quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Descobertas, Faxinas, Ondas e Uvas

Estes dias viajei – aí vocês pensam: 'como viaja essa menina!'. Fui passar o Natal em Araras, SP. Conheço muito daquela cidade linda, que vou desde criança, cidade na qual fiz minha faculdade, e que tem o melhor sorvete do mundo, o da Sorveteria Nova – não conheço melhor até hoje. Mas onde eu fui neste Natal, sinceramente não conhecia. E foi inédito, e lindo, lindo; um sonho. Conheci gente nova, fui a lugares novos, e amei, amei tudo, da ida a volta. Foram cerca de 3.400km muito bem rodados, e com mais dois livros na mala - Poemas Escolhidos do Reynaldo Alberto Wunsche – livro este que ganhei da mão do próprio autor em sua própria casa, com dedicatória e tudo! – , e Cartas Entre Amigos de Fábio de Melo e Gabriel Chalita.
Agora o Natal já veio e se foi, e o final do ano tá chegando. Esse final de ano quero viajar – como (quase) sempre. Quero passar na praia com pessoas especiais, e ainda pular as 7 ondinhas na virada do ano pra dar sorte e comer 7 uvas pra ter fartura – nunca pulei ondinhas nem sou de superstições, mas vai que dá certo!
Deste ano vou levando muita coisa e deixando outras. Foi um ano no mínimo diferente – o ano das descobertas, das minhas descobertas, descobertas importantes e interessantes sobre e para mim mesma e sobre a vida – , em que fiz coisas diferentes e comecei projetos importantes pra mim - e que se não fosse por você, dona Karen, eu não conseguiria começar! – , ano em que eu me libertei de mim mesma e resolvi dar a cara a tapa pra vida sem medo nem fricotes, sem 'nhé-nhé-nhé' – e estou amando. Que redescobri o caminho pra ser eu mesma de novo e vou continuar sendo, doa a quem doer, machuque a quem machucar – porquê eu me respeito! E ponto. 
Ano este em que eu vi que às vezes é bom olhar pro próprio umbigo um pouco e deixar as coisas rolarem enquanto você se ama indescritivelmente; em que parei de ouvir o que certas pessoas falam e que afirmei com todas as palavras que não tô aqui pra agradar ninguém, e quem quiser gostar de mim que goste, quem não gostar paciência, não sou santa e nem pretendo! Vi que com o tempo a gente aprende a distinguir as coisas, os sentimentos, as pessoas. Não vou dizer que sei fazer isso cem por cento - ninguém sabe, e se alguém souber, favor avisar!
Este ano fiz uma faxina na vida e tirei quem tava sobrando, quem não acrescenta, quem me faz mal. Só deixei aqueles que me fazem bem. Porque a gente tem que fazer isso de vez em quando. Abrir o baú da vida,  e tirar o que não presta, o que não serve, o que só atrapalha, que só ocupa espaço, e ainda sacudir o baú de cabeça pra baixo no final pra cair a poeira, e quem e o que tava ali só por estar, por comodismo meu, eu DELETEI. Assim, com caps lock, bem grande e ditando as sílabas: DE-LE-TEI! 
Depois passei uma demão de verniz e deixei ele novinho, e coloquei de volta tudo que me serve, que me faz bem, que me acrescenta. Não vou falar que é fácil, mas é necessário pra se poder viver bem consigo mesmo! Nesse processo houveram muitos 'ais' e muito choro, muitos 'porques?!', muitas decepções e muitas tristezas, mas hoje eu posso falar que me sinto muito mais leve.
Descobri como usar um dom pra, no mínimo, viver mais feliz, vi meu irmão se formar depois de anos na luta – e senti um puta orgulho dele por isso – , fiz novos e bons amigos, conheci lugares, e, importante: descobri quem são meus amigos mesmo, de verdade – pelo menos até agora. Descobri que há palavras que não se podem usar, pois você morde a língua depois: "nunca" e "sempre".Descobri também que a felicidade não está em canto nenhum e ao mesmo tempo está em tudo, e não se acha nem se procura, felicidade é felicidade, não tem explicação, mas é bom demais!
E refletindo assim, vi que apesar de tudo o que aconteceu este ano – que não foi pouca coisa mas que poderia haver mais, eu ri, chorei, bebi, amei, saí, dancei, viajei, me iludi, me desiludi, briguei, fiquei de mal, fiz as pazes, desabafei, escrevi, fiz planos, completei etapas, ganhei as primeiras mínimas ruguinhas de expressão, experimentei novos cortes de cabelo, enfim, VIVI! – tudo valeu muito a pena! Mas uma coisa é certa: não sou a mesma Paolla de 1 ano atrás. Estou diferente, embora seja a mesma. Só quem me conhece muito bem sente a sutil diferença no ar.

E que venha 2012, e que seja doce, mas não tão doce a ponto de enjoar, com novas descobertas, novas pessoas, novos lugares, novos livros, novas viagens, começando com ondinha pulada, uvas e tudo o mais! Tim-tim!

Paolla Milnyczul


"Um dia de cada vez, que é pra não perder as boas surpresas da vida."  Clarice Lispector





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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Reflexão do Mês - Dezembro


"Independência nada mais é do que ter poder de escolha. Conceder-se a liberdade de ir e vir, atendendo suas necessidades e vontades próprias, mas sem dispensar a magia de se viver um grande amor. Independência não é sinônimo de solidão. É sinônimo de honestidade: estou onde quero, com quem quero, porque quero."

