormir o outro tanto de tempo que me resta, de preferência abraçada com quem me quer bem. Porque sim, os livros – e o amor! – são a minha [dupla] terapia. Viajo mil vezes em dois dias, vivo duas mil vidas tendo só uma. Amo sem fronteiras, sem ter hora nem pudor, e esqueço-me da vida, da louça para lavar, da cama que não foi feita, esqueço toda a urucubaca e amo sem fim. E tudo isso eu faço sem um pingo de culpa sempre que possível. São dias que não quero falar de nada que não me interesse, porque todo o resto entra por uma orelha e sai pela outra.
Sabe por quê? A vida da gente já é tão corrida, já temos tanta coisa a fazer, que às vezes ficamos nos devendo um pouco de paz. São aqueles momentos em que pouca coisa faz sentido. Nem o telefone tocando, o celular na orelha, o corre-corre diário, o trabalho que não acaba, a semana que não termina, e quando chega o domingo você sabe que precisa trabalhar no dia seguinte, mas ainda se sente cansado demais e só quer alguns dias de paz e sono. Um sono profundo e sem sonhos, gostoso como sono de criança e sem interrupções.  
Por essas e outras, acho que todo mundo se deve dar de “presente” estes momentos de sumiço e paz na vida. Porque faz um bem sem igual. E nos dar este “presente” de pensar um pouco mais na gente e fazer o que nos faz bem é mostrar respeito por nós mesmos e pelo nosso próprio corpo. Porque, meu bem, quando o corpo pede cama, calma e tranquilidade, é melhor atender, afinal saúde não se compra – nem se vende – por aí.
E é somente depois de afastadas todas as urucubacas que o corpo volta a funcionar direito e a cabeça acompanha o ritmo. E tudo volta a fazer sentido depois de momentos de paz interna. Dê-se este direito, e suma um pouco de vez em quando. Você não tem que ser a estrela do show o tempo todo, ser os bastidores um pouco também tem a sua graça.

Ultimamente a vida anda tão louca que todos nós precisamos – ensandecidamente! – de um pouco de nada nestes tempos em que é sempre tudo.

Paolla Milnyczul


"Vou sumir de mim
Nem noites
Nem dias
Nem madrugadas.
Não me acharei.
Nem ninguém.” 
 –  Fernanda Guiterio


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sábado, 14 de julho de 2012

Reflexão do Mês - Julho



"Aí ele retruca “não adianta, eu não tenho futuro”. Ninguém tem, camarada. Essa é grande diferença, estamos todos presos no presente, para sempre. O negócio é saber lidar. É bem chato isso, mas o melhor é dar um jeito nisso agora, e resolver fazer alguma coisa da coitada da sua vida. Após a morte vai ficar um pouco difícil realizar algo, mas não é uma questão de tempo, mas de uma regra local: dizem que na Eternidade não nos deixam retocar a maquiagem e nem trocar de roupa. Então não se apresse, e escolha bem o que vai vestir. Eu sei, eu sei, eu sei, a vida é um saco. Mas deixe algo acontecer, talvez ela faça você mudar de opinião."

Gabito Nunes

terça-feira, 10 de julho de 2012

Gente Leve!


