segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Inquietude de Dezembro

Olho o dia lá fora e o céu está azul e quase sem nuvens, o sol ofusca até a visão, e a claridade faz doer os olhos. O ventilador ligado aqui ao lado, fazendo um ventinho bom. Calor não me apetece a alma. Dezembro chegou, trazendo consigo o calor.
Dezembro chegou, e junto com ele, sempre vem o "e se...". É. Repara, sempre que chega o final do ano todo mundo se questiona: "e se..., será que teria sido diferente? Será que eu teria amado mais? Será que eu teria amado menos? Será que eu teria sido mais ou menos feliz? Será que eu teria sido feliz? E se...será que... será que o quê mesmo?"
Pois é, final do ano começa a chegar e os "e se... será...?" começam a aparecer. Várias perguntas, todas sem resposta, pois não é possível ser azul e vermelho ao mesmo tempo – e muito menos, voltar no tempo. O "e se" é cruel pois nunca saberemos, e ficamos com a plena consciência de que nunca temos 100% de certeza naquilo que fazemos e escolhemos, afinal, pra toda escolha, há dois caminhos – e você só pode seguir um deles. Pois não somos dois. Somos um. E temos que escolher: ou o azul, ou o vermelho.
Reflexão. Pensamento. Perguntas. Questionamentos. Voltar no tempo pelo pensamento – fazer acontecer o que nem aconteceu e nem irá – e sentir-se bobo por isso. Normal. Aliás, super normal, afinal, se não existissem questionamentos, perguntas e reflexões, onde nós, seres humanos, estaríamos agora? Achando que a Terra é o centro do Universo e o Sol gira em torno de nós? Não, sei, mas e se (lá vem ele de novo) Galileu não tivesse olhado o céu e feito suas descobertas, onde estaríamos agora? Impossível saber – mas como eu disse, não voltamos no tempo.  
E quando chega essa época do ano, e os vários "e se" tomam conta da vida, eu fico assim; nostálgica, um pouco melancólica, questionadora das minhas atitudes – 'foram certas ou erradas?.. e se?...' – , sem ter resposta de nada, irritadiça ao extremo, qualquer coisa me acende o pavio já curto – pois odeio não ter resposta para as coisas. E vendo que mais um ano passou – quase, até às 23h59min59s do dia 31 ainda é este ano. E que o tempo tá correndo rápido demais, e eu tenho tantas coisas a fazer que não fiz, será que vou ter tempo de fazer – e poder fazer – tudo isso ano que vem?
Reflexões, reflexões, que seria de mim sem vocês? Nada, só um corpo que anda, um coração que bate, uma cabeça que não questiona e não pensa, é automática, que nem robô – não sou eu, com certeza, pois meu corpo não anda, corre maratona; meu coração não bate, espanca no peito; e minha cabeça não é automática, ela pensa, repensa, reflete, pensa de novo, ativa e ágil, sem parar. Sou uma exclamação (!), sou uma interrogação (?). E ser assim dá uma canseira e um desassossego n'alma, que não é possível descrever, só sendo pra saber.
Ao mesmo tempo, tantas coisas comecei a fazer que achei que nem seria capaz – e fico feliz por ter começado. Agora tenho que terminá-las, e são várias. Uma delas até tá perto de terminar, outra ainda leva tempo – e ai, como eu queria que fosse o contrário, pois tem coisa melhor que sonho realizado? Não pra mim. E tantos projetos tenho pra minha vida, e ai, tenho que levar adiante! O caminho é difícil, cheio de espinhos, e cheio de 'ais', mas se fosse fácil, teria graça consegui-los? Não, tudo que fácil vem, fácil vai.
E hoje acordei desassossegada e com a alma mais inquieta do que o normal. Com vontade de falar um monte de coisas, que só eu – só eu? ora, Paolla, não subestime os outros! – tenho como entender. Mas não falo. Não falo porque... por quê mesmo? Não sei, talvez porque poucos irão entender, talvez porque não queira falar, e seja só isso. Enquanto isso os "e se" ficam brotando na minha cabeça, e não adianta, até o final do ano assim vai ser, independentemente do que aconteça ou do que falem – não vai adiantar, fiquem já avisadas, pessoinhas do meu coração.
E por mais que a gente tente, nunca conseguimos não refletir neste mês que se inicia, e ninguém é exceção nisso. Mas o tempo urge, e eu preciso dizer tantas coisas a tantas pessoas, preciso fazer tantas coisas que ainda dá tempo de fazer, preciso, preciso, preciso... Ai, que inquietude! Ai, quanto 'ai', quantos 'ais'. Ai!
Mas sinto que estou precisando mesmo é da necessária solidão. Da necessária quietude da alma. Do necessário silêncio. De unir corpo e espírito. Sem nada nem ninguém. Só eu, só. 
Difícil ser gente. (Grande).

Paolla Milnyczul

"Impossível enquadrar o que lateja, o que arde, o que grita dentro de nós."  Clarice Lispector



Conteúdo protegido por Direitos Autorais.

2 comentários:

  1. Concordo .....Dezembro é um mês de reflexões ...
    Muitas atitudes poderiam ser diferentes, vale para praticar no próximo ano, ai vem novamente promessas ....

    Parabéns pelo seu Blog

    Daniela Teixeira

    ResponderExcluir
  2. Uau! Mais um texto maravilhoso. Agora eu me pergunto: e se fosse diferente este ano?!?

    Parabéns, anjo!

    ResponderExcluir