Martha Medeiros


terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Cheiro de Natal

É, o Natal tá chegando. E tudo muda em volta: as ruas ficam ornamentadas, as praças cheias de pisca-pisca, os shoppings lotados, há um Papai Noel em cada esquina – tadinhos, nesse calor será que não desidratam? – , as pessoas estão comprando presentes para amigos ocultos e festas de confraternização, organizando festas natalinas e montando suas árvores de Natal.  O ar muda.
Mas pra mim nada irá ser novamente como os Natais de outrora, quando o Natal era a melhor época do mundo porque eu viajava com meus pais e meu irmão por quase dois dias pra ver minha família. Me lembrando agora, eu consigo até sentir o cheiro do Natal.
Aquele cheiro tão conhecido da casa da minha querida tia. Toda a família – e é grande! – se reunia nos finais de ano; primos, primas, tios, tias e a minha avó, a matriarca da família. Todos iam, ninguém faltava, era sagrado. E sempre havia os passeios – vários e variados, que era pra entreter a gente mesmo! Lembro da entrada da casa, o pequeno jardim, a escada em espiral, a sala grande. Lembro de entrar sala adento e encontrar a árvore ornamentada, cheia de neve artificial e bolinhas natalinas, com uma grande estrela dourada no topo.
A mesa sempre farta e cheia, e sempre – sempre! – havia a lasanha que a minha tia fazia pra mim e pra meu primo, com muito queijo e molho transbordando o prato. Ou costeletas de porco assadas até os ossos ficarem crocantes com molho rosé. E as tortas de maçã com canela, maracujá ou limão, com suspiro por cima. Champanhe, sidra, vinho tinto, vinho branco, uísque, e refrigerante.
Cafés da manhã gigantescos com todos ainda de pijama sentados à mesa discutindo o que iria ser feito naquele dia, como e onde, os croissants maravilhosos – de queijo, de chocolate e o tradicional – e o pão quentinho com geleia de morango e café borbulhante.
Esse Natal super tradicional persistiu por muito tempo, mas infelizmente, depois que a minha tia faleceu, ele nunca mais aconteceu.  Depois vieram outros Natais, mas sem aquele encantamento de antes, sem aquela pequena aura de magia no ar. Foram vários Natais inesquecíveis, e devo principalmente à ela, minha querida tia Catarina tudo o que de bom me lembro do Natal.
Pra mim Natal é isso. É família reunida, sem 'ais' nem 'uis'. É, pelo menos durante um pequeno espaço de tempo, esquecer a agitação de final de ano, espairecer, desacelerar e desfrutar de tudo que é bom na vida, acompanhada de pessoas especiais. É Paz.
Este ano o meu Natal vai ser diferente. Totalmente desconhecido. E, tenho certeza, será além de diferente, maravilhoso! Adoro o desconhecido, e o inédito me encanta!

Desejo a todos um Natal iluminado e cheio de Paz!


Paolla Milnyczul


"Nada dura para sempre, nem as dores, nem as alegrias."  Caio F. Abreu





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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Os Mini Adultos

Eis algo que nunca entendi e pelo visto nunca entenderei: porquê sempre que alguém não concorda com algo que você faz – ou vai fazer – , a pessoa pergunta se você enlouqueceu? E afinal, o que seria a loucura?... Eu digo sinceramente: eu não sei, o que eu sei é o que não é loucura pra mim. Porque o que pode ser pra mim pode não ser pra você, ou pra sicrano ou pra beltrano. Simples. 
Por exemplo: quando eu disse a plenos pulmões e com todas as letras que não queria ter filhos (!), fui olhada por meia dúzia de pessoas como uma monstra devoradora de criancinhas inocentes que não merecia viver. Me senti na Inquisição em pleno século 17 com dezenas de pessoas correndo atrás de mim com foices e forques gritando: "Peguem-na e ateiem fogo, é uma bruxa!"
Mas logo depois do desconforto inicial, eis que uma alma surge e conserta todo o sentimento de indignação de todo o grupo composta em sua maioria por mulheres falando algo como "Ah mas um dia você vai querer", seguido de um "E quando você envelhecer, quem vai cuidar de você?".  
Loucura pra elas é isso: uma mulher não querer ter filhos – e anunciar isso sem a menor culpa.
Pois loucura pra mim é: colocar uma criança num mundo como de hoje em dia, em que você nunca sabe em quem confiar. Em que não há segurança nas ruas e carros demais – e, diga-se de passagem, em altíssima velocidade – ; em que a educação pública é ineficiente e ineficaz e a particular são os olhos da cara; em que, se não se tiver um plano de saúde, têm que aguardar na fila de um hospital cerca de umas 12h para ser atendido com uma criança doente e chorando no colo; em que a única diversão que estas crianças veem é Playstation, computador, internet – e ainda se tem que controlar o que eles veem e bloquear sites – , jogos online e televisão, além do consumismo desenfreado das crianças, que mais parecem na verdade pequenos adultos – as meninas de saltinho e os meninos com tênis da última moda que se perderão em menos de 1 ano, visto que os pés crescerão – ; em que há gente nada confiável na porta das escolas vendendo "doces" nada confiáveis às crianças; em que a tentação está em cada esquina e as meninas engravidam com 13 anos e acham normal; em que não há música de qualidade – afinal, criança associa tudo ao que ouve, o que ela vai pensar ao escutar Tati Quebra-Barraco?!
Parece loucura? Não, sinto muito meus queridos, é a REALIDADE deste país lindo por natureza – quer litorais e chapadas mais lindo que os nossos? – em que vivemos, portanto, devemos consertá-lo. Uma batalha difícil, visto que a corrupção corrói as almas até dos mais puros – mesmo se for em seus pensamentos.
Vivi minha infância numa época que meu único medo era o "homem do saco", que se comia fruta do pé – e no meu caso, de preferência empoleirada nos galhos das árvores, ai, as mangueiras e pés de jambo da minha casa! – , que se brincava na rua de queimada, futebol, passa anel, mula, corrida; que se ficava descalço a maior parte do tempo, e que ganhar roupa de presente de aniversário era sinônimo de choro. 
Que não existia computador – nem Facebook, Orkut, MySpace, Google +, Google, Twitter entre outros – ,  notebook, iPhone, iPod, iPad, BlackBerry, celular, TV a cabo, nem Nintendo XBOX. Havia no máximo um Atari muito surrado que eu precisava dividir com meu irmão. E,  principalmente, vivi numa época em que as mães mandavam nos seus filhos e não o contrário – no meu caso, bastava os olhos castanho-esverdeados da minha mãe se arregalarem e eu já congelava – , e que a gente falava "com licença", "obrigado", "desculpa", e "por favor" – e se não falasse, o pai (ou mãe), perguntava: "como se diz mesmo?". Pois é. E eu sobrevivi e estou aqui, eu, euzinha, saudável, sem faltar um pedaço sequer e sem traumas.
E quer saber? Tenho MUITO orgulho de ter vivido naquela época, em que criança podia se sujar à vontade, e não existiam tantas vacinas – nunca vi ter tanta vacina pra criança hoje em dia, na minha época eram as essenciais e depois tchau, agulha!, vou ser feliz sem você – e sem o Zé Gotinha.
Sim, eu posso falar com todas as letras: eu tive infância! Pois as crianças hoje em dia não a têm mais, e eu sinto pena das nossas gorduchas e bochechudas crianças que vivem em casa presas à uma tela, engordando e tendo obesidade infantil, e sendo "mini adultos" – e os pais incentivam! Gente, criança tem que ser criança, tem que ouvir NÃO, tem que parar de querer ser adulto, tem que ter rédeas, tem que ter LIMITE! Senão, como será daqui a 30, 40, ou 50 anos? O caos, já que hoje em dia elas tem tudo que quer na mão e com o consentimento dos pais, que só falta ficarem de joelhos e responderem "sim, minha alteza", e vivem sem limite algum! Claro que esta é apenas minha visão geral da infância de hoje em dia, visto que há exceções.
Digo sem medo que se alguém me perguntar a minha  maior saudade, respondo: minha infância. E tenho certeza que falo por muitas gerações que tiveram uma infância como a minha, como toda criança deveria ter: FELIZ!
Pergunto agora: o que você quer para daqui a 50 anos? Coisas boas para você, sua família, seus filhos, seus amigos, correto?  É fácil e simples conseguir: eduque as crianças, principalmente em casa. E deixe-as ser o que são: crianças! Elas merecem.