Cansei de gente que reclama, mas nada faz. Gente que vive corcunda mediante as circunstâncias, que coloca a culpa nos outros, no mau tempo, em vez de procurar – e achar – o que realmente resolve o tal problema. Cansei de gente sem brilho no olhar, com acusação nos lábios, com imposição das coisas, com escravidão na vida. Cansei. Porque, venhamos e convenhamos, as pessoas em sua grande maioria adoram reclamar. De tudo. Da saúde, do tempo – sol ou chuva, não importa, reclamam –, da televisão, da novela que acabou, do trabalho que tá pouco, da grana que falta, do cachorro que late a noite toda, da casa que sempre está uma bagunça, da água que está fria, das contas para pagar. O problema não é reclamar, afinal vez ou outra todos nós, meros mortais, reclamamos. O problema é reclamar de tudo o tempo todo, sem ver o lado bom das coisas e – principalmente – da vida. E jogar as frustrações nas costas dos outros, que nada ou pouco tem a ver com aquilo.
Então, por decreto, resolvi: eu gosto é de gente leve. Gente de sorriso rasgado na cara, que tem a oferecer abraços, sorrisos e palavras doces, sinceras e verdadeiras. Gente otimista que faz da vida poesia, gente inteligente que faz poesia da vida. Gente corajosa com brilho no olhar e satisfação em viver. Gente que não tem medo de dar a cara à tapa pelo que pensa e fala da maneira mais educada possível. Gente que respeita e não julga. Gente com a cabeça no lugar, mas com um pouco de loucura na vida, pois nem só de paraíso vivemos. Gente que não se subestima nem se superestima demais. (E nem aos outros.). Porque todos nós somos pessoas, e pessoas invariavelmente se decepcionam com outras pessoas. (Normal.).
Eu gosto de gente que leva a vida com paixão, adoração, que curtem cada detalhe ínfimo das suas vidas. Gente com o coração leve, mas o com espírito forte. Gente que não anda encarquilhada perante suas frustrações e problemas. Gente que não reclama, resolve. Gosto de gente que ri, chora, se emociona e faz o melhor que pode da melhor forma que consegue sem se cobrar demais por isso. Gente que fala olhando no olho da gente.
Essas pessoas, em minha vida, eu tenho. E eu não quero nunca que saiam dela, pois leveza, meu bem, não se compra nem se acha por aí dando sopa. Leveza, e isso eu sei, é difícil de ter na vida neste mundo tão cada vez mais conturbado por toda a urucubaca. Leveza se conquista dia após dia. Leveza hoje em dia é uma raridade boa de se ver, e o que me é raro me é muito caro e não abro mão de modo algum. Gente leve é rara. Gente leve é preciosa de se ter ao lado. E faz a maior diferença na vida!
Então, hoje, eu penso assim: o barato da vida é que ela me é cara demais (ainda bem!), e eu não estou aqui a troco de nada. Eu vim ao mundo para ser feliz!
Feliz e leve.

Paolla Milnyczul

"Minha alma está de dieta. Não cabe em mim o peso de mais uma cara amarrada." – Fernanda Mello

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domingo, 24 de junho de 2012

Uma Simples Questão de Respeito.


