domingo, 20 de novembro de 2011

Detalhes do Amor

Esses dias, depois de uma longa viagem, recebi um e-mail de uma pessoa muito querida e que muito amo, que terminava com uma célebre frase de Vladimir Maiakóvski : "Amar não é aceitar tudo. Aliás: onde tudo é aceito, desconfio que há falta de amor." Quando eu li esta frase, entendi todo o contexto do que estava escrito. Bom, não interessa quem me mandou o e-mail nem o que havia nele – é pessoal e intransferível quando se trata dos sentimentos de outra pessoa que não sou eu.
Mas,  nesta cabecinha que eu tenho que não pára um instante sequer, ativa toda a vida e todo o instante, tirei outras conclusõs que não as óbvias. E este post não é sobre mim – um pouco talvez – , é sobre as pessoas e o amor em geral.
Certo, amar não é aceitar tudo. Mas pode-se amar, não aceitar, mas procurar, às vezes com um certo esforço – geralmente com um certo esforço – , sempre compreender e então respeitar o que não foi aceito. Porque respeito é fundamental.
É bom pôr-se no lugar da outra pessoa que você ama, e tentar compreender e respeitar o que se passa na cabeça dela para fazer o que fez, ou falar o que falou, ou o que faltou fazer, ou o que faltou falar – pois porque excessos são julgáveis e os não-excessos não? Nunca entendi isso muito bem. Pois na verdade você não é a pessoa. O que você pode pensar a respeito de alguma coisa (x), ela pode pensa totalmente diferente (y), e mesmo conhecendo-a tão bem, não se entende o que se passou na cabeça dela. Porque sua cabeça é SUA cabeça, a cabeça DELA é a cabeça, bem... DELA!
Porque há no mundo essa coisinha no ar que diz que quando se ama de verdade e principalmente por longos períodos, se sabe tudo sobre a pessoa. Sorry baby, mas não sabe. Nesta vida, procure sempre surpeender-se com as pessoas, por mais que as conheça bem, por mais que sejam parecidos, sempre há algo a descobrir, seja bom ou não, e como disse Einstein: "tudo é relativo". E, na verdade, bem lá no fundo, escondidinho num lugar em que você não quer achar, às vezes você já passou por tudo que a pessoa fez, ou você já fez o que a pessoa fez – ou falou, ou não falou, ou não fez – e então, é por isso mesmo que não aceita... e é justamente por isso que a julga. Deu pra entender a ironia de tudo? Pois é.
E eu quando falo amor, é QUALQUER tipo de amor: materno, paterno, fraterno, amor de amigo(a), amor próprio (pois nós mesmos nos julgamos pelo que fazemos...), amor de namorado(a), esposo(a), mulher, homem, amor platônico. O que eu quero dizer com tudo isso? Não julgue sem saber tudo o que a outra pessoa passou, passa, pensa, sente. Porque o que ela sente, só ela sente; o que ela sabe, só ela sabe; o que ela quer, só ela quer. Cada dor é uma dor, cada um sabe onde a pedra no sapato machuca. É simples, mas ser humano é um ser complicado. E por ser complicado, complica. 
Compreensão e respeito. Simples. Simples mas difícil. Difícil pois há pessoas em que é tão fácil se pôr no lugar dela, são aquelas que falam o que sentem, o que fazem, o que vão fazer; entretanto, há pessoas que é tão difícil que parece impossível, geralmente são pessoas caladas, de poucas palavras, que tem um olhar diferente pra tudo, que prestam atenção aos mínimos detalhes da vida, são aquelas que sempre te surpreendem de alguma maneira.
Eu procuro respeitar sempre o que outra pessoa faz, fala ou pensa. Porque acho que cada cabeça sua sentença. Já briguei muito com as pessoas por causa disso, então aprendi na marra que é melhor deixar estar, respeitar, dar espaço, compreender. E só. O que também não quer dizer que eu seja a mais dócil das criaturas. Não sou. Sou teimosa, não falo "eu também acho" pra tudo, e às vezes é melhor que eu fique quieta do que me ouvir falar o que eu acho – geralmente choco as pessoas com o que eu falo – , me irrito facilmente, e facilmente irrito alguém também pela minha ironia e sarcasmo, que, juro, não são intencionais. Mas procuro compreender e respeitar os pensamentos das pessoas e o que elas fazem. Mesmo que eu não fique falando o quanto respeito e cantando glórias sobre mim mesma, mas pode ter certeza, eu respeito o que você fez ou falou nos meus pensamentos, e não faria nada  pra ferir as pessoas segundo meus princípios. 
Mas seja como pense, e seja como faça, de uma coisa pode ter certeza: as pessoas não fazem as coisas por nada, sempre há um motivo, que para você pode não haver significado, mas para alguém, há muito significado.
E claro, se compreenda e se respeite também. E que nós nunca percamos a compreensão e o  respeito por nós mesmos. E entre nós.

Paolla Milnyczul



'Eu te deixo ser. Deixa-me ser então.' – Clarice Lispector






Conteúdo protegido por Direitos Autorais. 

Um comentário:

  1. querida colega, somente alguém muito sensível e especial pode mesmo citar Maiakóvski. Realmente, amar não é aceitar tudo, mas talvez viver tudo.
    Assim, como uma escritora, você decerto vai conhecer tantos mundos fantásticos. Parabéns pelo blog. Está lindo. A sua cara.

    ResponderExcluir