Paolla Milnyczul

"O que se faz agora com as crianças é o que elas farão depois com a sociedade."  Karl Mannheim 




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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Inquietude de Dezembro

Olho o dia lá fora e o céu está azul e quase sem nuvens, o sol ofusca até a visão, e a claridade faz doer os olhos. O ventilador ligado aqui ao lado, fazendo um ventinho bom. Calor não me apetece a alma. Dezembro chegou, trazendo consigo o calor.
Dezembro chegou, e junto com ele, sempre vem o "e se...". É. Repara, sempre que chega o final do ano todo mundo se questiona: "e se..., será que teria sido diferente? Será que eu teria amado mais? Será que eu teria amado menos? Será que eu teria sido mais ou menos feliz? Será que eu teria sido feliz? E se...será que... será que o quê mesmo?"
Pois é, final do ano começa a chegar e os "e se... será...?" começam a aparecer. Várias perguntas, todas sem resposta, pois não é possível ser azul e vermelho ao mesmo tempo – e muito menos, voltar no tempo. O "e se" é cruel pois nunca saberemos, e ficamos com a plena consciência de que nunca temos 100% de certeza naquilo que fazemos e escolhemos, afinal, pra toda escolha, há dois caminhos – e você só pode seguir um deles. Pois não somos dois. Somos um. E temos que escolher: ou o azul, ou o vermelho.
Reflexão. Pensamento. Perguntas. Questionamentos. Voltar no tempo pelo pensamento – fazer acontecer o que nem aconteceu e nem irá – e sentir-se bobo por isso. Normal. Aliás, super normal, afinal, se não existissem questionamentos, perguntas e reflexões, onde nós, seres humanos, estaríamos agora? Achando que a Terra é o centro do Universo e o Sol gira em torno de nós? Não, sei, mas e se (lá vem ele de novo) Galileu não tivesse olhado o céu e feito suas descobertas, onde estaríamos agora? Impossível saber – mas como eu disse, não voltamos no tempo.  
E quando chega essa época do ano, e os vários "e se" tomam conta da vida, eu fico assim; nostálgica, um pouco melancólica, questionadora das minhas atitudes – 'foram certas ou erradas?.. e se?...' – , sem ter resposta de nada, irritadiça ao extremo, qualquer coisa me acende o pavio já curto – pois odeio não ter resposta para as coisas. E vendo que mais um ano passou – quase, até às 23h59min59s do dia 31 ainda é este ano. E que o tempo tá correndo rápido demais, e eu tenho tantas coisas a fazer que não fiz, será que vou ter tempo de fazer – e poder fazer – tudo isso ano que vem?
Reflexões, reflexões, que seria de mim sem vocês? Nada, só um corpo que anda, um coração que bate, uma cabeça que não questiona e não pensa, é automática, que nem robô – não sou eu, com certeza, pois meu corpo não anda, corre maratona; meu coração não bate, espanca no peito; e minha cabeça não é automática, ela pensa, repensa, reflete, pensa de novo, ativa e ágil, sem parar. Sou uma exclamação (!), sou uma interrogação (?). E ser assim dá uma canseira e um desassossego n'alma, que não é possível descrever, só sendo pra saber.
Ao mesmo tempo, tantas coisas comecei a fazer que achei que nem seria capaz – e fico feliz por ter começado. Agora tenho que terminá-las, e são várias. Uma delas até tá perto de terminar, outra ainda leva tempo – e ai, como eu queria que fosse o contrário, pois tem coisa melhor que sonho realizado? Não pra mim. E tantos projetos tenho pra minha vida, e ai, tenho que levar adiante! O caminho é difícil, cheio de espinhos, e cheio de 'ais', mas se fosse fácil, teria graça consegui-los? Não, tudo que fácil vem, fácil vai.
E hoje acordei desassossegada e com a alma mais inquieta do que o normal. Com vontade de falar um monte de coisas, que só eu – só eu? ora, Paolla, não subestime os outros! – tenho como entender. Mas não falo. Não falo porque... por quê mesmo? Não sei, talvez porque poucos irão entender, talvez porque não queira falar, e seja só isso. Enquanto isso os "e se" ficam brotando na minha cabeça, e não adianta, até o final do ano assim vai ser, independentemente do que aconteça ou do que falem – não vai adiantar, fiquem já avisadas, pessoinhas do meu coração.
E por mais que a gente tente, nunca conseguimos não refletir neste mês que se inicia, e ninguém é exceção nisso. Mas o tempo urge, e eu preciso dizer tantas coisas a tantas pessoas, preciso fazer tantas coisas que ainda dá tempo de fazer, preciso, preciso, preciso... Ai, que inquietude! Ai, quanto 'ai', quantos 'ais'. Ai!
Mas sinto que estou precisando mesmo é da necessária solidão. Da necessária quietude da alma. Do necessário silêncio. De unir corpo e espírito. Sem nada nem ninguém. Só eu, só. 
Difícil ser gente. (Grande).

Paolla Milnyczul

"Impossível enquadrar o que lateja, o que arde, o que grita dentro de nós."  Clarice Lispector



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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O Que Te Faz Feliz?