Quem me conhece sabe: eu nunca vou dar palpite na tua vida caso você não peça. Não gosto que deem palpite na minha vida, que falem o que deve e o que não deve, o que pode e o que não pode, como eu fosse um ser sem opinião nenhuma sobre o que está acontecendo na minha própria vida. Pior ainda quando impõe com aquela palavrinha que me deixa roxa: "você TEM que...". Fique em silêncio, por favor, mas faça isso. Isso me deixa louca e com vontade de gritar, coisa que não irei fazer porque é falta de educação e bom senso. O tal do TEM QUE me irrita profundamente, e isso dá pra ver na minha cara: faço bico, fico vermelha, suspiro fundo, viro os olhos que vão parar na nuca, e é aí mesmo, nesse estágio de toda a coisa, que eu decido que não vou fazer o que a pessoa está falando, por mais que pareça certo. Simplesmente porque impôs sobre mim um tal de TEM-QUE.
Não gosto que se imponham sobre mim sem a minha devida autorização pessoal. Não gosto que deem palpites sobre coisas as quais eu sei o que fazer e da qual não pedi opinião alguma. Mas não, as pessoas palpiteiras não entendem assim, entendem que o jeito delas é melhor e pronto-acabou. (Que nem criança.). Mas sabe o que mais me deixa chateada? O jeito de falar tal coisa. Elas falam como se fosse melhor que você, como se não se importasse realmente, como se fosse algo pequeno "tão simples de resolver". Só o que o seu simples pode não ser o meu, e aí como faz? Aí, quando eu começo a falar certas coisas, quando eu começo a jogar na cara, quando eu começo a não fazer absolutamente nada do que me impõe, acha ruim. Ah, tenha paciência!
Admito: sou orgulhosa, voluntariosa e teimosa. Mas olha, senta aqui e me escuta: se eu não pedi tua opinião sobre tal coisa – independentemente do que ela seja – é porque eu já sei o que fazer. É porque eu já tenho a minha resposta e não tenho o menor interesse no que TEM que ser para você. É uma simples questão de respeito sobre a vida de. Guarde suas opiniões e seus palpites e suas imposições para você.
Quer falar de qualquer maneira? Tire o "TEM". Fale com leveza, "o eu que eu acho que você talvez pudesse fazer é assim e assado por que etc-e-tal". (Não precisa ter toda essa pomposidade, é um exemplo!). Convença-me. Seduza-me com as palavras como uma dançarina do ventre faz a dança dos sete véus. Entende? Tenho opinião e personalidade fortes e não vou ouvir se você falar como um ser superior que nada fez de errado na vida – todo mundo têm um teto de vidro, eu tenho, você tem, sicrano tem, beltrano tem porque ninguém é perfeito. Simples assim. Fale com delicadeza e respeito e eu vou ouvir, vou pensar no que disse, e posso até fazer o que falou pelo simples fato da delicadeza ao falar, pelo simples – tão simples – fato de que você se colocou como igual e não como superior.
Aprende, imposição não leva ninguém a lugar algum. Imposição de algo ou alguma coisa, ou alguma palavra, ou algum "achismo" só vai te isolar com o tempo. Imposição só vai te fazer aos olhos de outra pessoa uma pessoa chata, entrona, que não se importa com a sua opinião, só com a dela. Imposição só te faz parecer prepotente mesmo que não seja. Como resultado, as pessoas vão ir parando, aos poucos, de te falar as coisas e acabam por se afastar, a não ser que elas próprias não tenham opinião nem saibam planejar ou tomar decisões da própria vida. (Cada um, cada um.).
Aprende que antes de abrir a boca, deve-se medir as palavras, pois elas machucam, podem te colocar numa enrascada das grossas, e simplesmente, às vezes, entram por um ouvido, saem pelo outro e você só gasta saliva à toa, ou é como diz aquela velha frase de avó que passa de geração em geração: "quem fala o que quer, ouve o que não quer". É uma das frases mais certas do Universo inteiro. E mais verdadeira. Às vezes é melhor ficar quieto do que falar merda e ouvir uma diarréia mental inteira.
Eu não fico dando palpite na vida de ninguém, por mais que eu ache errado isso e aquilo, mas se a pessoa vier pedir minha opinião é diferente, pois me deu liberdade para tal coisa. Mas pode ter certeza: vou falar com o maior respeito do mundo. O que eu acho é que cada um vive sua vida da maneira que lhe convém ser melhor. E que a gente precisa é respeitar a vida dos outros assim como gostaríamos que respeitassem a nossa vida. Simples e fácil.
Sabe por que falo tudo isso, sabe por que ajo desta forma? Porque na vida eu aprendi uma coisa na marra. Na vida, meu bem, a gente aprende caindo, a gente aprende andando com os nossos próprios pés, não com o dos outros. Pessoas que sempre vão pela opinião dos outros, pessoas que só fazem o que outra lhe impôs fazer, quando precisam tomar uma decisão, quando precisam colocar uma direção na vida, se perdem, pois se esquecem de como é tomar decisões sozinhas. E se encurralam. Aí sempre fica tudo mais difícil. A vida para essas pessoas é muito mais dura porque seus pés estão macios demais por não caminhar com eles, e qualquer pedrinha, por menor que seja, machuca profundamente.
E aprendi que ter opinião hoje em dia significa também sempre estar um pouco só.

Paolla Milnyczul

"Eu costumo ouvir somente aquilo que me faz bem. Então, por favor, chega de papo furado. A gente veio ao mundo para ser feliz." – Fernanda Mello

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quinta-feira, 14 de junho de 2012

Reflexão do Mês - Junho



‎"Sonhos são molas que nos impulsionam. São minha inspiração e força. São a minha fé. Ao meu ver, quem não sonha (nem que seja um pouco, quando ninguém está olhando), nunca se sente vivo de verdade. Mas como tudo tem dois lados, é bom ficar de olhos abertos. Ou melhor: com os pés bem fincados no chão. Viver só de sonhos não basta. Quem se alimenta apenas de ilusão, perde a realidade da vida e se esconde em um mundo paralelo. Complicado, não? Também acho. Haja discernimento para viajar, se aventurar nas estrelas e saber a hora certa de voltar!" 

[Tanto na terra, como no céu - Fernanda Mello]

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Vá Ser Feliz!

