quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Os Mini Adultos

Eis algo que nunca entendi e pelo visto nunca entenderei: porquê sempre que alguém não concorda com algo que você faz – ou vai fazer – , a pessoa pergunta se você enlouqueceu? E afinal, o que seria a loucura?... Eu digo sinceramente: eu não sei, o que eu sei é o que não é loucura pra mim. Porque o que pode ser pra mim pode não ser pra você, ou pra sicrano ou pra beltrano. Simples. 
Por exemplo: quando eu disse a plenos pulmões e com todas as letras que não queria ter filhos (!), fui olhada por meia dúzia de pessoas como uma monstra devoradora de criancinhas inocentes que não merecia viver. Me senti na Inquisição em pleno século 17 com dezenas de pessoas correndo atrás de mim com foices e forques gritando: "Peguem-na e ateiem fogo, é uma bruxa!"
Mas logo depois do desconforto inicial, eis que uma alma surge e conserta todo o sentimento de indignação de todo o grupo composta em sua maioria por mulheres falando algo como "Ah mas um dia você vai querer", seguido de um "E quando você envelhecer, quem vai cuidar de você?".  
Loucura pra elas é isso: uma mulher não querer ter filhos – e anunciar isso sem a menor culpa.
Pois loucura pra mim é: colocar uma criança num mundo como de hoje em dia, em que você nunca sabe em quem confiar. Em que não há segurança nas ruas e carros demais – e, diga-se de passagem, em altíssima velocidade – ; em que a educação pública é ineficiente e ineficaz e a particular são os olhos da cara; em que, se não se tiver um plano de saúde, têm que aguardar na fila de um hospital cerca de umas 12h para ser atendido com uma criança doente e chorando no colo; em que a única diversão que estas crianças veem é Playstation, computador, internet – e ainda se tem que controlar o que eles veem e bloquear sites – , jogos online e televisão, além do consumismo desenfreado das crianças, que mais parecem na verdade pequenos adultos – as meninas de saltinho e os meninos com tênis da última moda que se perderão em menos de 1 ano, visto que os pés crescerão – ; em que há gente nada confiável na porta das escolas vendendo "doces" nada confiáveis às crianças; em que a tentação está em cada esquina e as meninas engravidam com 13 anos e acham normal; em que não há música de qualidade – afinal, criança associa tudo ao que ouve, o que ela vai pensar ao escutar Tati Quebra-Barraco?!
Parece loucura? Não, sinto muito meus queridos, é a REALIDADE deste país lindo por natureza – quer litorais e chapadas mais lindo que os nossos? – em que vivemos, portanto, devemos consertá-lo. Uma batalha difícil, visto que a corrupção corrói as almas até dos mais puros – mesmo se for em seus pensamentos.
Vivi minha infância numa época que meu único medo era o "homem do saco", que se comia fruta do pé – e no meu caso, de preferência empoleirada nos galhos das árvores, ai, as mangueiras e pés de jambo da minha casa! – , que se brincava na rua de queimada, futebol, passa anel, mula, corrida; que se ficava descalço a maior parte do tempo, e que ganhar roupa de presente de aniversário era sinônimo de choro. 
Que não existia computador – nem Facebook, Orkut, MySpace, Google +, Google, Twitter entre outros – ,  notebook, iPhone, iPod, iPad, BlackBerry, celular, TV a cabo, nem Nintendo XBOX. Havia no máximo um Atari muito surrado que eu precisava dividir com meu irmão. E,  principalmente, vivi numa época em que as mães mandavam nos seus filhos e não o contrário – no meu caso, bastava os olhos castanho-esverdeados da minha mãe se arregalarem e eu já congelava – , e que a gente falava "com licença", "obrigado", "desculpa", e "por favor" – e se não falasse, o pai (ou mãe), perguntava: "como se diz mesmo?". Pois é. E eu sobrevivi e estou aqui, eu, euzinha, saudável, sem faltar um pedaço sequer e sem traumas.
E quer saber? Tenho MUITO orgulho de ter vivido naquela época, em que criança podia se sujar à vontade, e não existiam tantas vacinas – nunca vi ter tanta vacina pra criança hoje em dia, na minha época eram as essenciais e depois tchau, agulha!, vou ser feliz sem você – e sem o Zé Gotinha.
Sim, eu posso falar com todas as letras: eu tive infância! Pois as crianças hoje em dia não a têm mais, e eu sinto pena das nossas gorduchas e bochechudas crianças que vivem em casa presas à uma tela, engordando e tendo obesidade infantil, e sendo "mini adultos" – e os pais incentivam! Gente, criança tem que ser criança, tem que ouvir NÃO, tem que parar de querer ser adulto, tem que ter rédeas, tem que ter LIMITE! Senão, como será daqui a 30, 40, ou 50 anos? O caos, já que hoje em dia elas tem tudo que quer na mão e com o consentimento dos pais, que só falta ficarem de joelhos e responderem "sim, minha alteza", e vivem sem limite algum! Claro que esta é apenas minha visão geral da infância de hoje em dia, visto que há exceções.
Digo sem medo que se alguém me perguntar a minha  maior saudade, respondo: minha infância. E tenho certeza que falo por muitas gerações que tiveram uma infância como a minha, como toda criança deveria ter: FELIZ!
Pergunto agora: o que você quer para daqui a 50 anos? Coisas boas para você, sua família, seus filhos, seus amigos, correto?  É fácil e simples conseguir: eduque as crianças, principalmente em casa. E deixe-as ser o que são: crianças! Elas merecem.

Paolla Milnyczul

"O que se faz agora com as crianças é o que elas farão depois com a sociedade."  Karl Mannheim 




Conteúdo protegido por Direitos Autorais.

2 comentários:

  1. Olá Paolla!
    Como mãe de dois filhos pequenos lhe digo: a sua decisão, fundada na atual insustentabilidade do mundo, é compreensível; contudo, os meus filhos ensinaram-me a ver os dias com mais cores e alegria do que com medos.
    Adoro ser mãe e sinto um enorme privilégio em sê-lo. Não é fácil mas nada se lhe compara em amor.
    Muito acertada a ideia de que a criança tem direito a ser criança. Quando isso não acontece, a catástrofe acabará por surgir, com consequências muitas vezes devastadoras.
    :)
    :)

    ResponderExcluir
  2. é, as pessoas querem sempre nos ensinar o que é bom, o que é certo, o que é bonito etc. Não respeitam mesmo as decisões de cada um. Se se demora a casar, logo perguntam qual o problema, e por aí vai. Acontece que cada um deve saber de si. Se para alguém o significado da vida é um filho, para outro o significado da vida é o trabalho, e para o outro ainda o significado da vida é apenas viajar, ou cantar, ou pensar. Portanto, basta ser feliz e ter paz. Parabéns. Beijos

    ResponderExcluir