quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Bobeou? Dançou!

Odeio hipocrisia, falsidade, odeio gente que se finge de besta, que se faz de sonsa. E meu, se não gosta, se acha – ou se não acha – fala na cara caramba! Ah não, esse negócio de gente que ficam falando o que não deve e finge que gosta me deixa irada e com a cabeça explodindo. E quando eu fico com dor de cabeça, eu fico muito mau humorada. 
Gosto de gente que fala o que tem que falar de mim na cara, que dá a cara a tapa, que abre o verbo não é com ele, com ela ou com você. É comigo! Ou com você, se for com você. E desse tipo de gente, tá cheio, eu sei, mas quando é alguém que te conhece e diz que te considera há anos, ah, meu bem, aí dançou comigo. E dançou bonito. Dançou lambada, salsa, merengue e samba de gafieira, tudo junto e misturado.
Porque eu não guardo quando isso acontece! Eu olho, pergunto e  falo, sem papas na língua, sem meias palavras, sem meios tons, sem rodeios, sem medo. Falo muito, e falo alto, falo com raiva, falo irônica, falo sarcástica e com desdém. Olhando nos olhos e fuzilando. E tem coisa pior que olhar fuzilante? Pois é, tenho o meu e o uso sempre que necessário.
Eu fico "p" da vida com esse tipo de gente sem consideração, que fala pelas costas o que nem é verdade, e mesmo se fosse, qual o direito dessa pessoa de falar de você (no caso de mim)? O de livre expressão, certo? Errado, tem meu nome, então tô envolvida e pronto. Rá.
E então a pessoa – aquela, que você mandou dançar – perde também toda a credibilidade daqueles que cercam você, o que levou, com certeza, no mínimo meses construindo. Porque comigo é assim: pra ser meu amigo e ter minha confiança, eu testo. Testo por dias, semanas, meses e até anos, depende do grau da minha desconfiança. Mas quando confio, confio mesmo.
E sim, antes que falem, sei que há o perdão e etc e tal, mas mesmo que se perdoe, nunca se esquece, fica marcado na vida feito papel timbrado. E isso pra mim é o pior dos castigos. Pois como te olhará esta pessoa olho no olho, de igual pra igual? Não olhará. Não de igual para igual.  
Mas aí passa um tempo – que podem ser dias, semanas, meses ou anos, depende da gravidade da questão – e eu olho pra pessoa e penso: "Coitada, ficou ela sem a minha presença. Não me acompanhou, dançou. E não fale comigo, por favor.". Aí viro o rosto e mostro meu lindo nariz empinado. E depois de um tempo simplesmente deixei de me importar. Aprendi muitas coisas nos meus vinte e poucos anos de vida, e uma das mais importantes é: aperte o foda-se às vezes. Pois é, apertei. Faz um bem sem igual!
Agora, ao meu lado, são poucos, bons e muito bem escolhidos – assim como meus livros. E tô muito bem pois tenho hoje pessoas queridas ao meu lado, que tornam mais leve minha já leve vida. Porque cada consciência têm um peso. A minha tá leve, levíssima. Sei que posso colocar minha cabeça no travesseiro e dormir tranquila sem pesadelos – só sonhos. 
E a pessoa? Ah, a pessoa tá dançando ainda, de salto agulha e plumas, com os pés doloridos, a expressão cansada e a consciência pesada.

Aconteceu isso com você? Manda dançar meu bem, sem medo! Quem tá perdendo não é você!

Paolla Milnyczul


"Antes de julgar a minha vida ou o meu caráter... calce os meus sapatos e percorra o caminho que eu percorri, viva as minhas tristezas, as minhas dúvidas e as minhas alegrias. Percorra os anos que eu percorri, tropece onde eu tropecei e levante-se assim como eu fiz. E então, só aí poderás julgar. Cada um tem a sua própria história. Não compare a sua vida com a dos outros. Você não sabe como foi o caminho que eles tiveram que trilhar na vida "  Clarice Lispector.



Conteúdo protegido por Direitos Autorais.

2 comentários:

  1. ADOREI! Isso mesmo, mande dançar sem medo!!! BEIJOOO AMORA

    ResponderExcluir
  2. Uau... Isso sim é ser intensa. Muito bom texto, Paolla querida!!!

    ResponderExcluir