É impossível não falar disso. Ah sinto muito, mas desta vez eu vou falar do assunto do momento, justo eu, que não falei de nenhum: nem da páscoa, nem do dia das mães, nada nadinha. Vou falar do dia dos namorados, mas de um jeito diferente. Sim, porque o que eu mais vejo são pessoas desesperadas. Pessoas lindas, cultas, inteligentes, interessantes, independentes, que trabalham e pagam as suas contas totalmente frustradas e desesperadas porque vão passar o dia dos namorados sozinhas. E qual o grande problema nisso?  Porque todo ano é assim: metade das pessoas reclamam que não tem namorado (a), e a outra metade fica se descabelando porque não sabe o que dar ao parceiro (a).Vamos mudar o disco minha gente. Ambas as partes! (Não sabe o que dar? Dê uma lembrança, uma almofada, uma caneca, um bilhete. Já é de bom tamanho.).
Mas você que está aí arrastando correntes, vem cá, chega mais perto que eu vou te falar umas coisinhas: e quem disse que namorar é um mar de rosas, que vai te salvar da tempestade da vida, que vai ser teu porto seguro? Quem disse que namorar vai te fazer verdadeiramente feliz? Quem disse que namorar vai fazer a sua vida mais fácil? (Pode ficar mais difícil, sabia?). Que você vai parar de ser a pessoa-infeliz-que-ninguém-entende? Ah me desculpe, mas não é assim, pensar assim é jogar tua vida nas mãos de outro alguém qualquer por pura solidão, e isso não é bom, primeiro, porque você se anula, segundo porque coloca um peso enorme e desnecessário nas costas de alguém, terceiro, porque você não merece qualquer pessoa. E nada disso é bom, e só vai complicar ainda mais.
Escuta bem, quem faz a tua vida mais fácil, quem faz teu porto seguro, quem te faz feliz é você mesmo. Você, com suas escolhas, seus gostos, suas manias, sua personalidade excêntrica, suas vontades, seu gosto musical pra lá de esquisito aos olhos da maioria. 
Pra você ter um outro alguém que te entenda e ame é fácil (o que é difícil vem depois!), ao contrário do que muitos pensam e falam. Tenha uma lista de prioridades, sendo que em primeiro lugar vem você, em segundo você, em terceiro você, e só depois vem todo o restante. Fácil. Se dê valor. Pare de pensar que você é infeliz e que ninguém te entende, bota um sorriso nessa cara, e se aceite como é. Aceite o som que ouve, suas manias, seus gostos, sua personalidade, suas chatices (todo mundo tem). Mude se quiser, mas mude porque VOCÊ quer, não por outra pessoa ou porque ela quer. Esqueça de procurar um amor pra si mesmo, e ele virá. Quando você para de olhar a sua volta e vive pra fazer você mesmo bem, todos os olhos se voltam em sua direção. 
Portanto, pare de se lamuriar como se a vida fosse um eterno muro das lamentações e vá ser feliz!

Paolla Milnyczul

"Felicidade não é opção, não é escolha. Felicidade é dever cívico, direito, obrigação. Aproprie-se disso e vá ser feliz." – Ita Portugal

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terça-feira, 5 de junho de 2012

