quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A Vida e Suas Nuances

Sabe quando tá tudo nos eixos, o mundo gira, as coisas estão perfeitas, tudo parece estar indo bem demais, e de repente, plaft!, lá vem ele, o tapa. Tapa de realidade. Pois é, deveria até ter desconfiado, mas às vezes, nestas minhas mudanças loucas, fico com a cabeça nas nuvens e nem reparo que está tudo bem demais. E, como todo bom tapa, dói. Dói e deixa marca. Dói muito, mas passa. Deixa o rosto marcado, você fica cambaleante, zonzo e sem entender direito. Mas passa. E de repente,  você vê que, sim, pode vencer a dor daquele tapa. Não importa o quanto demore, não importa o que faça, não importa o que  falem, somente siga. 
Vá em frente, continue andando, não olhe pra trás. Haverá curvas, buracos, chuva, lama, pedras, ladeiras, mas não desista. Somente siga, foque seu objetivo, e como disse há pouco tempo a uma amiga minha – aponta e rema!
Porque a vida tem essa mania, esta terrível mania – será terrível mesmo? – de fazer com que nossos sonhos sejam conquistados arduamente, com muito suor escorrido do rosto, e tudo que é conquistado com nosso suor vale mais, mesmo que pequeno, fútil, frívolo – pra alguém vale muito.
Ontem recebi um desses tapas, e acordei pra vida, saí do meu mundo perfeito onde tudo ia dar certo, parei de cruzar os dedos pra dar sorte, e fui pega na curva pelo tapa – tão na curva que foi quase na tangente. E foi bom, pois ver onde você está errando – sim, pois foi erro meu, confesso mesmo não querendo admitir – e então, ao consertar, você sente que desta vez vai. E que vai ser diferente, e que tudo vai dar certo.  
E é nesse momento que sai de você uma força estranha, que o impulsiona para a frente, que faz dançar de contente do tapa que lhe foi dado – entretanto sem oferecer a outra face.
E eu me sinto como aquela garota, que, desavisada do tempo, é  pega no meio do caminho pela chuva, e segue, pé ante pé na tempestade, com a mochila pensa em um dos ombros, os cabelos molhados grudados no topo da cabeça, o all star encharcado, e mesmo assim, ela pára, olha para cima e pensa que não são gotas de chuva, mas sim gotas de felicidade, e continua seu caminho, sorrindo tranquila.
Contraste louco; vida insana.

Paolla Milnyczul

“[...] já de saída a minha estrada entortou, mas vou até o fim.[...]. Eu bem que tenho ensaiado um progresso.” – Chico Buarque


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Um comentário:

  1. Como sempre, querida Paolla, maravilhosa!! São estes "tapas" que nos tornam mais fortes, mesmo que nem tanto atentos. Beijão!

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