Eu simplesmente não sabia o que escrever. Não por que estava sem idéias, bem ao contrário, as idéias pululavam em minha cabeça, e  tantas e com tantos temas, que acabei ficando, na verdade, sem foco. Então, estava navegado na internet e me deparei com uma foto com fundo branco na comunidade do Blog Eutimia às Avessas somente com a seguinte frase: "O que te faz feliz?" Aí me chamou a atenção e cá estou eu falando sobre o que me faz feliz. O que me faz feliz, pergunto-me a mim mesma? Tanta coisa me faz feliz.
Família, amor, amizade – essenciais! Viajar, praia, mar, maresia, nadar, água de coco, a empada da casa das empadas, que fica no meio da estrada e quase de frente pro mar. Animais. Soltos, de preferência. 
Liberdade: de expressão, de pensamento, de idéias, de viver. Fotografia, arte, cultura, leitura, literatura – melhor dizendo, boa literatura. Natureza. Acampar – ai, não acampo há séculos! – , com direito a trilha e banho de cachoeira. Festa, dançar, drinks coloridos de nomes impronunciáveis e exóticos. Reencontrar amigos, fazer novos amigos, conhecer novos lugares e novas pessoas. Conhecer, conhecimento, saber, observar.
Fazer alguém feliz e receber o sorriso sincero desse alguém – um amigo, um parente, ou alguém que você não conhecia até 15 minutos atrás.
Viajar na batatinha, escorregar na maionese e cair de cara na mostarda – é, mostarda que é mais picante pra acordar de verdade. Pensar no nada olhando pra tudo, pensar em tudo olhando o nada. Pensar. Pensar me faz feliz, porque no pensamento sou livre, sem rédeas ou amarras. Música: rock nacional – sou viciada em Legião Urbana e Cazuza desde pirralha – , clássica – Claude Debussy é o favorito, não tem Mozart que chegue perto pra mim (e tenho dito!) – , jazz clássico e de preferência instrumental, blues, MPB – ai Marisa Monte, Elis Regina – , bossa nova – ai, Nara Leão, Tom Jobim, Toquinho.
Mensagens de texto trocadas com amigos, ai que coisa boa! Sou viciada em mensagem de texto e receber e mandar uma me faz muito feliz. Mando pra todos, pai, mãe, irmão, cunhada, madrasta, amiga, amigo, colegas de trabalho... todos! Não só por mandar, mas porque me sinto mais próxima. Mas se sentir mais próxima de alguém que já é próximo? Sim. E ponto.
Fone de ouvido. Coisa mais louca, fone de ouvido te faz feliz, Paolla? Faz. Faz porque quanto eu o coloco fico dentro do meu mundinho perfeito e nada pode me atingir. Nem pensamento.
Sorrir. E chorar. E sentir – tem coisa melhor que sentir, seja lá o que for? Para mim não há! Viver. Viver tudo. E com tudo a que tenho direito – amar, desamar, sofrer, chorar, sorrir. Viver. Carinho, abraço, e cafuné. Tomar banho frio em um dia de calor; achar dinheiro no bolso de uma roupa que você não veste há seis meses.
Dia nublado e dia de chuva, chuva forte, pesada; tempestade com direito a raios, trovões e relâmpagos. E falta de energia, que é bom pra ver as estrelas. Outono e primavera.
Porquê no outono a gente sente aquele ventinho gelado no rosto, o céu fica límpido e sem nuvens, e mesmo assim o sol brilha, fazendo todas as nuances de cores das folhas que caem ao chão dançarem nos olhos – amarelas, marrons, avermelhadas, que fazem da calçada um tapete de folhas e você se sente até importante quando passa por ele, é o tapete vermelho da natureza pra você, aproveite!
E primavera por quê o tempo esquenta mas nem tanto, os ipês desabrocham em mil cores, as flores começam a aparecer, os pássaros me acordam todos os dias – é, são eles que me fazem pular da cama antes do despertador tocar, descobri – , e o pôr do sol é o mais lindo – tons de púrpura, vermelho, rosa, e lilás ao fundo quando tá quase anoitecendo. Lua, noite e madrugada – adoro madrugada, é como andar no abstrato.
Estrada. Sim, pois estrada sempre te leva a algum lugar, que você pode conhecer ou não. Ou me leva de volta pra casa, ah, minha casa, minha cama, meus livros, meu canto, meu sofá, que coisa boa.
Fazer amor de madrugada. É, eu sei, parece letra de música do Kid Abelha, mas apesar de ser clichê, tem horário melhor? É um amor feito em um horário inusitado, que, pêgo desprevenido, não há quem diga não.  
Folha em branco. É. Por quê aí eu posso escrever sem ter fim, tudo que me vêm à cabeça – como agora. Porquê página em branco a gente preenche. Com poesia, poema, conto, crônica. Com tudo; com nada – mas o que é tudo? E o que é nada? Não sei. Com palavras que nunca serão ditas – nem lidas. Com palavras que serão ditas e lidas. E eu escrevo porque vejo a folha em branco, e, como toda mulher – toda? – sou insaciável, e, sendo insaciável, enquanto estiver em branco escrevo. Até que me falhe a inspiração, me doa os dedos, ou fique longo demais como já está, e eu vou ficando por aqui antes que fique maçante.
Mas e quanto a você, já parou pra pensar no que te faz feliz?

Paolla Milnyczul

"Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê. Você é o que ninguém vê."  Martha Medeiros




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Reflexão do Mês - Novembro

"Esta vida é uma estranha hospedaria,
De onde se parte quase sempre às tontas,
Pois nunca as nossas malas estão prontas,
E a nossa conta nunca está em dia."

(Mário Quintana)


domingo, 27 de novembro de 2011

Tesouros da Vida

Eu não sei quando foi que eu comecei a ler, mas eu me lembro de quando tinha uns 8 ou 9 anos e a minha mãe me chantageava de uma maneira que eu acho que mãe alguma chanteageria uma criança: sem lição, sem livro. E não era só gibi do Maurício de Souza, era livro mesmo – de criança mas era. Sério.  
Aos 12 anos, surgiu em minha vida Sidney Sheldon em Nada Dura Para Sempre, e foi então que comecei a lê-lo, li quase todos, e hoje em dia coleciono seus livros como raridades. Mais ou menos nessa idade, me lembro de ler Coma de Robin Cook – difícil para a minha compreensão naquela idade, mas eu adorei mesmo assim. Livro que peguei emprestado – e escondido – do meu pai, que descobriu e acabou me dando, aí me apaixonei por Cook, mas não achava seus livros, eles tem uma linguagem muito específica e difícil.
Clarice Lispector entrou em minha vida do nada, num dia chuvoso aos 15 ou 16 anos. Pois do nada apareceu na minha frente sua crônica Mineirinho e eu vi aquela apaixonante e louca – que louca! – narrativa, e desde então leio-a cada vez mais, e nunca me canso.  Assim como Machado de Assis, Cecília Meirelles, Eça de Queiróz, Pablo Neruda, Drummond, Mário Quintana, Manuel Bandeira, todos eu li nesta época. Mas Clarice marcou mais.
Aos 17 anos, Anne Rice e seu livro O Vampiro Lestat entram em minha vida, ela com seus intensos e vulneráveis seres místicos me conquistou também, li tantos, e todos são apaixonantes, um completa o outro, é louco, ensandecido, um livro após o outro, incríveis, e todos tem reticências – deixam um gosto de quero mais.
Aos 19 anos, já havia lido toda a obra de Jorge Amado, e gostei de quase todos – menos O País do Carnaval – ai, que narrativas apaixonantes, que personagens complexos e ao mesmo tempo tão simples – Tieta, Tereza Batista, Gabriela, Dona Flor. O que eu mais gosto é Tereza Batista Cansada de Guerra, me encantou a batalha daquela mulher. Mulher brasileira, é o que Tereza é.  
Mais ou menos aos 21 ou 22 anos, me encantei com Rosamunde Pilcher em O Regresso, um livro gigantesco com cerca de mil páginas. Pois li e reli e virou relíquia, tá na casa do meu pai, porque minha irmãzinha leu e gostou, então lá deixei, e logo depois comprei Os Catadores de Conchas e O Tigre Adormecido. Na mesma época, li Okavango, de Achel Tinoco, e gostei do estilo, este mês ele lança outro dos seus livros, Batalha de Mestre, que não li, mas estou louca para ler – parabéns amigo!
Foi mais ou menos nesta época que eu morei no interior de São Paulo, e, maravilha das maravilhas, minha casa ficava a duas quadras da Biblioteca Municipal, e eu, universitária, dura e sem computador, toda semana tava na biblioteca deixando um livro e pegando outro – foi assim que consegui ler quase todos de Robin Cook e Clarice Lispector, reli quase todos de Jorge Amado, e descobri autores novos, Dan Brown é um deles, mas de todos os seus livros, nenhum me chamou a atenção a ponto de eu colocar como um dos meus autores prediletos.
Hoje em dia tenho em mãos Martha Medeiros em Feliz Por Nada e, ai, cada crônica, cada relato, é verdadeiro, e é lindo. Ela é uma mestra da vida, ensina, faz a gente viver lendo, e também Clarice na Cabeceira, um montante de vinte crônicas da Clarice escolhidas a dedo, entre elas, aquela pela qual eu me apaixonei por  ela – Mineirinho. Clarice escreve despudorada, livre de amarras, com intensidade e emoção, nua de rótulos.
Tenho uma sede de conhecimento e de livro sem fim, provei e gostei, meus livros são meus tesouros, é ouro e prata de conhecimento. Não me vejo sem livros e mesmo hoje em dia, com toda a popularidade dos e-books, gosto é de livro. Das páginas e do cheiro de livro novo, da capa e suas nuances e relevos, seus resumos. Tenho a ambição ultimamente de conseguir ter em casa todos que li e mais alguns da Clarice Lispector e os da Martha Medeiros. Parece uma ambição tão pequena, mas não é.
E quem disse que conhecimento é  algo pequeno?