Ao Mestre Com Carinho

Eu ia deixar esse texto para o dia dos pais, ou perto do seu aniversário, mas sou da opinião de que a gente tem que falar o que tá no coração. (Que no meu caso é mais escrever do que falar!). Ah, eu amo meu pai demais. Com ele aprendi coisas demais. Mesmo ele não estando tão presente quanto eu gostaria na maior parte da minha vida, quando a gente cresce a gente vai percebendo o por que: ele estava presente de outra forma, querendo que o meu futuro fosse o melhor possível. Agora posso dizer que entendo. 
Hoje acordei com uma saudade imensa e uma baita vontade de abraçar meu pai e ter uma das nossas conversas solitárias, sentados com uma taça de vinho ou rodando de carro. Momentos só nossos, sem ninguém ao lado, o que, diga-se de passagem, é bem raro.
Sempre que me lembro do meu pai, lembro dele todo de branco, trabalhando. Pela manhã, pela tarde, pela noite, de madrugada, feriado, sábado e domingo. Sem pausa. Sem descanso. E tudo isso sem reclamar. Tudo dar a mim e ao meu irmão o melhor possível. Na época eu me zangava, queria a presença física, tão difícil de conseguir. Mas – sei lá como – sempre nos entendíamos sem falar nada. Temos o mesmo jeito, uma personalidade parecida, o mesmo defeito imenso de ficar amuado guardando sentimento e explodir de repente a troco de quase nada. 
Somos observadores, distraídos, cabeça na lua, vaidosos. Temos a mesma impaciência, mas com um jeito paciente. E tentamos sempre entender as coisas e as pessoas. Entender o mundo é o que nos move. Sempre moveu. Nos envolvemos com nossas dores e as dos outros ao mesmo tempo e isso nos deixa loucos. Somos eternos justiceiros de nós mesmos: não nos permitimos cometer injustiças. Nos entendemos pelo tom de voz, pela hora do telefonema, pelo olhar, pelo silêncio, por um simples suspiro. Justamente por isso ele não exige de mim do que eu não posso dar. Eu não exijo dele mais do que ele pode. Talvez por isso nós nos entendamos cada vez melhor: não há cobranças nem exigências – entende-se e tudo fica bem. Tudo o que nos dói, nos dói muito, tudo que nos alegra, nos alegra muito, talvez por isso tudo o que sentimos, sentimos MUITO e com tal profundidade que é um milagre ainda estarmos inteiros. 
Como filha, sei que não fui – nem sou – bem o que ele gostaria que eu fosse. E no começo ele não entendeu, mas hoje ele entende que eu sou como sou: forte, teimosa, exigente, mandona, excêntrica, independente, um pouco silenciosa demais, orgulhosa, com a língua ácida demais às vezes. E que sou feliz assim, e que se eu me respeito assim, se eu me conheço o suficiente pra saber até onde eu posso ir, basta a ele aceitar. Aceitar a minha falta de jeito, aceitar que não se pode exigir perfeição daquele que nos cerca, pois somos nós mesmos seres imperfeitos. Aceitar defeitos daquela pessoinha que você vê crescer, cria, educa, alimenta, veste, e prepara pra vida deve ser difícil. 
Eu não preciso falar muito com meu pai, poucas palavras bastam. Aprendi com ele – e com a minha mãe – o valor do trabalho, aprendi – talvez com seus erros, talvez com seus acertos – que a gente tem que dar valor ao que se tem sem querer demais, aprendi que ser paciente com a vida pode não ser a forma mais fácil de viver, geralmente é a mais árdua, mas é a que dá os resultados mais certeiros. Aprendi que os momentos que passamos com nossa família, nossos amigos, com pessoas que nos querem bem nós devemos dar muito valor. Aprendi que a vida nunca dá pouco ou muito, e sim que a vida nos dá o que precisamos dela. Mas principalmente, com ele, eu aprendi a sonhar mais – eu, uma eterna pé no chão, aprendi a sonhar, veja só isso! E ele aprendeu muito comigo. Foi meu primeiro amor, foi meu primeiro – e único – herói. 

Pai, você está aqui comigo sempre. Mesmo morando longe. Mesmo nos vendo pouco, nos falando pouco, entendemos um ao outro, não é emocionante? O amor que eu tenho por você é sem tamanho, é sem igual, é estrondoso. Seus olhos castanho-claros pacientes e a sua voz pausada me fazem uma falta enorme. Morro de saudade dos seus eternos atrasos, eu que sou pontual, e ainda bem que você sabe disso, quando marca comigo nunca se atrasa, nem que para isso tenha que acordar três horas mais cedo. Hoje eu só tenho o que agradecer a você: pai, obrigada. Por embalar meu sono, por me fazer acordar quando você chegava do trabalho e me pendurar no teu pescoço só pra depois voltar a dormir quando eu era criança, por tantas histórias contadas ao pé da cama (você se lembra?), por me dar algumas das melhores lembranças da minha infância, por ter sido meu herói e meu bandido, por suas broncas, por me fazer perceber que ser fiel a si mesmo vale muito a pena, por estar me apoiando nesta nova etapa da minha vida, por me ouvir, por ter uma paciência gigante comigo, por ter me passado seus ensinamentos, e por tantas outras coisas, mas, principalmente, por dividir comigo o que você tem de mais precioso: o seu amor. 

Nós não somos só pai e filha, não, somos também – meio que por acaso – o melhor amigo um do outro. 

Pai, eu te amo! 