Paolla Milnyczul

"Provação. Agora entendo o que é provação. Provação: significa que a vida está me provando.
Mas provação: significa que eu também estou provando. E provar pode se transformar numa sede cada vez mais insaciável." 
– Clarice Lispector




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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

'Amigo, estou aqui.'

Porque é impossível escrever aqui e não falar de você. E esses dias eu vi Toy Story por sua causa, só pra ouvir aquela frase: 'Amigo, estou aqui', porque é a sua cara! E não vou citar nomes, porque quem tá lendo sabe quem é. Pois é, amizade tem dessas coisas, a gente se entende sem nomes.  Eu te conheço há quanto tempo? 10 anos, talvez mais? Ninguém sabe - nem você - , mas é por aí. Te conheci com o cabelo rosa pink até a bunda, e depois disso você já pintou seu cabelo de vermelho, loiro, preto, ruivo, que nem sei mais qual a cor natural do seu cabelo.
E sabe porque você tem esse espaço todo na minha vida, de estar sendo homenageada aqui, que é pra todo mundo ler, ver e saber? Por vários porquês. Porque você nunca solta a minha mão mesmo estando tão longe – quantos quilômetros, 1.000km, 1.800km, 2.000km?  Não importa quantos sejam, você não solta. E você respeita meus mergulhos, minhas insanidades, meus pensamentos, minhas coisas. Porque você é amiga, solidária, gentil, fiel, leal, meiga. É doce e azeda, depende do que acontece, quando acontece, com quem acontece e porquê acontece.
Porque você sempre me empurra pra frente, e respeita meu presente, mesmo conhecendo o meu passado. Porque você confia em mim de um modo que ninguém confiou antes – é recíproco e verdadeiro. Porque você reconheceu em mim talentos que eu sabia que tinha mas não usava, aí você me deu bronca e falou: "acorda, vai lá e faz, é seu isso, só seu!". Porquê você sabe que eu odeio que me chamem pelo nome, e então me deu um apelido que só você chama; porque outra pessoa não deixo, já dei até bronca.
Porquê todo dia eu sei que vou acordar e que a mensagem vai estar lá, dizendo: "bom dia" e ao ir dormir, um "sweet dreams, sweety", e, antes de um feriadão, um "feriadão chegando, vai fazer o que?". Porque você sabe como eu tô só de falar  "oi", porquê você me ouve, presta atenção, e me fala coisas que dão o que pensar, como aquela dia em que você falou: "eu me RECUSO  a ser infeliz"; nunca esqueci aquela conversa e em especial esta frase, acredita? Porquê você puxa meu pé quando vê que eu estou sonhando demais e tirando os pés do chão, me chama pra realidade – e vice-versa.
Porquê você se parece comigo – 'ai, quanto intensidade cabe em uma pessoa?' – , portanto me entende. Porquê torcemos para o mesmo time, adoramos tatuagens, somos sensíveis, extremistas, dramáticas, ciumentas – eu bem pouco, você, bem mais! – , desabafamos uma com a outra, adoramos dançar, música, viajar, praia e boa companhia, odiamos que nos podem e peguem no nosso pé, amamos liberdade e não ter que depender de ninguém, não vivemos no morno, ou é quente ou é frio, e quando se trata da matéria "amor", ah, somos tão estabanadas como ogros em um restaurante! E temos até o mesmo sublime defeito de ficar ruminando sentimentos não tão bem-vindos, e de repente explodir, deixando todo mundo boquiaberto e pensando "mas o que eu fiz?!"; a única diferença é que você fala mais e rumina menos, coisa que eu tenho que aprender ainda.
Mas nem tudo é tão parecido, há coisas imutáveis em nós que são só nossas: você é mais nova que eu e já é mãe, eu nem penso em ter filhos um dia; você é vegetariana, eu não; você adora tomar uma Brahma assistindo futebol com o maridão; eu não entendo nada de futebol, não gosto de jogo e prefiro Stella Artois long neck; você tem uma paciência que às vezes parece inesgotável, eu sou terrivelmente impaciente; você é de Gêmeos e eu de Aquário, só para citar as mais marcantes diferenças.
E mesmo com todas estas diferenças, como você consegue ser assim, tão eu? E me entender tão bem? E como eu consigo te entender tão bem, e ser tão você? Às vezes dói ser assim como a gente, não dói? E outras vezes, é muito bom, não é? Tão bom que a gente pula e ainda faz dancinha! E vale a pena, porque a gente VIVE. E a gente sabe onde a pedra aperta o pé da outra porquê pensamos e sentimos igual – isso é fato!
E você me entende tão bem, porque na verdade eu sou você, você sou eu, e eu sou tão você e você tão eu, que poderíamos habitar o mesmo corpo – e dar o dobro de trabalho a quem nos conhece de tentar nos entender.
Respeito. Compreendo. Sou fiel, leal e ai de quem mexer com você, não gosto e ainda brigo!
Amo muito, e não se esqueça: amiga, estou aqui!

Paolla Milnyczul

"A amizade tem esse poder que afasta os medos, desfaz amarras, sustém o golpe fatal, ampara a queda, reata as partes, clareia as sombras da alma, recobra as forças vacilantes e faz começo o que já era fim." – Charles Chaplin




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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A Vida e Suas Nuances

Sabe quando tá tudo nos eixos, o mundo gira, as coisas estão perfeitas, tudo parece estar indo bem demais, e de repente, plaft!, lá vem ele, o tapa. Tapa de realidade. Pois é, deveria até ter desconfiado, mas às vezes, nestas minhas mudanças loucas, fico com a cabeça nas nuvens e nem reparo que está tudo bem demais. E, como todo bom tapa, dói. Dói e deixa marca. Dói muito, mas passa. Deixa o rosto marcado, você fica cambaleante, zonzo e sem entender direito. Mas passa. E de repente,  você vê que, sim, pode vencer a dor daquele tapa. Não importa o quanto demore, não importa o que faça, não importa o que  falem, somente siga. 
Vá em frente, continue andando, não olhe pra trás. Haverá curvas, buracos, chuva, lama, pedras, ladeiras, mas não desista. Somente siga, foque seu objetivo, e como disse há pouco tempo a uma amiga minha – aponta e rema!
Porque a vida tem essa mania, esta terrível mania – será terrível mesmo? – de fazer com que nossos sonhos sejam conquistados arduamente, com muito suor escorrido do rosto, e tudo que é conquistado com nosso suor vale mais, mesmo que pequeno, fútil, frívolo – pra alguém vale muito.
Ontem recebi um desses tapas, e acordei pra vida, saí do meu mundo perfeito onde tudo ia dar certo, parei de cruzar os dedos pra dar sorte, e fui pega na curva pelo tapa – tão na curva que foi quase na tangente. E foi bom, pois ver onde você está errando – sim, pois foi erro meu, confesso mesmo não querendo admitir – e então, ao consertar, você sente que desta vez vai. E que vai ser diferente, e que tudo vai dar certo.  
E é nesse momento que sai de você uma força estranha, que o impulsiona para a frente, que faz dançar de contente do tapa que lhe foi dado – entretanto sem oferecer a outra face.
E eu me sinto como aquela garota, que, desavisada do tempo, é  pega no meio do caminho pela chuva, e segue, pé ante pé na tempestade, com a mochila pensa em um dos ombros, os cabelos molhados grudados no topo da cabeça, o all star encharcado, e mesmo assim, ela pára, olha para cima e pensa que não são gotas de chuva, mas sim gotas de felicidade, e continua seu caminho, sorrindo tranquila.
Contraste louco; vida insana.

Paolla Milnyczul

“[...] já de saída a minha estrada entortou, mas vou até o fim.[...]. Eu bem que tenho ensaiado um progresso.” – Chico Buarque


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domingo, 20 de novembro de 2011

Detalhes do Amor

Esses dias, depois de uma longa viagem, recebi um e-mail de uma pessoa muito querida e que muito amo, que terminava com uma célebre frase de Vladimir Maiakóvski : "Amar não é aceitar tudo. Aliás: onde tudo é aceito, desconfio que há falta de amor." Quando eu li esta frase, entendi todo o contexto do que estava escrito. Bom, não interessa quem me mandou o e-mail nem o que havia nele – é pessoal e intransferível quando se trata dos sentimentos de outra pessoa que não sou eu.
Mas,  nesta cabecinha que eu tenho que não pára um instante sequer, ativa toda a vida e todo o instante, tirei outras conclusõs que não as óbvias. E este post não é sobre mim – um pouco talvez – , é sobre as pessoas e o amor em geral.
Certo, amar não é aceitar tudo. Mas pode-se amar, não aceitar, mas procurar, às vezes com um certo esforço – geralmente com um certo esforço – , sempre compreender e então respeitar o que não foi aceito. Porque respeito é fundamental.
É bom pôr-se no lugar da outra pessoa que você ama, e tentar compreender e respeitar o que se passa na cabeça dela para fazer o que fez, ou falar o que falou, ou o que faltou fazer, ou o que faltou falar – pois porque excessos são julgáveis e os não-excessos não? Nunca entendi isso muito bem. Pois na verdade você não é a pessoa. O que você pode pensar a respeito de alguma coisa (x), ela pode pensa totalmente diferente (y), e mesmo conhecendo-a tão bem, não se entende o que se passou na cabeça dela. Porque sua cabeça é SUA cabeça, a cabeça DELA é a cabeça, bem... DELA!
Porque há no mundo essa coisinha no ar que diz que quando se ama de verdade e principalmente por longos períodos, se sabe tudo sobre a pessoa. Sorry baby, mas não sabe. Nesta vida, procure sempre surpeender-se com as pessoas, por mais que as conheça bem, por mais que sejam parecidos, sempre há algo a descobrir, seja bom ou não, e como disse Einstein: "tudo é relativo". E, na verdade, bem lá no fundo, escondidinho num lugar em que você não quer achar, às vezes você já passou por tudo que a pessoa fez, ou você já fez o que a pessoa fez – ou falou, ou não falou, ou não fez – e então, é por isso mesmo que não aceita... e é justamente por isso que a julga. Deu pra entender a ironia de tudo? Pois é.
E eu quando falo amor, é QUALQUER tipo de amor: materno, paterno, fraterno, amor de amigo(a), amor próprio (pois nós mesmos nos julgamos pelo que fazemos...), amor de namorado(a), esposo(a), mulher, homem, amor platônico. O que eu quero dizer com tudo isso? Não julgue sem saber tudo o que a outra pessoa passou, passa, pensa, sente. Porque o que ela sente, só ela sente; o que ela sabe, só ela sabe; o que ela quer, só ela quer. Cada dor é uma dor, cada um sabe onde a pedra no sapato machuca. É simples, mas ser humano é um ser complicado. E por ser complicado, complica. 
Compreensão e respeito. Simples. Simples mas difícil. Difícil pois há pessoas em que é tão fácil se pôr no lugar dela, são aquelas que falam o que sentem, o que fazem, o que vão fazer; entretanto, há pessoas que é tão difícil que parece impossível, geralmente são pessoas caladas, de poucas palavras, que tem um olhar diferente pra tudo, que prestam atenção aos mínimos detalhes da vida, são aquelas que sempre te surpreendem de alguma maneira.
Eu procuro respeitar sempre o que outra pessoa faz, fala ou pensa. Porque acho que cada cabeça sua sentença. Já briguei muito com as pessoas por causa disso, então aprendi na marra que é melhor deixar estar, respeitar, dar espaço, compreender. E só. O que também não quer dizer que eu seja a mais dócil das criaturas. Não sou. Sou teimosa, não falo "eu também acho" pra tudo, e às vezes é melhor que eu fique quieta do que me ouvir falar o que eu acho – geralmente choco as pessoas com o que eu falo – , me irrito facilmente, e facilmente irrito alguém também pela minha ironia e sarcasmo, que, juro, não são intencionais. Mas procuro compreender e respeitar os pensamentos das pessoas e o que elas fazem. Mesmo que eu não fique falando o quanto respeito e cantando glórias sobre mim mesma, mas pode ter certeza, eu respeito o que você fez ou falou nos meus pensamentos, e não faria nada  pra ferir as pessoas segundo meus princípios. 
Mas seja como pense, e seja como faça, de uma coisa pode ter certeza: as pessoas não fazem as coisas por nada, sempre há um motivo, que para você pode não haver significado, mas para alguém, há muito significado.
E claro, se compreenda e se respeite também. E que nós nunca percamos a compreensão e o  respeito por nós mesmos. E entre nós.