Paolla Milnyczul 


“Que riqueza não é, até entre os pobres, ser filho de um bom pai.” – Juan Luis Vives 

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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Reflexão do Mês - Maio







"Cometa bobagens. O que acontece normalmente, encaixado, sem arestas, não é lembrado. Ninguém lembra do que foi normal. Lembramos do porre, do fora, do desaforo, dos enganos, das cenas patéticas em que nos declaramos em público. Cometa bobagens. Não seja sério; a seriedade é duvidosa; seja alegre; a alegria é interrogativa. Quem ri não devolve o ar que respira. Não espere as segundas intenções para chegar às primeiras. Cometa bobagens. Ninguém lembra do que foi normal. Que as suas lembranças não sejam o que ficou por dizer."

Fabrício Carpinejar





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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Nuances de Um Amor Desavisado

O cheiro embriagador do seu perfume está em mim. E foi como se todos estes anos sem você não tivessem sido nada, só um curto período no espaço-tempo em que eu estava morta para ter alguém que não fosse você. Você e seus lábios perfeitos, seus olhos negros como dois poços escuros e misteriosos. Você e as covinhas que faz no canto da boca quando ri com seus dentes brancos e perfeitos. Você a sua barba bem feita. Você e seu 1,90m, alto, tão mais alto que eu. Você e suas mãos grandes, tão grandes que engolem a minha, pequena e frágil. Você. 
Você com essa sua mania de me ligar pela manhã. Você com seus sumiços. Você com sua voz rouca. Você, cheio de surpresas, me enlouquece. Você, com seu cheiro matador e único. Eu te conheço há tanto tempo, você e seu amor-amigo, amor bandido, amor que se foi, amor que sempre se vai. Amor. Acordei pensando nisso tudo. Você está aqui, ao meu lado, dormindo profundamente. 
Voltou. Não vai partir, foi o que me disse. Desta vez fica. Encho minha alma de esperança e procuro acreditar em tudo que me diz. Você me abraça com seus braços quentes e pesados. Desvencilho-me do seu aperto, levanto e coloco uma camisa sua. Nada melhor que ter seu cheiro impregnado em mim, acho que não há intimidade maior ter seu cheiro em outra pessoa. 
Estou exausta, você me desequilibra, exaure, me deixa sem fôlego. É sempre assim, esse amor desavisado, louco e ensandecido, quase selvagem. E então você some e me deixa. Vou descalça até a cozinha, pego um dos copos, e bebo a água gelada ouvindo o tique-taquear do relógio cuco antigo. Olho o escuro da noite pela varanda, a lua cheia. Ouço o silêncio da madrugada, somente o cricrilar dos grilos, as folhas que farfalham lá fora pela brisa suave, uma coruja quebram este silêncio. Sinto de repente sua falta, e volto a me deitar mesmo sem conseguir dormir. Você me abraça, e, desfalecida em seus braços, te ouço falar em meu ouvido com a sua voz rouca: 
– Eu te quero. 
E eu já quase morta de amor respondo, com borboletas no estômago e a pele arrepiada pelo seu toque que já me deixa úmida por dentro, respondo: 
– Me tenha, faça comigo o que quiser, sou sua. Sou sua hoje e sempre. 
Nunca pensei que diria isso a alguém. Nem pra você, mas agora você está aqui, e pronto, falei, não consegui me conter – eu, sempre tão contida, não me contive desta vez, não com você, nunca com você. Me tenha, é o que penso e quero: me tenha. Você passa a ponta dos dedos pela minha boca, contornando-a. Dou um sorriso tímido, te abraço e grudo meu corpo no seu, tão bem feitos um para o outro que parece que foram feitos sob medida. Sinto uma lágrima escorrer pelo meu rosto. Você a enxuga. 
– Não chore, eu não vou embora desta vez. 
– Então você fica mesmo? – pergunto, com lascas de esperança na alma. 
– Fico. – você responde com firmeza. 
Você enrosca os dedos nos fios do meu cabelo já tão embaraçados de suor e os faz embaraçar ainda mais, puxa-me pela nuca e me beija, nossas bocas e línguas se encontrando, se massageando, suaves, lentamente. Suas mãos rápidas – como são rápidas! – jogam longe a camisa, deixando-me nua com destreza, nós dois pulsando de desejo, nos fundindo, assinando assim o encontro das nossas almas, selando nosso compromisso de amor. O beijo ávido continua, e, em momento durante todo o ato de amor nossas bocas se desencontraram. 
E quando acaba ficamos nus, enroscados, perna com perna, ventre com ventre, rosto com rosto, boca com boca, os olhos fechados, bebendo da sua boca o néctar que de mim sugaste. 


Paolla Milnyczul



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