Paolla Milnyczul



'Eu te deixo ser. Deixa-me ser então.' – Clarice Lispector






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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Daquele Jeito

Desta vez foi diferente. Não teve praia, sol, maresia. Não teve água de coco, mesinha na areia, óculos escuros, paisagens paradisíacas. Não teve voltar pra casa cedo, não teve Bahia e seu litoral lindo.
Mas teve montanhas maravilhosas, conhecimento, família. Teve Minas Gerais, uma cidade linda, ornagização. Teve se perder e ficar 1h rodando de carro atrás de um lugar – e achar na teimosia. Teve irmão, cunhada, velhos amigos e novos amigos... e que amigos!
Teve colação de grau, jantar, festa.  Teve dormir pouco, comer pouco e curtir muito dançando de salto 15 – e  no dia seguinte ficar com o pé inchado.
Teve emoção, apitos, torcida organizada, quase chorar de alegria,  rir até a barriga doer e parecer que eu tinha feito 1000 abdominais.
Teve gente linda, num lugar lindo. Teve ataque de pernilongos na hora errada, tropeçar em mim mesma dentro do quarto e quase cair de cara no chão – sóbria mas sem óculos – , acordar minha irmãzinha diversas vezes sem querer – porque eu sou desastrada toda a vida, sorry sister
Teve dois dias de viagem – um pra ir e outro pra voltar. Teve Clarice Lispector e Marha Medeiros na mala. Teve conversa de primas – né, prima? – ,  animação, brigar com o GPS quatro vezes num só dia. Teve encontro de gerações, de quem começou tudo à quem está só começando. Teve um cartaz que foi pra casa da minha cunhada – ou uma prancha, melhor dizendo. Teve palco, microfone, bobagem dita, bebida derramada, insônia, ciúmes, fotos e vídeos. Teve saudades também – muitas!
E teve ter que voltar à vida real, virar as costas e deixar tudo isso. E levar na bagagem da vida novos amigos, ótimas recordações e algumas fotos.
E teve o lema: "Daquele Jeito." Pro resto da vida, my brother, "daquele jeito".

Paolla Milnyczul

"Vamos curtir galera... daquele jeito!"  Rodrigo Milnyczul



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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Bobeou? Dançou!

Odeio hipocrisia, falsidade, odeio gente que se finge de besta, que se faz de sonsa. E meu, se não gosta, se acha – ou se não acha – fala na cara caramba! Ah não, esse negócio de gente que ficam falando o que não deve e finge que gosta me deixa irada e com a cabeça explodindo. E quando eu fico com dor de cabeça, eu fico muito mau humorada. 
Gosto de gente que fala o que tem que falar de mim na cara, que dá a cara a tapa, que abre o verbo não é com ele, com ela ou com você. É comigo! Ou com você, se for com você. E desse tipo de gente, tá cheio, eu sei, mas quando é alguém que te conhece e diz que te considera há anos, ah, meu bem, aí dançou comigo. E dançou bonito. Dançou lambada, salsa, merengue e samba de gafieira, tudo junto e misturado.
Porque eu não guardo quando isso acontece! Eu olho, pergunto e  falo, sem papas na língua, sem meias palavras, sem meios tons, sem rodeios, sem medo. Falo muito, e falo alto, falo com raiva, falo irônica, falo sarcástica e com desdém. Olhando nos olhos e fuzilando. E tem coisa pior que olhar fuzilante? Pois é, tenho o meu e o uso sempre que necessário.
Eu fico "p" da vida com esse tipo de gente sem consideração, que fala pelas costas o que nem é verdade, e mesmo se fosse, qual o direito dessa pessoa de falar de você (no caso de mim)? O de livre expressão, certo? Errado, tem meu nome, então tô envolvida e pronto. Rá.
E então a pessoa – aquela, que você mandou dançar – perde também toda a credibilidade daqueles que cercam você, o que levou, com certeza, no mínimo meses construindo. Porque comigo é assim: pra ser meu amigo e ter minha confiança, eu testo. Testo por dias, semanas, meses e até anos, depende do grau da minha desconfiança. Mas quando confio, confio mesmo.
E sim, antes que falem, sei que há o perdão e etc e tal, mas mesmo que se perdoe, nunca se esquece, fica marcado na vida feito papel timbrado. E isso pra mim é o pior dos castigos. Pois como te olhará esta pessoa olho no olho, de igual pra igual? Não olhará. Não de igual para igual.  
Mas aí passa um tempo – que podem ser dias, semanas, meses ou anos, depende da gravidade da questão – e eu olho pra pessoa e penso: "Coitada, ficou ela sem a minha presença. Não me acompanhou, dançou. E não fale comigo, por favor.". Aí viro o rosto e mostro meu lindo nariz empinado. E depois de um tempo simplesmente deixei de me importar. Aprendi muitas coisas nos meus vinte e poucos anos de vida, e uma das mais importantes é: aperte o foda-se às vezes. Pois é, apertei. Faz um bem sem igual!
Agora, ao meu lado, são poucos, bons e muito bem escolhidos – assim como meus livros. E tô muito bem pois tenho hoje pessoas queridas ao meu lado, que tornam mais leve minha já leve vida. Porque cada consciência têm um peso. A minha tá leve, levíssima. Sei que posso colocar minha cabeça no travesseiro e dormir tranquila sem pesadelos – só sonhos. 
E a pessoa? Ah, a pessoa tá dançando ainda, de salto agulha e plumas, com os pés doloridos, a expressão cansada e a consciência pesada.

Aconteceu isso com você? Manda dançar meu bem, sem medo! Quem tá perdendo não é você!

Paolla Milnyczul


"Antes de julgar a minha vida ou o meu caráter... calce os meus sapatos e percorra o caminho que eu percorri, viva as minhas tristezas, as minhas dúvidas e as minhas alegrias. Percorra os anos que eu percorri, tropece onde eu tropecei e levante-se assim como eu fiz. E então, só aí poderás julgar. Cada um tem a sua própria história. Não compare a sua vida com a dos outros. Você não sabe como foi o caminho que eles tiveram que trilhar na vida "  Clarice Lispector.



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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Eu e Meus Extremos

Olha, eu não sei vocês, mas eu não gosto nem um pouco de mais ou menos. E simplesmente não entendo como tem gente que consegue viver mais ou menos, aquela vida sem graça, sem gosto, sem sal nem açúcar.  Gente morna me dá sono, preguiça, tédio e uma certa melancolia, sabe, aquela que leva aquela vida  sem mudar, que se acostuma com o mais ou menos, com o banho-maria, só se deixando levar, sem sentir, sem se jogar, sem se apaixonar, e ao mesmo tempo sem desamar, sem odiar, sem querer não ter, sem ser fria. Só morna, levando uma vida enfadonha, e falando "sim", "não" e "eu acho" pra tudo. Sim, porque geralmente pessoas mornas também não têm opinião. Ah, não dá. Olha, eu não o delta da equação de segundo grau pra ser  + ou - 2 (quem não se lembra desta praga?). Ou sou menos, ou sou mais, meio termo não. Não dá pra ficar em cima do muro, só vendo o que acontece, sem nada fazer. Escolha um lado, eu não vou ficar esperando muito tempo você se decidir, meu tempo é precioso e passa rápido!
Se já se decidiu, acostume-se com as mudanças, porquê sou tão quente que até queimo, ou tão fria que praticamente congelo. E quem tá junto comigo, ou se queima ou vira gelo. Junto. Pois se é pra estar comigo, tem que estar JUNTO, seja amigo, seja família, seja amor, tem que saber me acompanhar, e não é fácil. Se ver que não vai conseguir, que perdeu o fôlego, que doeram as pernas, que te deixei pra trás, e você só viu o rastro de poeira, então nem adianta, só vai se confundir – e muito provavelmente se irritar ao tentar me entender. 
Mas se ver que consegue, vamos lá, corra ao meu lado meu bem, mas eu já aviso, não é fácil conviver comigo. Sou de riso fácil, palhaça, apaixonada, inconsequente, inconstante, instável, aventureira; sou fria, distante, centrada, irônica, cínica, sarcástica, dou chicotada com a minha língua ferina e sou quase ácida. Vario de humor fácil, fico vagando entre um extremo a outro intensamente, tenho um contraste dentro de mim impossível de descrever.
Comigo é 8 ou 80, tudo ou nada, agora ou nunca mais. Não sei porque sou assim. Sou, e ponto. E gosto de ser assim. E não, não irei mudar, já tentei e senti saudade de mim mesma, então, sinto muito quem não gosta do meu jeito de ser – vai ficar sem gostar.
Quando eu amo eu amo muito. Me jogo, mergulho de cabeça, alma, coração, corpo e espírito. Me molho, de camiseta e calça jeans, mas amo tudo que tenho para amar. Mas quando há o desamor, ah, eu sofro, sofro, choro, me descabelo, tomo porres homéricos e quase morro de amor – ou seria de desamor? E depois acaba. Assim como começou. Do nada. O que não significa que irei esquecer. Não é isso, só não sinto mais.
E quando eu preciso sentir – porque sim, há momentos constantes em que eu PRECISO sentir, é um sentimento de urgência – , eu não preciso só sentir, assim, sem mais nem menos. Preciso SENTIR. Sou intensa em tudo que sinto, em tudo que penso, e em tudo que faço há a intensidade e a sensibilidade de SENTIR o que se faz. Seja bom, tão bom a ponto de pular de alegria, ou ruim, tão ruim a ponto de quase morrer.  Dramática? Pois é, às vezes sou assim também.  
‎Se algum dia alguém que eu quero muito vier até mim e falar "Eu te dou metade. Metade do meu amor, metade da minha amizade" eu responderei "Não, obrigada, pois não sei dar nem receber metades, comigo não há meios termos nem meias palavras. Jamais serei sua meia-amiga ou seu meio-amor. Sou feita de inteiros. E da mesma maneira que me dou inteira, é o que quero receber. Eu sou inteira e não quero alguém que me complete. Quero alguém que siga comigo para o que der e vier.".
Vida morna não combina comigo. Simples assim.
Acha fácil? Seja eu por um dia, por uma semana, por um mês. Mas me devolva inteira, por favor. Sem metades.  

Paolla Milnyczul


 Trilha Sonora: 'London, London', e a voz rouca de Paulo Ricardo no meu ouvido.


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sábado, 5 de novembro de 2011

Novembro, Tempo de Pensar, baby!

Tenho verdadeira admiração por quem consegue falar o que sente. Eu não consigo. Ou até consigo, mas é tão difícil falar sobre o que sinto que fica preso e não sai boca afora. Não sei porque sou assim, sei que sou. Então, para não surtar ou enlouquecer com tanta coisa presa dentro da minha cabeça, desorganizando meus pensamentos, e me deixando até com febre, escrevo. E escrevo muito. Tem dias que acordo atacada e escrevo o dia todo, tem dias que a inspiração não vêm e só escrevo bobagem.
Novembro. Tempo de pensar na vida antes que final de ano, Natal, Reveillon, reuniões familiares e festas sem sentido, cobrança no trabalho, cobrança de si mesmo por não ter feito tudo queria, do jeito que queria e como prometeu no final do ano de 2010, e vai prometer de novo esse ano: emagrecer, ter mais dinheiro, engravidar, casar, deixar de ser solteira, voltar a ser solteira, entre outros que entram na lista anual de desejos que 'com certeza vamos realizar' todo ano. Sinto dizer, mas quem diz que não se cobra no final do ano está mentindo. E quando a segunda quinzena de Dezembro chega, é a hora da dor cabeça de ter tudo isso junto e ter que dar conta – o que invariavelmente não acontece.
Mas ainda não é Dezembro. É Novembro. Tempo de pensar. O que você quer para 2012, 2013, 2014 e o resto da sua vida? Eu sei o que eu quero – e pode ter certeza, vou conseguir se em 2012 o mundo não acabar – , mas é segredo e não falo. Tem segredos que não falo nem à mim mesma, ficam preso dentro de mim numa bolha esquecida em algum canto da alma, mas que me cutucam às vezes.
É tempo de pensar baby, o que você quer?


Paolla Milnyczul


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